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“Onde estão todos?” Um relato sobre a Questão de...

Fractais: Uma nova visão da natureza

8 de agosto de 2009 Comments (3) Views: 1382 Ciência, Destaques, Ufologia

O Paradoxo de Fermi: Uma Grande Gafe

Dr. Robert A. Freitas Jr.*
rascunho original do artigo publicado em
Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine 8 (setembro de 1984):30-44
© 1984 Robert A. Freitas Jr
Traduzido com sua gentil permissão

Você já viu um lemingue? Eu devo admitir que não, pelo menos não ao vivo. Ouvi dizer que vivem nas highlands escandinavas e na tundra norte-americana.

O único problema é que – Acabei de descobrir que eles não podem existir!

Como?

Pense: Os lemingues se multiplicam rapidamente, aproximadamente três ninhadas ao ano, com até oito filhotes por ninhada. Enquanto não tão espetacular quanto um Tribble, em apenas três anos um único casal poderia produzir 134 milhões de novas bocas para alimentar. Em apenas 6,3 anos (18 gerações), o mesmo casal poderia dar origem a 100.000.000.000.000.000 de descendentes — ocupando completamente a superfície do planeta Terra. A essas alturas a massa total lemingue seria de 20 trilhões de toneladas – a mesma que toda biosfera terrestre. Obviamente, algo tem que ceder, muito antes.

Algo acaba cedendo.

A cada três ou quatro anos, quase toda a população lemingue comete suicídio dirigindo-se para o mar mais próximo e afogando-se, em um terrível Jonestown roedor. Eu sei, parece louco. Por que qualquer criatura sã faria isso? Não consigo entender. Mas diz assim, bem aqui…

Os lemingues também são animais incrivelmente corajosos — agitados, ativos, inquietos, tudo que um desbravador vigoroso poderia admirar. Por exemplo, quando um lemingue descansando é subitamente perturbado, em vez de fugir ele se senta, recua de encontro a uma rocha, silvando e mostrando luta de maneira determinada. Os pequenos garotos não aceitam um não como resposta, e eles são ótimos viajantes – durante cada êxodo eles vagam por muitas centenas de quilômetros, e foram avistados em bancos árticos de gelo a mais de 30 milhas do continente.

Uma pena que não possam existir! Aqui está meu raciocínio:

  1. Se os lemingues existirem, então deveriam estar ao redor de todos nós. Apenas veja o quão rapidamente eles se produzem, quão frequentemente e distante eles viajam, seu acesso a todos os grandes continentes, como seu espírito é indomável.

  2. Se eles estão ao redor de todos nós, então deveríamos poder observá-los. Você se lembra, ocupação completa da superfície do planeta em 6,3 anos?

  3. Fato: Eu nunca vi nenhum lemingue. Provavelmente você também não. (Por que meu jardim não está repleto de sujeira de lemingues?)

  4. Já que não os observamos, eles não estão aqui.

  5. Já que eles não estão aqui, eles não existem. Mas nós lemos sobre eles em livros de zoologia! Eu chamo isto o Paradoxo Lemingue.

Qual o problema… você não gosta da minha lógica?

Tudo bem, vamos tentar com pombas migratórias. Pássaros podem se reproduzir consideravelmente rápido, e podem voar pelo mundo inteiro. Aqui está meu raciocínio outra vez: (1) Se as pombas migratórias existem, elas deveriam estar aqui. (2) Se estão aqui, deveríamos vê-las. (3) Não as vemos. (4) Logo elas não estão aqui. (5) Logo elas não existem. Bem, nós podemos acreditar nisso – a última pomba migratória conhecida morreu em 1914 no jardim zoológico de Cincinnati, e acredita-se hoje que estejam extintas. Mas esta conclusão deveria incomodá-lo apenas um pouco, já que pombas migratórias estavam por aí por anos e anos até que a humanidade acabou com todas.

