Houdini contra a Bruxa Loira da Rua Lime

por Massimo Polidoro

UMA LIÇÃO HISTÓRICA SOBRE CETICISMO

Na longa história do século da pesquisa psíquica séria, o episódio “Margery” é provavelmente um dos mais interessantes. Nenhum outro médium desde D. D. Home, nem mesmo Eusapia Palladino, atraíra tanto interesse e controvérsia como Mina Stinson, também conhecida como Margery, a “Bruxa Loira da Rua Lime”. Assim como Home, Mina Stinson (seu nome de solteira) não pedia dinheiro por suas demonstrações, mas diferentemente de seu predecessor, ela recusava mesmo doações ou jóias, e diferentemente de sua rústica e inculta colega Eusapia Palladino, ela era a esposa de um médico de Boston respeitado e bem sucedido, o Dr. Le Roy Goddard Gandon. Por tudo que se sabia, Stinson era brilhante e perspicaz, e no início de seus trinta anos, com olhos azuis e um longo cabelo dourado, uma mulher muito atraente. Margery foi o último caso famoso de mediunidade física a ser apresentado como prova da realidade dos poderes da mente sobre a matéria, ou psicocinésia, até a chegada de Uri Geller 50 anos mais tarde. Com ela acabou a era dos grandes médiuns que começou com Daniel Home.

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A VIDA NA RUA LIME

Os acontecimentos que nos interessam começaram na primavera de 1923, na Rua Lime nº  10, uma casa de tijolo de quatro andares na elegante vizinhança de Boston de Beacon Hill.

O marido de Margery, o Dr. Le Roy Goddard Crandon, era um homem obstinado e aristocrático, com muitos passatempos e interesses além da medicina, indo desde sua paixão pelo mar ao estudo dos escritos de Abraham Lincoln. Era inevitável que sua mente inquiridora se voltasse a um assunto que interessou todo o mundo na pesquisa psíquica de 1920s. Seu interesse foi desperto por uma reunião que ele teve com o Senhor Oliver Lodge (1851-1940), um físico de grande fama que, depois da morte do seu filho Raymond durante a 1ª Guerra Mundial, anunciou que ele acreditava na sobrevivência humana depois da morte e na possibilidade de se comunicar com os mortos. Lodge tinha sugerido um livro a Crandon, The Physical Structures of the Goligher Circle do Dr. Crawford, um engenheiro de Belfast e um entusiasta do paranormal. Depois de ler história de Crawford da sobrenaturalmente talentosa Kathleen Goligher e sua família, pensamentos estranhos andaram na mente do médico.

Seria isso realmente possível, Crandon se perguntava, que existissem os “cantiléveres psíquicos” que Crawford relatava? E se for assim, como estes “pseudopodes” poderiam ter a força para levantar sequer uma mesa? Crandon decidiu tentar descobrir para si e em poucas semanas tinha uma mesa construída às especificações exatas de uma usada no caso Goligher.

Em 27 de maio, Crandon sentou-se ao redor da mesa com sua esposa e alguns amigos no andar superior da casa na Rua Lime. A câmara foi escurecida e, seguindo as instruções de Crandon, os assistentes uniram as mãos e esperaram. Repentinamente, a mesa se moveu levemente. Então se moveu outra vez e empinou, ficando em duas pernas. Alguém sugeriu que se tentasse descobrir qual deles talvez fosse o médium, assim um de cada vez cada assistente deixou o local. A mesa continuava a balançar e parou só quando Mina, a esposa do médico, partiu, não deixando qualquer dúvida: ela era o médium.

MINA, A MÉDIUM

Mina (1888-1941) originalmente casou com o proprietário de uma mercearia pequena, Conde P. Rand, sempre tendo sido uma mulher ativa vivaz. Quando jovem, ela tinha tocado em várias bandas e orquestras profissionais, trabalhado como secretária, amava esportes, e era ativa em vários grupos de ações sociais da igreja. O casamento com Crandon exigiu que ela abandonasse seu estilo de vida dinâmico, que não combinava com o papel esperado da esposa de um médico. A nova experiência da sessão espírita de 27 de maio forneceu uma mudança agradável da vida confinada em ócio de uma mulher bem sucedida.

Durante o verão inteiro, os Crandons realizaram sessões espíritas domésticas privadas. O médico ficava mais animado cada vez que ele descobria que sua esposa tinha um novo “poder”. Suas capacidades pareciam sem limites e ele só tinha que ler sobre algum novo mistério e “Psique” – como ele tinha começado afetuosamente a chamá-la – o duplicaria na próxima sessão espírita. Raps [batidas] e lampejos de luz estavam entre os primeiros fenômenos a aparecer, junto com efeitos mais tradicionais como o movimento da mesa. Mina parecia poder parar um relógio simplesmente se concentrando nele, ou produzir notas de dólar e pombos vivos, coisas que pareciam ser tomadas diretamente do repertório de um mágico. Logo as coisas tomaram um novo rumo.

Mina tinha conduzido suas sessões espíritas desperta e plenamente ciente do que acontecia ao redor dela até que seu marido sugeriu que ela tentasse cair num transe. Houve êxito imediato e várias “entidades” começaram a se comunicar pela médium. Uma destas começou a aparecer mais freqüentemente e eventualmente se tornou predominante. O Dr. Crandon e os outros concordaram que este visitante tinha de ser Walter Stinson, o irmão de Mina. Walter tinha morrido 12 anos mais cedo, aos 28 anos de idade, esmagado por um vagão ferroviário. A voz de Walter, que se tornou o espírito controle de Mina por 18 anos, não surpreendentemente era a mesma de Mina, só um pouco mais rouca. Sua linguagem era grosseira e tinha uma sagacidade pronta e maneiras irritáveis, uma personalidade bastante estranha à gentil e polida senhora.

A SCIENTIFIC AMERICAN INVESTIGA

Em novembro de 1923, Bird fez uma visita aos Crandons e encontrou um casal indubitavelmente interessante: um médico sombrio e uma mulher viva e fascinante. O charme de Mina claramente o afetara, tanto que muitos posteriormente questionariam a fiabilidade das suas observações. Bird já tinha criado uma impressão semelhante quando comentou com particular bondade sobre as demonstrações de uma médium sobre quem outros tiveram sérias dúvidas. Nessa ocasião, Walter Franklin Prince, revisando o livro de Bird, My Psychic Adventures, escreveu:

Sr. Bird, se ele deseja alcançar a autoridade na pesquisa psíquica a qual eu suplico por ele, doravante deve evitar de se apaixonar pela médium. (Prince, 1923)

Antes de deixar Boston, Bird convidou Mina a entrar na competição anunciada pela Scientific American. Ela concordou e especificou que, se ganhasse o prêmio, este iria para a pesquisa psíquica. Ela mesma insistiu em pagar todas as despesas que talvez surgissem da investigação, incluindo aquelas para a permanência do comitê em Boston. A única condição que impôs era que o comitê deveria ir até ela em vez dela ir até eles. Os Crandons emprestariam sua casa aos investigadores.

