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Relatos de OVNIs: Algumas notas sobre a necessidade de...

Pessoas de uma Forma Diferente

20 de julho de 2009 Comments (1) Views: 939 Ufologia

Magic vs. "Majic"

Uma Comparação da Criptoanálise Pré-Guerra
de Códigos Japoneses e o Espúrio “Majestic 12”

por Paul B. Thompson, original em Nebula/Parascope

Em dezembro de 1984, um pacote foi entregue na casa de Jaime Shandera, um produtor de televisão e escritor de Los Angeles. Ele continha um rolo de 35 mm de filme não processado que, quando revelado, provou conter fotografias de supostos documentos de governo secretos que descreviam a recuperação de uma nave extraterrestre caída no deserto do Novo México em 1947. Especificamente, os documentos eram (pretensamente) um memorando do Presidente Truman para o Secretário de Defesa Forrestal, autorizando que ele começasse a “Operação Majestic 12”; um memorando de sete páginas ao presidente eleito Eisenhower, relatando a ele o status das operações Majestic 12 no estudo (e encobrimento) do acidente no Novo México; e um memorando de Robert Cutler, um assistente do Presidente Eisenhower, ao Chefe da Força Aérea Nathan Twinning.

Por várias razões (veja artigo relacionado), a maioria das pessoas concluiu que estes documentos são fraudes totais. Sua proveniência é desconhecida, há erros sérios em sua preparação e estrutura, e as alegações deles estão freqüentemente em conflito com fatos históricos conhecidos. A UFOlogia está repleta de fraudes, de estórias de contatados nos anos cinqüenta ao absurdo filme da “autópsia alien” de apenas alguns anos atrás.

O caso Majestic 12 é mais ambicioso que o resto. O(s) forjador(es) deliberadamente brincam com personagens reais, de presidentes, a generais, a cientistas famosos, envolvendo-os em uma conspiração espúria para encobrir a “verdade” de um acidente OVNI. Desde a liberação da estória Majestic 12 há dez anos atrás, o cabal fantasma de militares e cientistas se tornou uma base do folclore UFO, figurando até mesmo na série de TV “Dark Skies” como o grupo secreto que comanda todos os Estados Unidos por detrás das cenas. Como tantos outras partes falsas do folclore UFO, Majestic 12 provavelmente nunca irá embora.

Uma pergunta mais relevante poderia ser: De onde ele veio? Há candidatos principais para a honra duvidosa de ter criado os falsos documentos. Não é meu propósito aqui apontar o dedo de culpa; se os leitores forem curiosos e pesquisarem a literatura disponível reconhecerão quem são os suspeitos. Meu propósito aqui é sugerir quais influências não-OVNI inspiraram os forjadores a criar o misterioso Majestic 12.

Códigos Mágicos e Falsificações Majestosas

Nos documentos, duas abreviações em código são usadas em lugar do nome completo “Majestic 12”, e elas são “MJ12” e “Majic”. O uso do último é particularmente interessante já que representa, acho eu, uma tentativa deliberada de ligar o falso grupo de encobrimento UFO a uma real operação secreta conhecida como “Magic” (Mágica). Assim as pessoas que soubessem algo sobre a história de operações de inteligência nos anos quarenta poderiam associar os dois rótulos em suas mentes, e o Magic real emprestaria credibilidade ao Majic falso.

“Magic” era o nome de cobertura usado para o deciframento da máquina japonesa de codificação diplomática em 1940. Os japoneses haviam introduzido uma nova máquina avançada de codificação, a Tipo 97, ou “Bei Gwa” (Máquina “B”) em 1937 para salvaguardar suas mensagens diplomáticas de olhos estrangeiros. O projetista chefe do Bei Gwa era o Capitão (posteriormente Almirante) Jinsaburo Ito que partiu da habitual mecânica de máquinas de codificação operadas por rotor (como a máquina Enigma alemã) para incorporar interruptores de passo rotativos no mecanismo. Os interruptores de passo introduziram transposições adicionais no processo de codificação para dez à quinta potência (10 x 10 x 10 x 10 x 10). Os japoneses acreditavam que a Bei Gwa era imune à decodificação.

Esse não era o caso. Um time americano de criptoanalistas, conduzido pelo brilhante William F. Friedman, começou a atacar as mensagens Bei Gwa em 1938. Usando métodos estatísticos avançados que Friedman foi um dos primeiros a avançar, os americanos rapidamente determinaram a natureza da máquina de código japonesa, mas levaram dois anos para quebrar o código. A inovação veio quando um jovem criptolólogo do Exército, Harry Lawrence Clark, teorizou que os japoneses não poderiam estar usando rotores em sua máquina e deduziu que interruptores de passo eram a chave. Depois disso, uma máquina de ensaio foi montada em grande segredo, e o código Bei Gwa estava comprometido. O nome de cobertura americano para o código Bei Gwa era “Púrpura”.