Agora vamos tentar com colonos extraterrestres interestelares: (1) Se os aliens existirem, Eles deveriam estar por aqui. (2) Se Eles estiverem aqui, então nós deveríamos poder observá-los. (3) Nós não os observamos. (4) Portanto eles não estão aqui. (5) Portanto eles não existem. Já não ouvimos tudo isto em algum lugar antes?

Pensando nisso, talvez eu tenha visto um ou dois lemingues. São os camaradas que gostam de expor a linha de raciocínio acima, conhecida como o “Paradoxo de Fermi.” Ultimamente está ficando na moda aderir à idéia. Mas, como a marcha incansável dos lemingues para morrer ao mar, pode ser também o equivalente a um suicídio intelectual, porque os Paradoxais cometerem um erro muito fundamental.

O erro é que o “deveria” nos passos (1) e (2) não é de forma alguma um operador lógico. “Deveria” é somente um julgamento subjetivo, afetado por suposições, preconceitos, ignorância, agendas ocultas e chauvinismos. “Deveria” não é “deve.” “Deveria” é apenas talvez. Conseqüentemente, a seta de implicação lógica não pode ser invertida de forma válida, dado o fato da evidência nula.

Assim podemos realmente concluir, após ter ouvido os promotores do Paradoxo de Fermi, que os extraterrestres, assim como os lemingues, não podem existir? Ou que extraterrestres, como pombos migratórios, nunca podem ter existido? Obviamente não.

Cientistas podem prontamente explicar porque meu jardim não está infestado de lemingues, ainda que estes roedores existam neste continente e poderiam teoricamente chegar aqui em grande quantidade rapidamente. E se alguns estivessem por perto, mas eu não tenha procurado com afinco por eles, ou não soubesse exatamente como se parecem, eu poderia acabar sem nunca encontrá-los. Noções similares podem explicar porque os extraterrestres podem não estar aqui, ou possam não ser observados, ainda que estejam por perto.

Vamos pensar nisto um pouco mais. Por que os extraterrestres podem não estar aqui, ainda que existam em algum outro lugar da Galáxia? Talvez haja bilhões de bilhões de planetas repletos de vida zoológica fascinante, mas não-tecnológica. Nós nunca saberíamos a menos que fôssemos lá em pessoa para conferir.

Por que nós migramos, colonizamos e nos estabelecemos? Principalmente, para procurar novas oportunidades de enriquecer, de escapar de governos ou perseguições tirânicas, para escapar de pressões populacionais, e assim por diante.

Bem, para enriquecer você precisa de materiais, energia e fábricas. Avanços em robótica logo tornarão possível fábricas totalmente automatizadas, sem intervenção humana — que sejam capazes de replicar mais fábricas ad infinitum — até mesmo aqui na Terra. Se mais materiais e energia forem necessários, há uma abundância de sistemas estelares inabitáveis que podem ser pilhados. Por que explorar sistemas solares com vida, como o nosso, que são inerentemente mais perigosos, levantam questões éticas delicadas, e não podem ajudar nos lucros? É mais provável que mantenham distância de nós.


(Fonte: Space Colony Art from the 1970s)

Um dos pontos de venda mais fortes de Gerry O’Neill para colônias espaciais é a tremenda diversidade política e social que podem promover. Uma proliferação infinita de colônias ou arcas espaciais com interesses especiais é possível. Fugir de um tirano está tão perto quanto a porta de saída. Os moradores de arcas interestelares do estilo de O’Neill provavelmente também evitarão sistemas habitados como o nosso pelas mesmas razões que aqueles buscando riqueza, e também porque estarão bem adaptados físi
ca e psicologicamente à vida no espaço profundo. Podem sentir pontadas de astro-claustrofobia ao avançar muito em um sistema solar, e podem ficar apreensivos ao lidar com “apegados ao chão” com horizontes limitados presos em planetas.