Um artigo sobre a médium, escrito por Bird, apareceu na edição de julho de 1924 da Scientific American. Para proteger a privacidade de Mina, Bird rebatizou-a “Margery”; “Walter” foi chamado “Chester,” e o Dr. Crandon “F. H.”. Os leitores da Scientific American souberam que por fim um vencedor potencial do prêmio tinha chegado: “Com Margery”, Bird escreveu, “(. . .) A probabilidade inicial de genuidade é muito maior que em qualquer caso prévio que o Comitê tenha lidado” (Bird, 1924, p. 29).

O comitê  então foi a Boston; Bird e Hereward Carrington (um investigador psíquico famoso), e ocasionalmente os outros membros do Comitê, alegremente concordaram em ser convidados dos Crandons durante as investigações. William McDougall, psicólogo em Harvard, vivendo em Boston, permaneceu no seu lar enquanto W. F. Prince, oficial principal de pesquisa da Sociedade Americana para Pesquisa Psíquica (ASPR), preferiu permanecer num hotel.

Harry Houdini, o único membro do comitê que não foi informado sobre a investigação, teve que contar com os jornais para descobrir o que acontecia, e o que ele leu despertou seu interesse cético, para dizer o mínimo: “Margery, a Médium de Boston, Passa em todos os Testes Psíquicos”; “Cientistas Não Acham Nenhuma Trapaça numa Série de Sessões Espíritas; “Fantasma Versátil Confunde Investigadores Pela Variedade das Suas Demonstrações”. A surpresa era mesmo maior quando, abrindo a edição de julho da Scientific American, Houdini soube que os investigadores das alegações de Margery eram seus colegas no comitê. Houdini estava furioso: por que ele não tinha sido informado? Bird explicou a Houdini numa carta:

Nossa idéia original era não perturbá-lo com isso a menos que se chegasse a um estágio em que parecesse séria a possibilidade de que ou isso era genuíno, ou era um tipo de fraude que nossos outros homens do Comitê não podiam lidar… Sr. Munn sente que o caso tomou um rumo que faz com que seja desejável para nós discuti-lo com você (Houdini, 1924, p. 4).

Houdini chegou aos escritórios de Nova Iorque da Scientific American e perguntou a Bird diretamente: “Você acredita que esta médium é genuína?” “Sim”, respondeu Bird, “ela é genuína. Recorre à trapaça às vezes, mas acredito que ela seja cinqüenta ou sessenta por cento genuína”. “Então você quer dizer que esta médium será chamada para receber o prêmio da Scientific American?” Houdini perguntou. “Muito certamente”, Bird confessou. Houdini não reagiu violentamente:

Sr. Bird, você  não tem nada a perder exceto sua posição, e muito possivelmente você prontamente pode conseguir outra se estiver errado, mas se eu estiver errado isso quererá dizer a perda de reputação e já que fui selecionado para ser um do Comitê eu não penso que será justo você dar o prêmio para esta médium a menos que seja permitido eu ir até Boston e investigar suas alegações, e do que você me conta estou certo que esta médium ou é a mais maravilhosa do mundo ou uma enganadora muito esperta. Se é uma médium fraudulenta, garanto que irei expô-la, e se é genuína, darei meus cumprimentos e serei um de seus mais árduos defensores (p. 5).

O MÁGICO E A BRUXA

Quando Houdini e Munn chegaram a Boston em 22 de julho e tomaram seus lugares no Copley Plaza Hotel, Houdini ficou chocado em saber que Bird e Carrington tinham aceitado a hospitalidade dos Crandons. Quão imparcial seu julgamento podia ser se eles eram convidados da parte em que foram pedidos investigar? Mas a acomodação, como mais tarde se ficou sabendo, não foi a única lisonja oferecida aos membros do comitê. Carrington, por exemplo, tinha emprestado algum dinheiro ao Dr. Crandon, e Bird tinha recebido até um cheque em branco para suas despesas. Uma influência regular e mais perigosa, no entanto, ameaçava a integridade dos investigadores: os atrativos de Mina, que usava somente um vestido fino e meias sedosas durante as sessões espíritas. Ela obviamente encantou Bird, e só muitos anos mais tarde se soube que ela e Carrington freqüentemente tinham dormidos juntos. “Não é possível parar na casa de alguém (sic)”, Houdini explicou, “repartir o pão com essa pessoa freqüentemente, então investigá-la e chegar a um veredito imparcial” (p. 5).

No dia 23 de julho de 1924, Houdini participou pela primeira vez numa sessão espírita com a médium. Uma façanha que tinha confundido os membros do comitê  envolveu o uso de uma caixa de madeira com um interruptor elétrico que quando pressionado tocaria um sino colocado dentro da caixa. Nas sessões anteriores, a caixa tinha sido posta no chão entre os pés de Margery, e o sino tocou mesmo enquanto as mãos e pés da médium supostamente eram segurados ou “controlados”. Um membro do comitê segurava sua mão esquerda e tocava seu pé esquerdo, com seu marido presumivelmente fazendo o mesmo com o seu pé e mão direitos. Com a médium assim “imobilizada”, os assistentes argumentaram que o único responsável pelos fenômenos somente podia ser ‘Walter’, o espírito-guia.

Quando Houdini chegou, se sentou à esquerda da médium e a caixa foi colocada entre os seus pés. A sua mão segurava a da médium enquanto o seu tornozelo controlava a sua perna. Houdini narra a história daí:

Durante o dia todo eu tinha usado uma compressa sedosa de borracha ao redor dessa perna logo sob o joelho. De noite, a parte da perna sob a compressa tinha se tornado inchada e dolorosamente macia, assim deixando-a muito mais sensível e tornando mais fácil notar o deslizar mais leve do tornozelo da Sra. Crandon ou o flexionar de seus músculos (p. 6).

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A precaução pareceu ser crucial quando, depois de puxar suas saias bem para cima de seus joelhos, Margery pediu escuridão. Houdini relata:

Eu distintamente podia sentir o tornozelo dela lenta e espasmodicamente correr enquanto era pressionado contra o meu até que ela ganhou espaço para levantar seu pé do chão e tocar o topo da caixa. A sensação comum de toque parecia a mesma quando isso estava sendo feito. Às vezes ela dizia: ‘somente aperte firme contra meu tornozelo de forma que você possa ver que meu tornozelo está aí’, à medida que ela era apertada, eu podia senti-la ganhando outra meia polegada. Quando ela finalmente tinha manobrado o seu pé ao redor de um ponto onde ela podia chegar ao topo da caixa, o sino começou a tocar e eu positivamente senti os tendões de sua perna se flexionarem e contraírem enquanto ela repetidamente tocava o aparelho ressonante (p.7)

Quando o sino parou de tocar, Houdini sentiu que a perna da médium lentamente deslizava de volta à posição original no chão. Bird se sentou à sua direita com uma mão livre para “explorar” e a outra em cima de ambas as mãos da médium e do Dr. Crandon. Repentinamente, ‘Walter’ pediu que uma placa iluminada fosse colocada na tampa da caixa que segurava o sino. Bird levantou-se para fazê-lo e nesse momento ‘Walter’ pediu por “controle”. Margery colocou sua mão livre em Houdini e imediatamente o gabinete foi violentamente jogado para trás. A médium então deu seu pé direito para Houdini e disse: “Você agora tem tanto as mãos quanto os pés. Então ‘Walter’ avisou: “O megafone está no ar. Diga-me, Houdini, onde lançá-lo”. “Em direção a mim”, respondeu o mágico, e aquilo instantemente caiu aos seus pés.

