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OVNI Gigante sobre Dois Continentes

Canetas BIC e extraterrestres

6 de julho de 2009 Comments (1) Views: 854 Ceticismo, Ufologia

Projeto SETI x Ufologia

por Fernando J.M. Walter, original em ‘CETESbr

Há alguns anos, o já falecido Isaac Asimov escreveu um artigo analisando os aspectos científicos veiculados no filme ‘Contactos Imediatos do Terceiro Grau’. Descrevendo, às tantas de seu texto, os eventos ocorridos em sua infância que teriam despertado seu interesse pelo estudo das Ciências, menciona sua constante curiosidade quanto às explicações de vários dos fenômenos existentes na natureza; por exemplo, por que brilham as estrelas, por que o céu é azul, e etc. seus pais, que não possuiam formação científica, quase sempre respondiam: "Porque SIM!". E pronto.

Não pude deixar de recordar-me dessa curiosa passagem, ao observar a retomada, aqui e ali, em publicações ufológicas e em listas de discussão, de um ponto de vista antigo, novamente emitido por alguns ufólogos, de que o Projeto SETI Home seria pura perda de tempo e dinheiro, um enorme engodo, tendo em vista já ser (por eles, pesquisadores) fato sabido, peremptório e claro de que os ET’s estão aqui em nosso planeta. Descrevem inclusive sua missão e seus equipamentos; discorrem detalhadamente sobre os métodos de propulsão de suas naves, sua metodologia de observação. Se tudo estivesse claramente colocado tão somente como opiniões (e bastante lógicas, até reconheço), muito bem. No entanto, não é o que ocorre.

Claro que se já tivéssemos dados de tal nível e detalhamento, praticamente todo volume de informações que circula atualmente, vinculada direta ou indiretamente ao fenômeno OVNI passaria a ser vergonhosamente anacrônico, desnecessário e incorretamente especulativo.

Outro princípio interessante é advogado pelos mesmos ‘insiders’: é totalmente inútil que novos pesquisadores analisem princípios ufológicos "já estabelecidos"(sic); tal atitude seria "andar para trás"(sic) em termos de pesquisa. Não sei se entendi bem tal colocação, posto que de meu ponto de vista não existem princípios já estabelecidos em Ufologia, no sentido de que estes encontrem-se devidamente provados e sejam aceitos de forma geral – exceto o fato de que existe uma enorme quantidade de observações confiáveis envolvendo objetos e fenômenos anômalos ainda sem explicação à luz dos conhecimentos que possuimos, após serem devidamente descartados os vínculos a fatos naturais e/ou conhecidos (satélites, meteoros, relâmpagos, estrelas, planetas, aeronaves convencionais ou não, etc.etc.) e os enganos (de boa ou má-fé). Seria inclusive muito interessante (e ao mesmo tempo totalmente temerário) que esse princípio fosse adotado pelos professores de todo o mundo…imaginemos uma aula de Geometria, na qual o professor apenas mencionasse aos estudantes novatos a existência dos "velhos" e "decrépitos" sistemas cartesianos, levando seus estudantes diretamente aos conceitos do Espaço de Riemann!

Para o sucesso de qualquer trabalho de pesquisa há que se ter um sólido conhecimento dos conceitos básicos a ela necessários. A descoberta de novos conceitos e caminhos absolutamente não tem nada a ver com a queima de etapas envolvendo os citados conhecimentos básicos, e sim com o TALENTO do investigador ou pesquisador. Igualmente, não é boa prática científica o "achismo", gerador do "Porque SIM!" Asimoviano. A intuição é parte igualmente integrante e fundamental de um processo de pesquisa, porém cabe ao pesquisador, utilizando-se de sua base de conhecimentos, demonstrar em termos objetivos o que a intuição a ele indicou. Se partirmos para o ‘método’ Uri Geller do "FUNCIONA!" ou para o "I WANT TO BELIEVE" da excelente série Arquivo X fica muito difícil demonstrar fatos. Não é assim que as coisas acontecem.