Quanto à superpopulação, há muitas maneiras de lidar com ela que são muito mais baratas e fáceis do que mandar pessoas para as estrelas. Como pílulas anticoncepcionais, por exemplo. Ou execução. Ou colônias espaciais, também – se a massa de Júpiter for remontada em esferas de 10 quilômetros de tamanho com 10 metros de espessura, a área de superfície interior total é de aproximadamente um bilhão de Terras. A Diaspar de Arthur Clarke em The City and the Stars apresenta a idéia de acordo com o impulso moderno de reciclar tudo, e há incontáveis outras soluções.

Além disso, genes são instruções de sobrevivência específicas a um ambiente, de forma que a transmissão de informação genética pura parece não ter sentido a menos que o planeta alvo seja terraformado como um prelúdio à colonização. É improvável que isso seja feito em nosso sistema, que já é habitado, pelas razões notadas anteriormente. Arcas estelares, naves de várias gerações, e bio-regeneração automatizada apenas criam novos concorrentes independentes para exatamente os mesmos recursos galácticos limitados. Onde está o lucro para os criadores?

Como os bebês de proveta do Admirável Mundo Novo de Huxley, haverá pouca ligação com os pais, ou sentido de comunidade em sociedades clonadas cuja interação cultural tenha círculos fechados de informação estendendo-se por 100.000 anos. Isto é comparável à escala de tempo da especiação. Quando o germe humano tiver finalmente inundado a galáxia, nossos descendentes distantes poderão ter evoluído para guaxinins inteligentes. Ou a engenharia biológica pode permitir que viajantes mudem de genes como calças jeans para servir ao ambiente local em cada um de muitos planetas. Eventualmente a “forma raiz”– homem — pode ser esquecida.

Mas seguramente de todas as milhões de raças alienígenas evoluindo na Galáxia, pelo menos uma se tornará, como o físico Freeman Dyson chamou, “um câncer de exploração tecnológica sem sentido.” Tudo que é necessário é uma única civilização ávida em algum lugar, qualquer lugar, em qualquer hora e ops! — a galáxia inteira (incluindo nós) é colonizada em um piscar de olhos cósmico. Nós não vemos isto, portanto não há nenhum extraterrestre. Este ponto é frequentemente levantado como o coup-de-grace pelos defensores do Paradoxo de Fermi. Assim fique comigo enquanto exponho com cuidado o não-problema que este argumento realmente é.

Antes de mais nada, eu poderia simplesmente tomar o caminho mais fácil e afirmar que nós não sabemos se fomos colonizados ou não. Os arqueólogos e paleontologistas peneiraram somente uma fração minúscula da crosta terrestre em busca de indícios de nosso passado. Muito foi destruído pelo tempo. Muito permanece não-descoberto. Nossas possibilidades de ter detectado uma intervenção extraterrestre há milhões de anos (ou mais), mesmo agora, são nulas.

Mas em vez de pular fora, vamos tomar os dados nulos de hoje literalmente. Vamos apenas supor que não há realmente nenhuma evidência de uma onda maciça de colonização extraterrestre varrendo nosso sistema solar agora ou a qualquer momento no passado. O que isto nos diz?

Infelizmente, não muito. A ciência, como Sherlock Holmes, trabalha excluindo várias possibilidades, uma por uma, até que o que sobre não possa ser descartado por qualquer teste conhecido e assim se presume que seja verdadeiro. E nossos dados nulos? Tudo que podemos dizer ao certo é que civilizações gananciosas em grande escala podem ser excluídas. Nós não as vemos, e sua ganância significa que devem ser visíveis, assim elas não existem por ora. Mas isto deixa ainda (eu estou supondo) 99% de todos os tipos possíveis de civilização que não são gananciosas por natureza e não podem ainda ser excluídas pela escassa evidência observacional.