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Apesar do esperto trabalho de distração criado pela médium, Houdini pôde entender o que realmente tinha acontecido na escuridão. Quando Bird deixou o quarto, ela ficou com o pé e a mão direitos livres. Com sua mão direita ela deslocou o canto da cabina de modo suficiente para conseguir que seu pé ficasse solto debaixo dela, então, levantando o megafone, ela o colocou em sua cabeça, como um chapéu de bobo. Ela então podia derrubar o gabinete usando o seu pé direito, o qual mais tarde ela daria a Houdini. Embora parecesse que Margery estava sob controle completo por Houdini, ela simplesmente precisava inclinar sua cabeça para fazer o megafone cair nos seus pés. Depois da sessão, Houdini comentou: “Esse é o ardil mais astuto que eu já vi”.  (p. 8).

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Houdini tinha percebido a fraude depois de somente uma sessão, enquanto os outros membros do Comitê não tinham detectado a fraude mesmo depois de trinta. Bird, assim como o Dr. Crandon, antipatizava com Houdini e detestava seu ar de superioridade. Crandon revelou seu preconceito anti-semítico contra Houdini numa carta a Doyle quando expressou pesar que “este judeu vulgar possa dizer algo sobre a palavra ‘Americano’” (Silverman, 1996, p. 325).

A SEGUNDA SESSÃO

Na noite seguinte, Margery concordou em realizara sessão espírita no conjunto de hotel em que o Dr. Comstock permaneceu. Desta vez, o grupo sentou-se ao redor de uma mesa, com Houdini à esquerda da médium. ‘Walter’mandou que todo o mundo se afastasse da mesa de modo que ele talvez reunisse a força necessária para levantá-la. “Isto”, comentou Houdini, “era simplesmente outro estratagema da parte da médium, para quando todo o restante voltasse ela voltasse também e isto lhe desse espaço suficiente para dobrar a sua cabeça e empurrar a mesa para cima” (Houdini, p. 9). Houdini pôde confirmar sua teoria quando, depois de soltar a mão de Munn, ele começou a tatear ao redor embaixo da mesa até que ele sentiu a cabeça da médium. O mágico cochichou a Munn que podia denunciá-la e expô-la imediatamente mas o redator propôs esperar e a sessão espírita continuou.

Era então a vez da caixa-sino. Outra vez ela foi colocada entre pés de Houdini, outra vez Margery pôs o seu tornozelo contra o do mágico e outra vez, na escuridão, Houdini, que tinha enrolado a calça da sua perna como a noite anterior, sentiu-a esticar seu pé para tocar o sino. A fivela da liga de Houdini, no entanto, tinha pego a meia da médium, impedindo-a de chegar à caixa. “Você tem ligas, não tem?” ela perguntou. “Sim”, Houdini respondeu. “Bem, a fivela me machuca”. Depois de jogar a liga fora, Houdini sentiu que a perna da mulher esticar outra vez e o sino ressoar cada vez que seus músculos se estendiam. A sessão espírita terminou, Crandon deixou o lugar e o comitê discutiu o que tinha acontecido. Houdini contou aos outros sobre sua descoberta e deu uma demonstração prática. O comitê, no entanto, decidiu esperar até que eles estivessem em Nova Iorque antes de emitir um comunicado para a imprensa. Entretanto, era necessário que os Crandons não soubessem sobre as descobertas de Houdini.

Munn e Houdini deixaram Nova Iorque e Bird permaneceu como convidado com os Crandons por mais três dias. Mais tarde ficou-se sabendo que ele tinha contado a Mina e a seu marido o que Houdini tinha descoberto e o que o comitê pretendia fazer. Desse momento em diante Margery ficaria em guarda. Chegando em Nova Iorque, Munn rasgou um artigo da Scientific American por Bird em que ele elogiava as capacidades de Margery. Ele não podia parar os jornais, no entanto, de informar as declarações de Bird. Algumas manchetes que apareceram nos jornais do dia diziam: “Médium de Boston Confunde os Peritos; “Cientistas Confusos Com as Revelações, Poder Psíquico de Margery Estabelecido”; “Peritos em Vão Procuram Trapaça em Demonstração Espiritualista”; e então um que fez o mágico ferver de cólera: “Houdini o Mágico Desconcertado”.

O PASSO EM FALSO DE HOUDINI

Quando o comitê  se encontrou um mês mais tarde aí claramente havia uma guerra aberta entre Houdini, que queria expor a médium de uma vez por todas, e Margery, que queria fazer com que Houdini parecesse um tolo. Foi então que Houdini fez seu pior movimento, introduzindo no cenário experimental uma limitação ridícula para controlar a médium. Era uma caixa de madeira grande dentro da qual o meio sentar-se-ia deixando só a sua cabeça e mãos para fora. O problema principal com forma tão extrema de controle é que dava à médium a oportunidade de queixar-se que o gabinete impedia a materialização dos “pseudopodes” necessários para executar os fenômenos e a dava um álibi para uma possível ausência dos mesmos. Havia também outra desvantagem: se o gabinete não fosse realmente à prova de fraude, como Houdini acreditava ser, e Margery pudesse achar uma maneira de fazer algumas fraudes, ela podia alegar que isto provava que ela tinha demonstrado capacidades paranormais. Se a fraude mais tarde fosse descoberta, Houdini pareceria incompetente.

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Em 25 de agosto, no apartamento de o Dr. Comstock, Margery foi “encaixotada” e as luzes apagadas. A caixa com o sino, colocada numa mesa na frente do gabinete, tocou, mas quando as luzes foram ligadas, a tampa no gabinete parecia ter sido forçada para abrir. Houdini sugeriu que, com a tampa aberta, Margery podia ter tocado o sino jogando sua cabeça para a frente. A médium negou qualquer responsabilidade alegando que ‘Walter’ tinha forçado a abrir a caixa-gabinete.

O gabinete tinha provado sua inutilidade, mas Houdini quis tentar novamente. Ele tinha selado tampa com faixas de aço e cadeados e preparado para a próxima noite. Essa noite começou com a entrada dramática de BIRD, que exigiu saber por que ele tinha sido deixado de fora das sessões espíritas. Houdini respondeu friamente, “Oponho-me ao Sr. Bird estar no local de sessão espírita porque traiu o Comitê e impediu seu trabalho. Ele não manteve para si coisas que lhe foram contadas em confiança mais estrita como deve a um Secretário ao Comitê” (Ibid., p. 15). Bird a princípio negou mas então admitiu que uma preocupada Margery o tinha convencido a contá-la os fatos. Tendo dito isso, renunciou do comitê e partiu.

Então e aí  Prince foi eleito como o novo Secretário. A sessão espírita começou com Margery confinada na caixa-gabinete e Houdini e Prince em seus lados segurando as suas mãos. Houdini particularmente insistiu que Prince nunca soltasse a mão da médium até que a sessão espírita estivesse terminada. Isto levou Margery a perguntar para Houdini o que ele tinha em sua mente.

“Você realmente quer saber?” Houdini perguntou. “Sim”, disse a médium.

