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Jordânia 400ºC: Explicações a fogos misteriosos que não cheiram...

Eram os Deuses Astronautas?

12 de outubro de 2009 Comments (52) Views: 7752 Ceticismo

A morte de Gloria Sam: Homeopatia, arrogância e… cientificismo?

Esta é uma história tenebrosa com detalhes extremamente desagradáveis sobre a morte de um bebê. Caso pense que possa ser afetado em demasia por uma discussão desta natureza, por favor, interrompa sua leitura aqui.

Em 8 de maio de 2002, aos nove meses de idade e em agudo sofrimento, a bebê Gloria Mary Thomas faleceu devido a complicações de uma doença infantil comum e facilmente tratável, o eczema. No momento de sua morte por septicemia e desnutrição, ela pesava apenas dois quilos a mais do que quando nasceu, e seu cabelo, que era preto, havia se tornado branco, “como lã pura”. Sua pele estava inchada, vermelha e coberta de feridas. De fato, médicos observaram uma erupção em seu torso, ventre e axilas de forma que a camada superior de sua pele havia se desprendido completamente. Não havia mais pele em tais áreas. Seu olho estava turvo, e a córnea do olho esquerdo havia se derretido desfeito. A infecção ocular, que deve ter sido “particularmente dolorosa”, foi o golpe final que levou à sua morte. Estes são alguns dos terríveis e trágicos fatos.

Ao contexto. Gloria era a primeira filha de Thomas e Manju Sam, casal de origem indiana radicado na Austrália. Não eram pobres, tampouco ignorantes. De fato, a mãe, Manju, é bacharel em física pela Universidade de Kerala na Índia, com pós-graduação em Aplicações Informáticas pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da mesma cidade. O pai, Thomas, concluiu seu bacharelado em Medicina Homeopática e Cirurgia pela Universidade Mangalore na Índia, somado a um bacharelado em Ciência pela Universidade de Kerala e mestrado em Ciência Pública pela Universidade Ocidental de Sydney, Austrália.

Este é o contexto crucial aqui: Thomas Sam, pai de Gloria, era um homeopata praticante. Como tal, consistentemente ignorou recomendações médicas, e do início ao fim administrou tratamentos homeopáticos que foram completamente ineficazes. A negligência obstinada dos pais levou à desnecessária e dolorosa morte da filha.

À condenação. No último 29 de setembro, o casal foi condenado por homicídio culposo, com uma pena combinada superior a dez anos de prisão.

O caso seria, como é, motivo para questionar a prática e aceitação da homeopatia. Em inglês, Phil Plait, o Bad Astronomer presidente da Fundação Educacional James Randi notou como “a homeopatia é a crença anticientífica de que um remédio infinitamente diluído em água pode curar várias doenças. É talvez a mais ridícula das medicinas ‘alternativas’, já que claramente não pode funcionar, não funciona e foi testada repetidamente com resultados negativos” (links do original, em inglês).

Em português, Leandro R. Tessler do Cultura Científica também ponderou como “os verdadeiros culpados por esse caso são os que validam uma prática baseada em princípios não-científicos como especialidade médica e afirmam para a população que estão curando”.

Surpreendentemente contudo, o colunista da Folha Contardo Calligaris viu neste episódio oportunidade para criticar o “racionalismo”, enquanto meu colega no ScienceBlogs Brasil, Karl do excelente Ecce Medicus, afirmou ser “não só impossível, como anti-ético, julgar os atos de outrem tendo como base única e exclusiva o método científico e os fatos por ele gerados”. Seguindo-se a um debate, Karl, citando em sua argumentação a “Introdução a uma Ciência Pós-Moderna”, conclui que “Dawkins e seus partidários pregam no vazio”.

Fiquei perplexo com tais manifestações neste contexto. A morte tenebrosa de um bebê tratado por seu pai homeopata tornando-se pretexto para reflexões críticas sobre a veemência com que se condena a homeopatia? Haveria aqui apenas um caso de arrogância extrema de um sujeito que, por acaso, era homeopata? Estariam os “racionalistas” manifestando essencialmente a mesma arrogância repleta de certezas que Thomas Sam?

Seria, afinal, tudo relativo? Só posso manifestar minha própria opinião, como leigo em medicina e direito (e filosofia, e tanto mais…), e um aventureiro arriscando-se como ativista cético – que todavia, não é tão partidário assim de Dawkins, que me soa muito melhor como divulgador de ciência do que como cavaleiro do ateísmo. Assim, aos que tiverem paciência de ler minhas considerações, estão a seguir, e agradeceria imensamente suas correções e comentários ao que pretende ser uma adição à discussão sobre o triste episódio.