Aparentemente civilizações galácticas que fazem uso extenso e abusivo de tecnologia altamente avançada e visível são raras ou inexistentes. Por que as coisas são assim? A extinção como um fenômeno natural é completamente comum na terra, onde a vida biológica tem uma taxa de extinção de espécies de 99,9 por cento. Talvez não possa existir nenhuma “maçã podre interestelar,” porque elas se auto-destróem antes de danificar qualquer outra, ou porque nunca sobreviveram o suficiente para terminar seu programa de galacticoformação e deixar quaisquer grandes efeitos observáveis. De fato, pessimistas sociais podem argumentar que a voracidade quase instintiva dos seres humanos pela violência, acoplada com nossa capacidade tecnológica para a auto-destruição, pode eventualmente conduzir à aniquilação de nossa civilização planetária.

Assim eu não tenho nenhum problema em aceitar um mecanismo seletivo ainda não especificado que resulte na “censura cósmica” daquelas poucas civilizações galácticas que exploram ao máximo tecnologias gananciosas gritantemente óbvias. E você?

A propósito, estou falando de civilizações realmente enormes. De culturas extraterrestres planetárias ou espalhadas por um sistema solar. De civilizações galácticas pequenas que estão apenas começando não podemos saber quase nada. Podemos somente ver ao longo do plano galáctico alguns kiloparsecs porque o gás e poeira interestelar obstróem a vista. Mesmo os radiotelescópios mais precisos (aqueles que podem penetrar a neblina) não podem resolver uma esfera de Dyson com o tamanho da órbita da Terra além de uma escala de alguns kiloparsecs. E nenhuma busca pelo céu foi feita a esta definição extrema até agora, em todo o caso.

Atividades de alta tecnologia por extraterrestres podem não ser imediatamente óbvias a distâncias interestelares. Certamente uma fração significativa da Galáxia poderia ser colonizada por naves de várias gerações sem que pudéssemos observá-las. Fábricas circumsolares gigantes poderiam estar ocupadas funcionando perto de qualquer estrela exceto as mais próximas, e nós não veríamos nada daqui.

Dyson afirma que a galáxia é ainda selvagem, em parte porque os movimentos estelares são aleatórios. Mas que benefício poderia ser obtido regularizando os movimentos estelares? Além disso, o fato de que as estrelas ainda estão queimando sugere natureza a Dyson – qualquer civilização realmente avançada as desligaria e queimaria o precioso combustível de hidrogênio mais eficientemente, ele diz. E eu concordo.


(Fonte: The Official M.C. Escher Website)

Bem, como sabemos que isto não está acontecendo? Os astrônomos descobriram que a menos que a galáxia seja aproximadamente dez vezes mais pesada do que parece ser, não há gravidade suficiente para mantê-la unida. Se ela permanece unida, então onde a “massa faltando” invisível está escondida, talvez 90% do total? Poderia ser material estelar represado, armazenado em depósitos gigantes perto de esferas de Dyson cercando os restos da grande maioria das estrelas na Via Láctea? No momento, não temos nenhuma maneira de saber.

Naturalmente, há outras razões pelas quais os extraterrestres, embora próximos, poderiam não ser observáveis por nós ou poderiam não ter nos contatado. Talvez não queiram que os encontremos, ou estão esperando que passemos em um teste cósmico de entrada, ou estão nos mantendo isolados em quarentena ou em uma reserva galáctica selvagem ou um jardim zoológico interestelar. Já que a tecnologia superior é deles, devemos supor que terão sucesso em se esconder de nós se esse for
seu desejo.

Não há realmente nenhuma razão porque Eles não deveriam se manter em silêncio. É antropocêntrico supor, por exemplo, que uma nave espacial alienígena entrando no Sistema Solar em uma missão de reconhecimento ou de auto-replicação sentirá a obrigação de anunciar sua presença a nós ou solicitar nossa permissão para prosseguir. Sondas provavelmente irão simplesmente nos ignorar e continuar com seus negócios. É inteiramente concebível que alguns extraterrestres não se importem particularmente se nós os encontramos ou não, ou podem estar interessados em se comunicar conosco, mas esperam que nós falemos primeiro.