“Bem, eu te contarei. Em caso de ter contrabandeado algo para dentro da caixa-gabinete, você agora não pode ocultar isto com suas mãos e enquanto elas estejam seguras e envolvidas você está desamparada”

“Você quer me revistar?” ela perguntou.

“Não, não se preocupe, esqueça,” disse Houdini. “Eu não sou médico”.

Logo depois, ‘Walter’ apareceu no círculo dizendo: “Houdini, você é muito esperto de fato, mas isso não funcionará. Suponho que foi um acidente que essas coisas foram deixadas no gabinete?”

“O que foi deixado no gabinete?” perguntou o mágico.

“Foi puro acidente isto? Você não estava aqui, mas seu assistente estava”. ‘Walter’ então declarou que uma régua seria achada na caixa do gabinete sob um travesseiro nos pés da médium e acusou Houdini de ter seu assistente o colocado aí para jogar suspeita sobre sua irmã. Então ele terminou com uma explosão violenta em que exclamou: “Houdini, seu maldito filho da puta, saia daqui e nunca mais volte. Se você não o fizer, eu o farei”! (pgs. 17-18).

Uma procura do gabinete revelou a presença de uma régua de carpinteiro desmontável. Mas a pergunta surgiu: quem a colocou aí? Houdini alegou que foi Margery. Colocando a régua pela abertura do pescoço, o mágico explicou, ela facilmente podia ter tocado o sino. Também, a médium tinha sugerido que os buracos dos braços nos lados do gabinete fossem entabuados o que permitiria que ela movesse as suas mãos livremente e não controladas dentro do gabinete. Margery rejeitou as acusações e acusou Houdini, sugerindo que seu assistente Jim Collins tinha escondido a régua para desacreditá-la.

Collins, no entanto, tinha sido interrogado essa mesma noite na ausência do Houdini, e prestou juramento que ele não colocou qualquer régua dentro do gabinete, que ele nunca tinha visto essa régua, e que sua própria régua estava no seu bolso. Mas de acordo com escritor William Lindsay Gresham, Collins admitiu que escondeu a régua: “Eu mesmo atirei isto na caixa. O chefe me pediu que o fizesse. ‘Ele queria dar um bom jeito nela’ “(Gresham, bom 1961, p. 219). Milbourne Christopher, mágico e historiador, expressou dúvida sobre este incidente em Houdini the Untold Story.

A fonte desta história, embora não dada por Gresham, foi Fred Keating, um mágico que tinha sido convidado dos Crandons em sua casa na rua Lime na época em que Carrington investigava a médium. Keating, no entanto, não era imparcial. Vários dias antes de Gresham falar com ele, Keating tinha visto um manuscrito inédito na coleção deste autor em que Houdini, enquanto elogiava Keating enquanto mágico, tinha comentado em termos pouco lisonjeiros as capacidades de Keating como um investigador de fenômenos psíquicos. Na opinião deste escritor, a história de admissão de Collins é pura ficção (Christopher, 1969, p. 198).

Quem pôs a régua na caixa permanece desconhecido até hoje. Talvez tivesse sido revelado se na época um laboratório pudesse ter examinado a régua achada dentro da caixa pelas impressões digitais ou outros vestígios úteis. Evidentemente o comitê da Scientific American não era tão científico afinal de contas.

A ÚLTIMA SESSÃO

Uma última sessão espírita foi planejada para 27 de agosto. Essa tarde Munn, Prince, o Dr. Crandon, Mina, e Houdini jantaram juntos fora de Boston. A médium, sabendo que Houdini estava prestes a denunciá-la desde o Keith’s Theatre em Boston, protestou que ela não queria que filho de doze anos lesse que sua mãe era uma fraude. “Então não seja uma fraude,” Houdini lhe disse. Ela respondeu que se ele apresentasse erroneamente os fatos alguns de seus amigos entrariam em cena e lhe dariam uma boa surra. Houdini insistiu que ele não iria apresentar erroneamente nada (Houdini, p. 21).

O Dr. Comstock tinha inventado um artifício para imobilizar a médium para a última sessão espírita do comitê. Era uma caixa baixa em que Margery e um investigador, sentando-se um na frente do outro, poriam os seus pés. Uma tábua, ligada à caixa, seria trancada em cima dos joelhos, prevenindo a retirada dos pés. Os lados da caixa permaneceram abertos permitindo qualquer possível “estrutura psíquica” operar. As suas mãos foram seguradas pelo investigador e a caixa com o sino foi colocado fora da caixa-controle, tudo estava pronto para a sessão espírita começar. Enquanto esperando para algo acontecer, o Dr. Crandon observou: “Algum dia, Houdini, você verá a luz e se isto for ocorrer esta noite, eu alegremente darei dez mil dólares à caridade”.

“Pode acontecer”, Houdini respondeu, “mas eu duvido”.

“Sim senhor” o Dr. Crandon repetiu, “se você se converter esta noite, eu alegremente darei $10.000 a alguma instituição de caridade” (pp. 21-22).

Foi uma “sessão vazia”, isso é, nada aconteceu. Houdini não se converteu e o Dr. Crandon manteve seus $10.000 (que Houdini interpretou como uma tentativa de suborno). O artifício do Dr. Comstock, obviamente melhor que o usado por Houdini,mostrou que quando a médium era imobilizada e controlada por um investigador (em vez que por seu marido), os fenômenos desapareciam. Como de costume acontece em tais casos: quando os controles são 0% os fenômenos são 100%; quando controles são 100% os fenômenos são 0%. Embora Margery não tenha ganho o prêmio da Scientific American a dúvida sobre sua honestidade pela investigação do comitê não foi suficiente para destruí-la aos olhos do público. Malcolm Bird renunciou à Scientific American depois do anúncio de Houdini num programa de rádio: “Eu publicamente denuncio aqui Malcolm Bird como sendo cúmplice de Margery”! Depois de renunciar, Bird passou seu tempo promovendo Margery.

OPINIÕES DIVERGENTES

Houdini, convencido que tinha incontestavelmente mostrado que Margery era uma fraude, escreveu em um dos seus panfletos:

Eu acuso a Sra. Crandon de praticar suas façanhas diariamente como uma mágica profissional. Também que por causa de seu treinamento como secretária, sua longa experiência como uma musicista profissional, e seu corpo atlético que ela não é simples e ingênua mas uma mulher astuta astuta, cheioade recursos extremos, e tira proveito de cada oportunidade para produzir uma “manifestação” (p. 23).

Carrington, o primeiro defendê-la, acusou Houdini de se interessar só em publicidade e declarou: “A razão que eu não fui a Boston quando ele [Houdini] realizou suas sessões com ‘Margery’ foi que eu soube que ele não confiava em mim e eu soube que qualquer coisa que ele não pudesse explicar ele atribuiria à minha presença lá”(Boston Herald, 26 de janeiro, 1925).

Finalmente, não é surpreendente que um dos defensores mais árduos da médium era Conan Doyle:

[E]ste casal cheio de abnegação entedia com paciência exemplar todos os incômodos que surgiam das incursões destas pessoas irascíveis e injustas, enquanto que mesmo o grosso insulto que era infligido sobre eles por um membro do comitê não os impediu de continuar as sessões. Pessoalmente, penso que eles erraram sobre o lado de virtude, e que desde o momento que Houdini proferiu a palavra “fraude” o comitê devia ter sido compelido ou a deserdá-lo ou a cessar suas visitas (Doyle, 1930).