Detalhes

Acredito que boa parte dos que se manifestaram sobre o tema não conheçam todos os detalhes do caso de Gloria Sam. Pelo menos, eu não conhecia. Só havia lido as notas publicadas em vários jornais do Brasil e exterior, como esta nota da BBC reproduzida no Estado de SP. Bem, aqueles interessados nos detalhes podem conferir atas do julgamento na Suprema Corte de New South Wales, e em particular, a sentença final, que contém um sumário de todos os elementos mais relevantes. Após lê-la, penso que muitas informações importantes para refletir sobre o episódio são respondidas.

Gloria foi diagnosticada com eczema com menos de três meses. Sua mãe também havia sofrido com o problema, comumente hereditário. Um mês depois o eczema havia piorado e a enfermeira recomendou que os pais consultassem um dermatologista. Conselho ignorado: Thomas Sam ao invés ligou para seu tio, também homeopata, praticante nos EUA. Seu tio sugeriu várias preparações homeopáticas, que Thomas aplicou então em sua filha.

Três meses depois, o eczema persistia, e finalmente consultaram um médico, o Dr. Vipin Goyal, que também pratica homeopatia. Goyal recomendou um dermatologista. Conselho ignorado.

No mês seguinte, os pais levaram Gloria novamente a um centro médico, onde se constatou que seu peso não só não havia aumentado, como diminuído 200 gramas em três meses. A enfermeira disse aos pais como a energia da criança estava sendo direcionada para combater o eczema, prejudicando seu crescimento normal. Recomendou-se uma consulta a um pediatra no dia seguinte, à qual os pais levaram Gloria. Note que, ao contrário do noticiado, ao longo de todo o calvário de Gloria os pais sim a levaram a mais de um médico convencional e aplicaram o tratamento recomendado, ainda que apenas parcialmente. É mesmo curioso notar que o pediatra, o Dr. Symons, recomendou então que os pais continuassem com o tratamento que já aplicavam, com cremes, Sigmacort e pomada com cortisona, com exceção dos remédios homeopáticos, que ele desconhecia.

Os pais levaram Gloria ao mesmo pediatra pouco mais de uma semana depois, e ela havia melhorado um tanto. As coisas pareciam seguir bem, e Gloria seria encaminhada para tratamento semanas depois com um dermatologista pediátrico em Sydney.

Dias depois, os pais decidiram levar Gloria para a Índia, onde ela receberia “apoio e ajuda” familiar. O pediatra, quando comunicado a respeito, “expressou infelicidade” a respeito da decisão, que interromperia o acompanhamento do tratamento na Austrália. Thomas Sam assegurou-o de que ela “teria algum tratamento na Índia” de um dermatologista.

Na Índia, por recomendação dos pais de Manju, Gloria foi levada ao hospital e examinada por um pediatra, que a encaminhou a um dermatologista. Ele prescreveu antibióticos e pediu que retornasse em dias alternados para acompanhamento.

Manju Sam aplicou os remédios prescritos, mas exatamente porque Gloria melhorou, não considerou necessário retornar ao hospital para acompanhamento. Neste período, Thomas Sam ainda não estava na Índia, proferindo palestras sobre homeopatia na Austrália, mas Punnoose Sam, irmão de Thomas e também homeopata praticante acompanhou Gloria.

Quando Thomas chegou à Índia para acompanhar sua mulher e filha, levou Gloria para exame por outro homeopata. Ele prescreveu mais remédios homeopáticos. Em menos de 30 dias Gloria estaria morta.

Talvez um dos detalhes mais surpreendentes é que neste período, Manju Sam passou mal e foi levada prontamente por seu marido ao hospital, onde cálculos renais foram diagnosticados e tratados de forma convencional. Dias depois, o casal e Gloria retornaram à Austrália, e chegamos aos últimos de vida de Gloria Sam.

É o “período final” de 27 de abril, quando pisaram em solo australiano, a 5 de maio de 2002, quando finalmente levaram Gloria a um hospital. E, por mais estranho que possa parecer, é por esse período que o casal foi julgado e condenado. Antes de viajar à Índia sua negligência ainda não era criminosa, e na Índia a criança não estava sob jurisdição australiana. Voltaremos a isto logo mais.