Ou, se a vida não for especialmente rara no universo, então ao invés de nos tratar como uma espécie em perigo, os extraterrestres podem adotar uma abordagem muito mais casual. Podem ter uma confiança tremenda em sua habilidade de controlar eventos de primeiro contato, baseados em inúmeros contatos anteriores bem-sucedidos. Neste caso, a humanidade pode esperar nem uma gerência ultraconservadora de animais em extinção nem o abuso astrofágico. A resposta mais provável seria a observação cuidadosa e discreta, sem nenhum esforço especial de esconder a presença extraterrestre. Locais base seriam escolhidos por razões de eficiência, manutenção e risco ambiental baixo. E se nós viermos bater em sua porta, eles responderão.

Os promotores do Paradoxo estão agora verdadeiramente contra a parede. Os únicos extraterrestres que podem positivamente excluir são civilizações galácticas gananciosas. Mesmo aquelas sociedades vigorosas que acabam colonizando ou explorando podem não vir aqui, e, com o equipamento astronômico atual, nós não poderíamos ver muita desta atividade de qualquer maneira. Civilizações menos avançadas e mundos não-tecnológicos são inteiramente invisíveis, a menos que resultem ser nossos vizinhos próximos.

Bem, apenas para ser bonzinho, e pela discussão, eu amarrarei meus dois braços firmemente em minhas costas e irei supor que “deveria” equivale a “deva” no argumento do Paradoxo de Fermi – mesmo que saibamos agora que isto não é verdadeiro. Assim, se os extraterrestres existirem, eles devem estar aqui e nós devemos poder observá-los, desde que procuremos.

Bem, Freitas, agora você deixou mesmo, agora…. Uuuuffff!

Esqueceu-se de que eu posso chutar, não?

Não se esqueça do terceiro passo do Paradoxo de Fermi (3): Fato – nós não os observamos no Sistema Solar. Disto a lógica do “deve” nos leva inexoravelmente de volta à conclusão de que estamos sozinhos. Assim – há um tal “fato”?

Virtualmente todas as discussões sobre o Paradoxo de Fermi assumem alegremente que a ausência de extraterrestres ou de suas obras na Terra ou no Sistema Solar é um dado inquestionado. Não é verdade! De fato, a vastidão de nossa ignorância nesta área é raramente apreciada. Para mim, é este fato que em grande parte anula toda a força persuasiva que o Paradoxo de Fermi possa uma vez ter tido.

Não, eu não sou um ufólatra enrustido. Eu não estou falando sobre OVNIs. Em verdade, está perfeitamente bem para mim se nós ignorarmos a superfície da Terra, a atmosfera da Terra, e os OVNIs por completo no restante desta discussão. Parece justo?

Estou falando sobre uma sonda interestelar que os extraterrestres possam ter enviado aqui para reconhecer nosso sistema estelar e suas proximidades. Não é implausível. A Pioneer 10 não acabou de deixar o Sistema Solar? Meu dispositivo alienígena seria algo como nossas próprias sondas interestelares, as naves Pioneer e Voyager, mas um tanto mais sofisticadas.

Uma sonda extraterrestre típica pode ter de 1 a 10 metros de tamanho — isto é grande o bastante para abrigar uma antena de microondas para relatar de volta aos criadores, onde quer que estejam, e para sobreviver a impactos de micrometeoritos por milhões de anos, mas ainda leve o bastante para cruzar o abismo interestelar sem consumir quantidades gigantescas de energia.

Tudo bem, então. Onde ela poderia estar?

Bem, quase… em qualquer lugar, do Sol até a órbita de Plutão. Esse é o lugar onde os artefatos alienígenas podem estar se escondendo. Aproximadamente 260.000 UA cúbicas (unidades astronômicas, a distância média da Sol-Terra) de espaço interplanetário em sua maior parte vazio, mais 100 bilhão de quilômetros quadrados de terrenos planetários e asteroidais. Para poder dizer ao certo que não há nenhuma presença extraterrestre no sistema solar, você terá que varrer com cuidado a maior parte deste espaço em busca de artefatos.