De acordo com Conan Doyle, os membros únicos honestos e fidedignos do comitê eram Carrington e Bird. Concernente a Bird, Conan Doyle disse que ele tinha um “cérebro melhor que Houdini” porque depois de 50 sessões espíritas “ele estava completamente convencido da genuidade dos fenômenos (p. 18). No passado, Conan Doyle tinha expressado sua opinião em como formar um comitê “imparcial” : “O que eu queria eram cinco bons homens de mente aberta que se agarrassem a isto sem preconceito absolutamente – como a Sociedade  Dialética de Londres, que unanimemente endossou os fenômenos (Progressive Thinker, 18 de abril, 1925). A definição curiosa de Conan Doyle do termo “mente aberta” é ligada com a frase “acredita nos fenômenos e os endossa”. Houdini não tinha uma “mente aberta” como Conan Doyle queria e ele também expressou sua surpresa que um comitê consistindo em cavalheiros pudesse ter permitido um ataque à reputação de uma senhora, e permitido a um homem “com padrões inteiramente diferentes fazer este ataque ultrajante”. O relatório oficial do comitê levou seis meses para ser completado. Os membros de comitê tinham jurado não revelar nada sobre as sessões até a publicação do relatório, enquanto Bird e o Dr. Crandon, não restritos por tal peso, alimentaram os jornalistas com o que Houdini considerou serem “mentiras negras”. Durante a irritação de Houdini, e a curiosidade do público pelo veredito do Comitê, um relatório preliminar foi publicado em outubro na Scientific American. Informava só os pareceres individuais dos membros, mas ao menos os libertava de seu juramento de confidencialidade. Houdini então publicou um panfleto por conta própria intitulado “Houdini Expõe as Fraudes Usadas pela Médium de Boston Margery” e começou uma excursão em que ele completamente expôs o ato de Margery.

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A APARÊNCIA SUSPEITA DO ECTOPLASMA DE MARGERY

Em 1924, enquanto as discussões continuavam, Margery começou a produzir ectoplasma durante suas sessões espíritas. Como outra famosa médium, Eva C., sua substância também foi dita sair de seus orifícios corpóreos. Isto é uma suposição, naturalmente, já que costumeiramente Eva atuava na escuridão.

Entretanto, a fama de Margery tinha se espalhado pela Europa e ela se tornou particularmente bem conhecida na Inglaterra. Conan Doyle, que já tinha encontrado os Crandons, expressou o desejo de participar em novas sessões com a médium, mas a reunião nunca aconteceu e os jornais informaram: “Margery Teme que Nevoeiro Possa Impedir as Sessões em Londres”. A Sociedade Americana para Pesquisa Psíquica também ficou interessada no caso e se a médium não viesse à Sociedade, a Sociedade iria até a médium. Isto aconteceu quando o pesquisador inglês Eric J. Dingwall ficou impressionado durante uma sessão espírita feita na luz vermelha de uma lanterna ligada e desligada pelo Dr. Crandon seguindo as ordens de ‘Walter’ quando coisas que pareciam-se com mãos se materializaram no colo de Margery. Animado, ele escreveu ao pesquisador psíquico von Shrenck-Notzing:

É o mais belo caso de telecinese teleplástica com que estou familiarizado. Pode-se livremente tocar o teleplasma. As mãos materializadas estão unidas por cordões ao corpo da médium; elas agarram os objetos e os movem. As massas teleplásticas são visíveis e tangíveis sobre a mesa, em excelente luz vermelha eu seguro as mãos da médium; vejo dedos e os sinto em boa luz. O controle é irrepreensível (Dingwall, 1928).

O entusiasmo, no entanto, morreu rapidamente e Dingwall começou a ter dúvidas. Compreendeu que ele nunca tinha podido realmente ver o ectoplasma sair do corpo da médium. A fraca luz não era tão boa quanto ele anteriormente de forma entusiástica tinha descrito, e as mãos talvez não tenha sido completamente formadas e eram estáticas antes que portadoras de movimento. Dingwall lembrou-se de que quando lhe foi permitido

segurar a substância materializada, a médium imediatamente começou a se virar em sua cadeira e a massa foi retirada da minha mão. Parecia simplesmente uma sacola elástica e amassada quando foi puxada longe. Tentei segui-la quando caiu no colo da médium, mas ela resistiu arduamente, jogando sua perna esquerda para a mesa e forçando minha mão para longe daquilo com a sua própria. Outra prova crucial tinha fracassado completamente (Dingwall, 1928).

A substância estava claramente inanimada. Em um ponto, enquanto o ectoplasma materializante era iluminado, Margery de fato colocou no chão a mão dela com a mão de Dingwall ainda controlando-o, e jogou a massa sobre a mesa.

Mas do que esta substância era feita? Os quadros tomados por Dingwall mostram um ectoplasma muito duvidoso. A massa tinha a aparência de tecido animal e um exame das ampliações das fotografias exibia certas marcações de anel que Dingwall pensou “fortemente assemelharem-se aos anéis cartilaginosos achados na traquéia mamífera. Esta descoberta levou(o) à teoria que as mãos eram fraudulentamente feitas de algum material de pulmão animal, tecido cortado e unido, e que parte da traquéia tinha sido usada para o mesmo propósito”.

Mais exames dos quadros por biólogos em Harvard levaram à mesma conclusão  – o ectoplasma “indubitavelmente era composto do tecido pulmonar de algum animal” (Tietze, 1973). Além de ir a qualquer açougueiro e obter o material, o Dr. Gandon não teria qualquer dificuldade em obter as substâncias necessárias já que trabalhava no Hospital de Boston. No seu relatório, Dingwall preferiu não tirar qualquer conclusão, mas sugeriu que a médium podia esconder o ectoplasma fraudulento em suas cavidades corpóreas e podia expulsá-lo depois através de contração muscular.

Nesse ínterim, o Comitê da Scientific American por fim emitiu seu veredito oficial em 11 de fevereiro, 1925. “Observamos fenômenos,” o relatório declarou, “cujo método de produção nós não podemos em cada caso alegado ter descoberto. Mas nós não observamos nenhum fenômeno em que pudéssemos afirmar que eles não tivessem sido produzidos por meio normal”. Dificilmente o que Houdini teria gostado, mas em todo o caso, isto ao menos queria dizer que Margery não tinha ganho o prêmio.

A INVESTIGAÇÃO DE HARVARD

Embora impedido de entrar em mais sessões espíritas de Margery, Houdini tinha um amigo jornalista Stewart Griscom infiltrado entre eles para mantê-lo informado dos últimos desenvolvimentos. Isto permitiu o mágico continuamente atualizar seu plano de exposição para o assombro dos seguidores de Margery. Os ataques do Houdini receberam apoio de uma investigação conduzida no final da primavera de 1925 por um grupo de psicólogos da Universidade de Harvard. Os resultados publicados no Atlantic Monthly (novembro 1925), revelou que Margery tinha sido observada executando vários tipo de subterfúgios. Ela tirou uma faixa luminosa colocada no seu tornozelo para denunciar seu movimento e com seu pé livre conseguiu “flutuar” um disco luminoso; o grupo de Harvard também estabeleceu que ela tinha podido usar o seu pé direito para tocar um sino e tocar os assistentes. Finalmente, Margery caiu numa armadilha. Um experimentador sentando-se em um lado ofereceu para libertar a sua mão: ela imediatamente aceitou e usou disto tirar algum ectoplasma falso de seu colo e o colocar na mesa.