Outro ponto interessante e contraditório é igualmente vinculado às afirmações realizadas por vários pesquisadores quanto à origem, propósito, metodologia de ação, etc. dos OVNI’s e seus eventuais ocupantes. Quase sempre (e entra aí o contraditório da questão) os investigadores que acusam governos e várias entidades de sonegar, cercear, centralizar e acobertar informações (o que por uma série de aspectos é procedente) adotam as mesmas políticas quando se trata de liberar as (eventuais) informações que dispõem, permitindo assim a comprovação das afirmativas peremptórias que realizam.

Atitudes como as aqui relatadas possuem a lamentável tendência de desvirtuar o verdadeiro trabalho de pesquisa de indíviduos e/ou grupos incautos. Deve-se evitar o cerceamento, e muitas vezes a censura – velada ou explícita – de opiniões e de idéias, posto que um dos aspectos mais interessantes dos estudos dos fenômenos em questão é justamente a possibilidade de que qualquer pessoa interessada, independentemente de regras, regulamentos, conselhos profissionais e até mesmo escolaridade pode desenvolver seus próprios trabalhos e pesquisas de forma muitas vezes autodidata.

E adentra o projeto SETI Home na discussão. Em todo o material técnico ao qual tive acesso, desse e de outros projetos atuais e passados vinculados ao tema, confesso que jamais encontrei uma única menção que contivesse uma afirmação impositiva de que o método de busca de sinais inteligentes fosse A maneira definitivamente adequada para serem alcançadas as metas propostas. Simplesmente, a varredura de determinadas faixas do espectro eletromagnético foi uma forma lógica (aí envolvidos também fatores técnicos e financeiros) encontrada, após vários debates realizados ao longo de muitos anos por vários cientistas de renome mundial. Essa metodologia pode, é claro, mostrar-se inadequada aos objetivos (afinal, cientistas são seres humanos e também erram) e não apresentar os resultados esperados. De qualquer forma, um aspecto inegável e extremamente positivo – e especificamente aqui menciono o Projeto SETI Home – está sendo o de permitir que milhões de pessoas em todo o mundo efetivamente participem de um experimento brilhantemente concebido, tomando conhecimento de um tema fascinante, sendo educadas e tendo vocações científicas despertadas.

Em resumo: Praticamente tudo ainda deve ser analisado, comprovado e divulgado em termos de estudos ufológicos. É fato mais do que óbvio que coisas intrigantes, desafiadoras e inexplicáveis "estão no ar", mas não vai ser com afirmações sem provas que vamos encontrar o fio (ou os fios…) da meada. Os pífios esforços realizados no sentido de denegrir os projetos SETI existentes, criando uma confrontação artificial dos mesmos com as pesquisas dos OVNIs, somente ratifica a falta de consistência das metodologias – infelizmente – adotadas e defendidas por algumas correntes de ufólogos.

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One Response to Projeto SETI x Ufologia

  1. Cristiano disse:

    Não deveríamos estar levando esse projeto SETI adiante, pelo bem da nossa própria sociedade.

    A quase impossível, mas não improvável possibilidade de encontrarmos um sinal ET significaria o início de uma era armamentista sem precedentes na história da humanidade.

    Nosso primeiro impulso pós-detecção seria o de nos precavermos contra uma não tão improvável [quanto as chances do SETI de encontrar um sinal ET] ameaça vinda de outros mundos.

    Boatos sobre “ETs aqui” [óvnis] cresceriam em número e credibilidade.

    Como conseqüência, várias companhias de aviação desapareceriam [quem iria querer voar por aí e ser interceptado por um disco voador? – pensariam muitos ignorantes – e os ignorantes são muitos].

    E isso levaria ainda a um desmoronamento da bolsa de valores, com conseqüências bem conhecidas.

    Mas o principal argumento está na lógica “antes de gritar na selva, ouvir”: Eles [os ETs] também devem pensar assim. Dessa forma, estaríamos procurando por ETs “burros” [e já foi dito que uma mensagem muito provavelmente viria de civilizações mais avançadas que nós…].

    Em vez de se gastar dinheiro e esforço com o SETI, buscando ETs super-avançados, que não precisam de nós para nada, a humanidade deveria estar buscando um contato com uma civilização alienígena que vive a milhares de anos no nosso próprio planeta, chamada de “miseráveis”.

    Teríamos, garanto, muito mais a aprender com esses “ETs da sociedade”.

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