Alguém já fez isso?

Vamos revisar os fatos. A habilidade de um telescópio de detectar objetos é medida por seu limite de magnitude visual. A olho nu, uma pessoa pode ver até a sexta magnitude. O céu é examinado exaustiva e repetidamente por amadores a, no melhor dos casos, uma magnitude +14. A varredura celeste de Palomar Schmidt se estende a +21, mas esses quadros são apenas instantâneos de remendos do céu e não contam como uma busca. O melhor telescópio na Terra alcança somente a magnitude de +24.

Os três últimos limites de magnitude correspondem mais ou menos a observar um objeto imóvel de 10 metros, brilhante como um espelho, orientado da forma mais conveniente orbitando a 0.01, 0.25, e 1 unidade astronômica, respectivamente. Um objeto que seja menor, em movimento, preto ou deslocado a um ângulo diferente da reflexão seria muito mais difícil de ver.

Assim nós só podemos varrer a unidade astronômica cúbica mais próxima do espaço em busca de sonda, mas nós temos 260.000 UA cúbicas para procurar. Mesmo se o monte Palomar fosse empregado exclusivamente para procurar por artefatos alienígenas (não prenda sua respiração!) poderia somente buscar por um milionésimo do volume necessário e levaria milhares dos anos. O espaço orbital, em outras palavras, está pelo menos 99.9999 por cento inexplorado para objetos medindo de 1 a 10 metros.

E quanto a sondas estacionadas sobre superfícies planetárias? Dos 0.1 trilhões de quilômetros quadrados do território do Sistema Solar, excluindo a Terra, menos de 50 milhões foram examinados à definição de 1-10 metros. Assim 99.95 por cento é ainda território virgem no que se refere a uma busca séria por artefatos extraterrestres.

A superfície da maioria dos corpos no sistema solar foi mapeada somente, se o foi, a uma definição de 10 quilômetros ou acima. Os astrônomos têm mesmo dificuldade em ver asteróides de um quilômetro voando por aí a menos que passem consideravelmente perto da Terra. Assim, quem pode dizer se não há artefatos extraterrestres de 1-100 metros vagando em algum lugar próximo, discretamente executando sua missão?

Você vê? Tudo que sabemos ao certo é quão ignorantes nós somos.

Se objetos estiverem enterrados ou flutuando na atmosfera joviana, não há qualquer possibilidade de que já os tivéssemos encontrado. Mesmo habitats extraterrestres artificiais de 1-10 quilômetros habitando o Cinturão de Asteróides não poderiam ser distinguidos de asteróides por observadores terrestres, e a própria população do Cinturão é escassamente catalogada. Assim é extremamente improvável que nós já tivéssemos notado um artefato extraterrestre em qualquer lugar no Sistema Solar, a menos que ele estivesse tentando desesperadamente chamar nossa atenção. E por que deveria se incomodar em fazer isto?

Detectar um sistema automatizado auto-replicador é apenas marginalmente mais fácil. Os locais prováveis são o Cinturão de Asteróides e as luas exteriores Jovianas e Saturnianas. Estudos técnicos recentes sugerem que sistemas replicadores individuais podem ter 100 metros de diâmetro, ou menos, assim um sistema de fábrica para produzir sondas não deve exceder 0,1-1 quilômetro em tamanho, outra vez bem além de nossa habilidade de enxergá-lo exceto na Lua e partes
de Marte. A ignição dos foguetes de fusão para propelir sondas filhas para além do sistema solar poderia ser detectada usando equipamento amador, mas a janela de observação é muito pequena e a duração muito curta. Sondas auto-replicadoras devem ser capazes de replicar uma geração inteira em 1000 anos ou menos, e seguir rapidamente em seu caminho, assim somente poços de mineração e pequenos destroços podem sobrar nesta data adiantada. Outra vez, provavelmente não seriam observáveis.