MargeryCadeiraMao

SUSPEITAS E MAIS SUSPEITAS

Um investigador após outro permaneceu insatisfeito com as sessões espíritas de Margery e depois de Dingwall e o grupo de Harvard foi a vez de Joseph Benelux Rhine ficar decepcionado. Um professor na Universidade de Duque em Durham, Carolina do Norte, Rhine iria eventualmente, em 1935, desbravar o estudo sistemático da parapsicologia num cenário formal de laboratório. Ele foi convidado pelo sempre entusiasmado Bird à Rua Lime em 1 de julho de 1926, e os Crandons o saudaram com a hospitalidade costumeira. Desde o início Rhine e sua esposa sabiam que teria sido impossível testar os fatos como gostariam. Por exemplo, eles não podiam examinar a substância com as luzes ligadas e Crandon impediu Rhine de examinar os vários instrumentos que encheram o local de sessão espírita que eram supostos documentar e medir este ou aquele fenômeno. Ainda o professor foi capaz de notar que as cordas de um artifício que supostamente era feito para prender a médium tinha sido retiradas, permitindo liberdade completa de movimento. Quando Rhine viu Margery chutando com o pé um megafone durante uma sessão espírita para dar a impressão que estava levitando a fraude era clara.

Se ele tinha podido detectar todas estas coisas em uma sessão espírita, Rhine perguntou, por que Bird com três anos de experiência não teve quaisquer suspeitas? Poderia ele ser cúmplice da médium? Bird negou as acusações dizendo que aquelas eram as “opiniões pessoais” de Rhine mas o professor perguntou-se o que podia ter levado a homens como Bird ou Carrington jogar o jogo da médium, e observou:

É evidentemente de muita grande vantagem a um médium, especialmente se fraudulento, ser pessoalmente atraente; ajuda no “negócio de pegar mosca”. Nosso relatório seria incompleto sem menção do fato que este “negócio” alcançou o ponto de fato beijar e abraçar em nossa sessão, no caso de um dos admiradores mais ardentes da médium. Deste homem podia ser esperado detectar trapaça nela? (Rhine, J. B e RHine, L. E., 1927).

Isto parcialmente podia explicar os motivos de Bird e colegas, mas que tal o Dr. Crandon? Se ele era um cúmplice também ele certamente não podia ser motivado pelo desejo de uma aventura com a médium já que ela já era sua esposa. Rhine ofereceu o seguinte motivo:

(Crandon) gradualmente descobriu que ela o estava enganando, mas já tinha começado a gozar a notoriedade que isto lhe deu, grupos de sociedade admiradora iam a seu lar para ouvir suas palestras e ser entretida, o interesse e fama despertada neste país e Europa, etc. Isto foi especialmente apreciado por ele em vista de perda decidida de posição e prestígio sofrida em anos recentes (Rhine, J. B e Rhine, L. E., 1927).

A publicação de relatório de Rhine no Journal of Abnormal Social Psychology causou os protestos inevitáveis pelos defensores de Margery. Sir Arthur Conan Doyle comprou espaço nos jornais de Boston e inseriu um descortês aviso tarjado em preto declarando simplesmente: “J. B. Rhine é um idiota”.

MALCOM BIRD CONFESSA

O que tinha acontecido a Bird? Depois de 1931 seu nome desapareceu da lista de contribuintes da ASPR. Desapareceu e nada jamais foi ouvido dele. As hipóteses sobre seu destino variaram de ciúme pessoal dentro da Sociedade a sua aceitação a uma tentativa de uma oferta de trabalho. Há muito pouco tempo com a descoberta de alguns documentos inéditos, tem alguns novos fatos concernentes ao relacionamento entre Bird e Margery sido divulgados. Prince, em cujos arquivos os documentos foram achados, sugeriu sobre isto em 1933 num artigo em que ele escreveu para a Scientific American:

Há cerca de dois anos (…) ele (Bird) entregou a seus empregadores um longo artigo alegando a descoberta de um ato de fraude e reconstruir sua visão do caso para admitir um fator de fraude bem desde o início. Este artigo não foi impresso e muito poucos dos crentes na Europa ou América sabem de sua existência (Príncipe, 1933).

Aqui estão alguns trechos desta relatório/confissão por Bird à Board of Trustees da ASPR  (Maio de 1930):

[D]esde maio de 1924 quando eu primeiramente concluí que o caso era um de mediunidade genuína, minhas observações nunca foram dirigidas em qualquer sentido largo em direção à descoberta de fraude, e mesmo menos em direção a sua demonstração. Como fui junto com minhas sessões espíritas, aqui e ali eu fiz, como uma questão de rotina, observações que algum episódio particular fosse normal em sua causação. Todo que o relatório presente aponta fazer é familiarizar à Board com os dados sobre quais é baseada minha própria mente, a declaração que eu fiz sempre que qualquer ocasião surgisse para fazê-lo: que os fenômenos de Margery não são cem por cento supernormais. Não é agora possível eu declarar positivamente se o episódio ocorreu em julho ou em agosto de 1924… A ocasião foi uma de visitas de Houdini a Boston para sessão. … Ela procurou uma entrevista privada comigo e tentou me levar a concordar, em caso os fenômenos não ocorressem, que eu mesmo tocaria a caixa-sino, ou produzisse algo mais que talvez passasse como atividade por ‘Walter’. Esta proposta era claramente o resultado de estado mental forjado de Margery. Não obstante parece a mim de importância superior, em que mostra que ela, plenamente ciente e normal, numa situação onde ela pensou que talvez tivesse de escolher entre fraude e uma sessão espírita vazia; e estava disposta a escolher fraude (Tietze, p. 137).

O PASSO EM FALSO DE MARGERY

Ao redor de 1926 Margery adicionou um novo efeito a seu repertório; talvez um extremo, como veremos. ‘Walter’ alegou que seu corpo etéreo era réplica tão exata daquele que o tinha quando vivo que ele mesmo podia criar uma impressão digital em cera para provar sua presença. Mina fez uma visita ao seu dentista, o Dr. Frederick Caldwell, pedindo uma sugestão para executar a experiência. O médico sugeriu o uso de cera dental que faria uma impressão detalhada. Ele amoleceu um pedaço de cera em água fervente e pressionou seus polegares para mostrar a natureza prática da sua proposta. Mina tomou a amostra de Caldwell e pediu alguns pedaços de cera. Essa noite numa sessão espírita que ela tentou a experiência. Pôs alguma cera numa bacia pequena e depois da sessão espírita que duas impressões foram achadas. Margery alegou serem de ‘Walter’.