O almirante Walter S. Anderson, chefe do Escritório de Inteligência Naval (ONI) em 1940, deu à quebra do “Púrpura” o nome de código “Magic” (Mágica). Este era um rótulo caprichoso naquele momento, uma referência tanto ao brilhantismo incrível dos criptoanalistas como também ao tom oculto ligado à criptografia desde a Idade Média. Mensagens japonesas individuais, uma vez decifradas, eram chamadas de “magics” (mágicas), com M minúsculo. Pessoas que tinham acesso a mensagens “Púrpura” eram conhecidas como “Ultras”. Por causa da importância extrema do conhecimento de que o Bei Gwa tinha sido quebrado, “Magic” também se tornou uma classificação de segurança, muito mais alta que Top Secret. Toda a vantagem ganha em ler mensagens japonesas seria perdida se os japoneses soubessem que o Bei Gwa estava comprometido.

Tão convencidos estavam os japoneses da infalibilidade da Máquina B que eles nunca a abandonaram, até mesmo quando houve evidência de que os americanos a haviam penetrado. A história do Magic permaneceu um segredo nacional durante algum tempo depois da guerra, assim como a solução  anglo-franco-polonesa da máquina de códigos alemã Enigma. Pelos anos 60 livros começaram a aparecer sobre a quebra de “Púrpura”: The Broken Seal de Ladislas Farago e The Codebreakers de David Kahn ambos saíram em 1967. Em 1970 um grande filme de semi-documentário, Tora! Tora! Tora! foi lançado, que descrevia dramaticamente a operação “Magic”, a segurança cercando-a e o grupo pequeno de líderes americanos que sabiam sobre isto.

[Algumas palavras sobre nomes de código e como os militares norte-americanos as usavam. Durante a Segunda Guerra Mundial, a criação de nomes de código foi sistematizada, e foram compiladas em livros listas de codinomes aprovados ara uso oficial. Codinomes nunca eram reutilizados, e às vezes uma operação poderia ser renomeada se seu propósito mudasse ou sua segurança fosse comprometida. Assim a invasão do Norte da África foi chamada “Torch” (Tocha), a operação da Normandia “Overlord”, etc. Na “declaração do operador cinematográfico” associada com o filme da autópsia alien, era alegado que a recuperação de corpos alienígenas no deserto em 1947 possuía o codinome “Anvil” (Bigorna), mas foi logo notado que “Anvil” era o primeiro codinome para a invasão do sul da França em 1944. Convenientemente, “Anvil” desapareceu das versões impressas da declaração do operador cinematográfico da autópsia alien… Seria interessante pesquisar os arquivos para ver se o codinome “Majestic” foi alocado a qualquer operação na Segunda Guerra Mundial.]

O(s) forjadore(s) que criaram os documentos Majestic 12 sabiam bastante sobre história para incluir generais proeminentes e cientistas reais na lista de alegados membros. Eles escolheram cuidadosamente 12 homens que estavam todos mortos antes de 1984 e assim não poderiam negar já ter sido membros do MJ12. O membro mais incomum (do ponto de vista dos aficionados OVNI) era o Dr. Donald Menzel, o astrônomo de Harvard que publicou alguns livros sarcásticos e superficiais desmascarando OVNIs. Quando um pouco de pesquisa trouxe a “revelação” de que Menzel havia trabalhado para algumas agências de inteligência durante a guerra e possivelmente depois dela, isto foi saudado como prova de que ele era um membro do MJ12, e de fato como prova de que o MJ12 realmente existiu. O fato claro é, quase todos os cientistas nos EUA tiveram algum papel na guerra e na guerra fria que se seguiu, seja em pesquisa e desenvolvimento de fato ou como consultores em assuntos nos quais eles eram peritos. A carreira de inteligência de Menzel é escassamente surpreendente a qualquer um que entenda como os recursos nacionais da América foram utlizados durante a guerra.

Magic vs. “Majic”: Uma Comparação

Desta forma, quanto o(s) fraudador(es) MJ12 emprestaram da história real de “Magic”? Com a falta de sua confissão não há forma de saber, mas os paralelos fornecem comparações úteis:

História real “Magic”: “Majic” alega:
A operação mais secreta nos EUA, até mesmo mais que o projeto da Bomba atômica. idem
Acesso altamente restrito por razões de segurança. idem
Tecnologia nova e análise científica avançada envolvida. tecnologia “alien”, corpos “alien”
Aqueles que sabiam incluiam militares de alta patente e cientistas renomados. idem
A operação gera níveis novos de classificação de segurança: magic, ultra. “majic”, “MJ12”, etc.
A operação continuou depois de um evento seminal (Pearl Harbor) com importância crescente. MJ12 continua a estudar aliens mesmo depois do acidente no Novo México. MJ12 existe até hoje.
Guardou pedaços de informação liberados ao público depois de eventos por alguns dos envolvidos Fotocópias enviadas a Jaime Shandera, associado de Stanton Friedman e William Moore, pesquisadores UFO bem conhecidos que haviam publicado previamente um livro sobre o incidente em Roswell.

Estes paralelos demonstram amplamente a possível inspiração pelo “Magic” histórico para o falso “Majic”. Em conjunto com a falta de conhecimento da procedência e os erros nos próprios documentos, não parece haver nenhuma razão para considerar os documentos MJ12 como qualquer coisa além de ficção — e ficção mal-feita, se for assim.

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(c) Copyright 1997 ParaScope, Inc.

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One Response to Magic vs. "Majic"

  1. […] quando assistiu a “E.T.” na Casa Branca, embora a fonte desta história seja em si mesma uma figura associada a uma fraude ufológica sobre a conspiração do governo com aliens. É uma colcha sem fim de ironias, alguns diriam […]

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