(Fonte: Adrian Mann, Starship Daedalus)

A massa total das sondas necessárias para explorar mesmo toda a galáxia é incrivelmente pequena. Eu fiz um estudo técnico há alguns anos que mostra que uma sonda auto-reprodutora, modelada na espaçonave Daedalus (projetada pela Sociedade Interplanetária Britânica alguns anos antes), mas capaz de entrar em órbita em seu destino, poderia ter uma massa completamente abastecida de aproximadamente 10 bilhões de quilogramas. Se tal dispositivo fizer 10 réplicas e a reprodução continuar por 11 gerações, isso seria bastante para “grampear” cada estrela na Galáxia. Isto consumiria a massa de Ceres, o maior asteróide.

Assim, mesmo que nosso sistema solar fosse o berçário de todas as 100 bilhões de sondas, como nós saberíamos se um asteróide do tamanho de Ceres tivesse sido consumido algum dia, lá fora no Cinturão de Asteróides?

E vamos levar este argumento um passo adiante. Suponha que um milhão de civilizações extraterrestre pilhem, cada uma, o sistema solar em busca dos materiais para construir e lançar seus próprios milhões de sondas espaciais, cada rede de sondas cobrindo cada estrela na Galáxia. A exigência de recursos total é ainda somente a massa de Júpiter. Eu duvido que poderíamos dizer ao certo se mesmo este tanto de matéria tivesse sido roubada em algum momento de nossa pré-história remota. (Seria o Cinturão de Asteróides apenas os restos de alguma operação industrial alienígena gigantesca no passado?)

Mais provavelmente, os exploradores de estrelas não serão tão gananciosos e podem desejar que nós forneçamos não mais que uma nova geração de replicadores. Isto é somente 100 bilhões de quilogramas, o bastante para encher uma cratera um quilômetro de tamanho a 40 metros de profundidade, ou para fazer um asteróide de 400 metros de tamanho. Provavelmente nós nunca notaríamos nada faltando.

Ainda mais provavelmente, os aliens programariam seus autômatos para construir fábricas de auto-replicação de sondas somente em sistemas estelares inabitáveis, e para enviar apenas sondas exploratórias não-reprodutoras para dar uma olhada por aqui. Por que preocupar os nativos? Nenhuma massa local faltaria neste caso, e não haveria nenhum resto indicador em superfície.

Então! O Paradoxo de Fermi é apenas um tigre sem presas. É todo barulho e nenhuma mordida. Os promotores do Paradoxo pode seguir com seu universo estéril. Há extraterrestres por aí fora, sim senhor, e eu sou um dos que vai procurar por eles. Nem de longe procuramos com o esforço ou tempo suficiente para encontrar qualquer um deles. Mas iremos.

E talvez mais cedo do que você pensa.

– – –

* O autor realizou três buscas SETI, duas delas as primeiras a procurar por sondas interestelares na órbita da terra, e a terceira uma busca padrão através do rádio, mas em uma freqüência incomum:

Veja também, do mesmo autor:

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3 Responses to O Paradoxo de Fermi: Uma Grande Gafe

  1. […] civilizações a existir”, admite o editor e responsável por CeticismoAberto, Kentaro Mori. Em outro artigo surpreendente publicado com destaque no conhecido veículo cético, o doutor Robert A. Freitas Jr, renomado […]

  2. NOX disse:

    Se fosse assim os ratos ja teriam dominado a superficie da terra nao? eu acho q vc esqueceu q boa parte das ninhadas nao sobrevive ate a fase adulta. talvez nem um, predadores e o q nao falta!

  3. NOX disse:

    Animais nao sao como humanos, cada especie tem seu habitat essa teoria so vale para a especie q esta no topo da cadeia alimentar.

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