O Dr. Crandon insistiu em ter um perito do seu conhecimento para autenticar as impressões. Esta figura obscura, mais provavelmente um confederado, era chamada John Fife. Ele alegou ser Chefe da Polícia em Charlestown Navy Yard e um perito reconhecido em impressões digitais. W. F. Prince, que depois das investigações da Scientific American tinha continuado a colecionar um arquivo de informação privada concernente a investigações pessoais no caso de Margery, descobriu que a Polícia de Boston nunca tinha ouvido falar de Fife. Crandon, no entanto, alegou que o homem tinha achado impressões do polegar sobre o aparelho de barbear de ‘Walter’ que perfeitamente combinava com aquelas deixadas na cera pelo “espírito”.

O êxito desta novidade levou o Dr. Crandon a empregar por conta própria um defensor de Margery, E. E. Dudley, para catalogar cada impressão digital deixada por ‘Walter’ durante as sessões espíritas. Ao redor de 1931 Dudley começou por iniciativa própria a colecionar as impressões digitais de cada pessoa que assistia uma sessão com Margery. Desta maneira ele podia desmentir as reivindicações daqueles que diziam que as impressões não pertenciam a ‘Walter’ mas a um confederado vivo. Dudley estava encerrando suas visitas semanais para colecionar as impressões digitais daqueles que tinham participado em sessões espíritas de 1923 a 1924 quando examinou as impressões do Dr. Caldwell, o dentista de Crandon. Uma vez em casa para comparar as impressões com aquelas de ‘Walter’fez uma descoberta atordoante. Ele cuidadosamente examinou ambas as séries de impressões para estar seguro, mas não havia nenhum erro: as impressões digitais que Margery alegava terem pertencido a ‘Walter’eram idênticas em cada aspecto às do Dr. Caldwell! Dudley não contou menos que 24 correspondências absolutas. Claramente, a médium tinha tomado as amostras de cera em que o Dr. Caldwell tinha pressionado seu polegar para mostrar a Mina o procedimento e feito moldes impressos. Era fácil pressionar os moldes na cera na escuridão e obter a ilusão que uma entidade estrangeira ao círculo de assistentes era a autora.

Dudley informou à ASPR sobre a sua descoberta, mas W. H. Button, então presidente da ASPR, respondeu que ele não estava interessado em publicar a notícia. A imagem da Sociedade estava por então demais ligada com a da médium desde que freqüentemente tinham-na defendido e tinha escondido informação desagradável sobre ela. Prince, que tinha deixado a ASPR por esta razão e tinha fundado a Sociedade de Boston para Pesquisa Psíquica (BSPR), tinha tido o suficiente. Aceitou a revelação de Dudley e um artigo foi publicado no diário de Sociedade (Vol. XVIII, outubro, 1932).

O escândalo que se seguiu teve efeitos desastrosos. Não era nenhum mero caso de alguém alegando ver o meio usando o seu pé para mover uma mesa; desta vez a prova de fraude era incriminadora e definitiva.

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UMA MULHER EM DECLÍNIO

Os defensores de Margery a abandonaram um depois do outro, e a mulher, mais velha e mais gorda, procurou a consolação no álcool. As sessões espíritas, entretanto, continuaram e Crandon tentou de manter vivo o interesse em sua “Psique” recorrendo a qualquer estratagema que ele pudesse pensar.

Em uma destas sessões, por exemplo, Margery tentou repetir a experiência famosa de ligar dois anéis de madeira tentada 50 anos antes pelo Prof. Zollner com o médium Henry Slade. “Êxito”! regozijou o Dr. Crandon: Margery tinha podido ligar dois anéis feitos de madeiras diferentes. Por fim uma prova definitiva, sólida de algo que desafiava a física, matéria através de matéria. Já que não é difícil de acabar a madeira ao longo da separação de tal maneira a deixá-la invisível ao olho, foi alegado que só os raios-x podiam estabelecer a verdade. Os anéis então foram enviados a Senhor Oliver Lodge na Inglaterra para prova independente. Quando Lodge abriu o pacote enviado pelos Crandons, no entanto, ele descobriu que um dos anéis tinha sido feito em pedaços, provavelmente durante a viagem. O que podia ter sido a única prova sólida da existência da realidade do sobrenatural, a “Pedra Rosetta” do espiritualismo, não tinha sequer sido bem empacotada. Que pena!

Em 1939, o Dr. Crandon morreu, e Mina, já por então uma alcoólatra inveterada, entrou num estado de profunda depressão. Em uma de suas últimas sessões espíritas, ela tentou saltar do telhado da casa.

Nos arquivos de Prince na ASPR ainda há uma coleção de documentos e relatórios inéditos, escrito pelos cientistas de Harvard e por vários pesquisadores psíquicos, dos quais emerge uma teoria interessante para explicar as sessões espíritas de Margery (Silverman, pp. 380-381). As sessões espíritas podem ter sido um tipo de charada conjugal com a platéia de Margery não sendo Houdini, nem o grupo da Scientific American, nem os outros investigadores, mas seu marido. Ela ajudou-o a enganar a si próprio sobre suas capacidades psíquicas para poupar a ruína de seu casamento. Eles eram muito diferentes entre si, e Crandon tinha ficado entediado dela logo depois do casamento; no entanto, ele também tinha um temor forte da morte. Ao tentar mantê-lo ao seu lado, Margery acertou na idéia de manifestar espíritos para ele e isto funcionou. Ele agora se sentia como um novo Galileu para o meio milhão de seguidores de Margery, e continuou a exigir novos fenômenos. Veio exigir novas demonstrações da sua esposa com “manifesta brutalidade”. A opinião dos vários peritos era que Margery queria abandonar as sessões espíritas e confessar a fraude, mas não o fez por saber que isto acabaria com seu casamento. O espião de Houdini, Griscom, tinha mesmo revelado ao mágico que uma vez, quando estava sozinho com a médium, ela expôs a ele sua admiração por Houdini por não ser enganado por ela, e por não ter medo “de dizer onde é o seu lugar”. “Respeito Houdini,” disse a Griscom, “mais que qualquer um do grupo. Tem ambos os pés no chão o tempo todo” (Ibid., p. 383).

A história de Margery acaba com um conto que soa folclórico, mas serve devidamente ao caráter misterioso que a médium tinha criado para si. Sentando ao lado da cama de Margery nos últimos dias de sua vida, o pesquisador psíquico Nandon Fodor lhe sugeriu que morreria mais feliz se ditasse uma confissão a ele e revelasse os métodos que usara para produzir seus fenômenos. Mina murmurou algo indiscernível. Fodor pediu-lhe que repetisse.

“Certamente,” disse, “Eu disse que você pode ir para o inferno. Todos vocês ‘pesquisadores psíquicos’ podem ir para o inferno”. Então, algo muito como a velha cintilação familiar de alegria nos seus olhos, ela o olhou e deu risadinhas suavemente: “Por que você não adivinha?” disse, e deu risadinhas outra vez. “Vocês irão todos adivinhar… para o resto de suas vidas”. (Tietze, p. 184-5).

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BIBLIOGRAFIA

Bird, J. M. 1924. Our Next Psychic, Scientific American, July 1924.

Christopher, M. 1969. Houdini: The Untold Story. New York: Thomas Y. Crowell.

Dingwall, E. J. 1928. Report on a Series of Sittings with the Medium Margery. Proceedings of the SPR, vol. XXXVI.

Doyle, A. C. 1930. The Edge of the Unknown. Reprint: 1992, New York: Barnes & Noble.

Gresham, W. L. 1961. Houdini: The Man Who Walked Through Walls. New York: Macfadden Books.

Houdini, H. 1924. Houdini Exposes the Tricks Used by Boston Medium “Margery”. New York: Adams Press Publishers.

Polidoro, M. 1995. Vaggio tra gli spiriti. (VA): Sugarco.

Prince, W. F. 1923. Review of My Psychic Adventure, Journal of the ASPR, vol. XVIII.

—–. 1933. The Case Against Margery, Scientific American, May 1933. Rhine, J. B. and Rhine, L. E. 1927. One Evening’s Observations on the Margery Mediumship. Journal of Abnormal Social Psychology

Silverman, K. 1996. Houdini!!! The Career of Erich Weiss. New York: Harper Collins.

—–. 1996. Notes to Houdini.!!! New York: Kaufman and Greenberg. Tietze, T. R. 1973. Margery. New York: Harper & Row.

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Artigo publicado na Skeptic, 1997, Vol. 5, Issue 3, tradução gentilmente autorizada

Traduzido por Vitor Moura através da Iniciativa Lúmen. Imagem de capa: The Margery’s Box / N.A.N., 2007. Outras imagens: Felix Physical Seance Circle.

11 comentários to “Houdini contra a Bruxa Loira da Rua Lime”

  1. ana disse:

    fascinante. só não entendi direito os truques. muita enrolação pra minha cabeça.

  2. Junior disse:

    Legal o artigo. Mas a tradução podia ser mais caprichada.

  3. Daniel disse:

    Que linda historia de amor… Ter uma esposa empenhada em fazer seu marido feliz dessa maneira é bem raro de se ver…

  4. Franceis 69 disse:

    Isso dava filme… Dos bons.

  5. ROSANELA DE NORONHA disse:

    inteligente ela, corajosa dupla, mas que casal sem vergonha!

  6. Roberto S. Ribeiro disse:

    Há uma série de contradições no artigo. Vê-se que Houdini não agiu de maneira desinteressada. Ele fez do caso um cavalo de batalha primeiro por ter se sentido ofendido em ter sido excluido do caso no início, segundo por querer manter sua fama de “caçador de mitos”, terceiro por não juntar provas do que disse. Na verdade ficaram as palavras dele contra as dos outros, isso não é nada.

    “Caçadores de mitos” são pessoas interessadas na fama, tanto quanto charlatães. Se um caçador de mitos “perder” um caso, ele ficaria desmoralizado diante de seus leitores e perderia dinheiro/prestígio, logo sua palavra também é dúbia. Houdini diz que, no escuro, percebeu isso ou percebeu aquilo, como ter certeza que ele não quis percebeu apenas porque quis?

    Somente uma comissão realmente neutra, sem preocupações editoriais/financeiras seria parte confiável no caso.

    Ceticismo significa procurar provas e se não achá-las, dizer honestamente que o caso está em aberto. Essa atitude não é muito popular, pois a maioria das pessoas quer uma certeza e a ciência não dá certezas. Certeza e verdade pertencem à filosofia, à religião, à crença, não à ciência.

  7. Tiago disse:

    Adoro ler artigos nesse site, vejo muita falácia por aí, aqui eu sinto muito mais silogismo; essa história relata casos apenas com Margery, que me deixaram convicto da presença de fraudes, entretanto faz-se referências, em estudos espiritualistas, de médiuns que realmente são mediadores, mas que por mudança de conduta devido a fama, principalmente, diminuem e até perdem a capacidade de manifestar os eventos “paranormais” (que segundo os estudos espíritas- doutrina evidentemente espiritualista- depende do querer do espírito e não do médium) e por isso acabam por articular espetáculos fraudulentos (os médiuns); o mesmo ocorre com as Irmãs Fox, caso clássico divulgado no espiritismo, bem como outros casos de decadência mediúnica. Contudo pode-se pensar que os mediúns não desmascarados são àqueles que não tiveram um Houdini em suas manifestações; gostaria de ver Houdini vs Chico Xavier, seria interessante.

    Ah! A sabedoria é compromisso da Filosofia e não a verdade ou a certeza;
    a fé e o conforto existencial são compromissos da religião, que particularmente tem muita relevância na ordem social;
    certeza e verdade são responsabilidade da ciência, mais especificamente às ciências exatas, que nem sempre são tão exatas assim.

    Crença cabe a qualquer uma das três, cabe até à arte!

    Sabedoria é saber o que fazer com a verdade. Filósofo é aquele que busca ser sábio,ou seja, não necessariamente um sábio.

  8. Tiago disse:

    Adoro ler artigos nesse site, vejo muita falácia por aí, aqui eu sinto muito mais silogismo; essa história relata casos apenas com Margery, que me deixaram convicto da presença de fraudes, entretanto faz-se referências, em estudos espiritualistas, de médiuns que realmente são mediadores, mas que por mudança de conduta devido a fama, principalmente, diminuem e até perdem a capacidade de manifestar os eventos “paranormais” (que segundo os estudos espíritas- doutrina evidentemente espiritualista- depende do querer do espírito e não do médium) e por isso acabam por articular espetáculos fraudulentos (os médiuns); o mesmo ocorre com as Irmãs Fox, caso clássico divulgado no espiritismo, bem como outros casos de decadência mediúnica. Contudo pode-se pensar que os mediúns não desmascarados são àqueles que não tiveram um Houdini em suas manifestações; gostaria de ver Houdini vs Chico Xavier, seria interessante.

    Ah! A sabedoria é compromisso da Filosofia e não a verdade ou a certeza;
    a fé e o conforto existencial são compromissos da religião, que particularmente tem muita relevância na ordem social;
    certeza e verdade são responsabilidade da ciência, mais especificamente às ciências exatas, que nem sempre são tão exatas assim.

    Crença cabe a qualquer uma das três, cabe até à arte!

    Sabedoria é saber o que fazer com a verdade. Filósofo é aquele que busca ser sábio,ou seja, não necessariamente um sábio.

    Mas concordo com o que o Roberto afirma sobre ceticismo, aliás sou fascinado pelo ceticismo cartesiano presente no Discurso do Método de Descartes, uma leitura recomendável!

  9. Sergio disse:

    Muito legal o artigo.
    Mas sinto um vazio sempre que leio alguma coisa nesse site… Da um vazio…

  10. Kiabbo disse:

    Legal essa matéria!!!
    Pelo texto observa-se bem o artificio usado por ela que até hoje se usa para convenser os outros, mexer com a libido das pessoas!!!!
    Na cidade onde moro é comun pessoas adquirirem favor usando do erotismo!!!!
    Esse casal naquela época ja se aventuravam nesse caminho!!!
    Dai porque levaram essa farça para o tumulo!!!!!!

  11. José Carlos Azeredo disse:

    É interessante notar que as sessões eram realizadas no escuro!
    Por que não se faz às claras?
    Atualmente,creio,câmaras colocadas em posições estratégicas poderiam verificar a ocorrência ou não dos fenômenos paranormais.A análise da frequência da voz alegada ser do irmão dela “(Walter)poderia verificar de quem era proveniente.

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