Thomas Sam conta que Gloria pareceu melhorar depois do retorno à Austrália. O juiz discorda, dada a evidência, incluindo descrições da condição de Gloria quando examinada na Índia. Thomas Sam diz que Gloria estava sendo tratada com remédios prescritos pelo homeopata indiano e que isso estava ajudando. O juiz lembra que o remédio era Lycopodium, um remédio homeopático. Em 3 de maio, Gloria desenvolveu uma inflamação no olho, que foi tratada com um remédio homeopático no dia seguinte. Gloria já não parecia mais chorar tanto, e estava dormindo. Manju estava exausta e dormiu por “dois a três dias” seguidos devido ao jet lag.

Finalmente, no dia 5 Gloria foi levada ao hospital, onde as horríveis condições descritas no início deste texto foram constatadas, e já era muito tarde para salvá-la. É provável que realmente não estivesse chorando tanto como havia chorado nos últimos meses, como seus pais contaram. Mas não porque estivesse melhorando, e sim porque já não possuía mais energias.

Gloria Sam faleceu a 1:20h de 8 de maio de 2002.

 

Pai e Homeopata condenado, Homeopatia Absolvida

Em sua condenação, o juiz nota como Thomas Sam falhou tanto no teste de “pai sensato” (“reasonable parent”) como no de “homeopata sensato” (“reasonable homeopath”). Evidentemente não foi um homicídio planejado, e o homicídio culposo é estabelecido com base no fato de que Thomas e Manju Sam não agiram como qualquer “pai sensato” agiria nas mesmas condições, sendo que Thomas também não agiu como qualquer “homeopata sensato” agiria. De fato, um dos homeopatas consultado pelos pais, que também era um médico, recomendou a consulta a um dermatologista.

Nisto, o juiz achou necessário ressaltar como:

“Os vereditos e sentenças neste caso não envolvem algum julgamento adverso sobre a prática da homeopatia. A evidência reflete que a homeopatia tem um papel significativo na comunidade, como complemento à medicina convencional, para uma gama de condições. No entanto, a opinião unânime dos homeopatas que testemunharam neste julgamento é de que as limitações de homeopatia devem ser levadas em conta, e que a referência a médicos era tanto apropriada quanto necessária quando a melhora não advém do tratamento homeopático. Este caso não se relaciona com uma falha da homeopatia. Ao invés, se relaciona com a negligência criminal de dois pais que falharam em assegurar a sua filha o tratamento médico necessário e apropriado para a uma condição tratável”.

Ele também nota como os réus têm “compreensão limitada de seus crimes”. Manju Sam parece ter se arrependido, mas Thomas Sam continua resoluto em culpar outros pela morte de sua filha.

“A medicina convencional teria prolongado sua vida… com mais sofrimento. Não irá curá-la e é nisso que acredito firmemente”, disse Thomas.

 

Lycopodium

Thomas Sam era um homeopata destacado, praticando na Austrália por 12 anos. Ministrava palestras sobre Ciência Médica na Faculdade de Medicina Homeopática de Sydney desde 1998. Entre suas especialidades na “administração holística de doenças autoimunes e crônicas” estava justamente o eczema. Era como Sam era promovido em panfletos de medicina alternativa. “Ele acredita que a ciência médica não é a solução aos problemas da humanidade, e sim apenas uma ferramenta para ajustar certos processos  fisiológicos… um paciente com doença crônica precisa de um ajuste total do espírito, alma e corpo além do tratamento convencional”.

Lembre-se de que Thomas Sam decidiu levar Gloria à Índia, interrompendo o tratamento médico na Austrália que dava resultados, para que recebesse “apoio e ajuda” familiar. Note como consultaram inúmero médicos homeopatas, não apenas membros da família, repleta de alternativos, como da Austrália e Índia. Note como tanto na Austrália como na Índia, e ao contrário do noticiado em alguns textos rápidos, os Sam sim levaram sua filha a dermatologistas e sim aplicaram tratamento “convencional” incluindo o uso de antibióticos.

No que pecaram foi em falhar em dar prosseguimento a tais tratamentos, abandonando-os assim que houvesse melhora, em favor do tratamento homeopático. Exatamente como Sam defendeu e vendeu como homeopata por vários anos.

Parece contraditório que o juiz absolva a homeopatia por completo quando seu raciocínio em diversos pontos presume que a homeopatia é ineficaz, incluindo quando nota como o remédio homeopático com que Gloria era tratada em seu retorno à Austrália não poderia beneficiá-la.

Thomas Sam sim falhou não apenas como pai, mas como homeopata, sentenciou o juiz. São raros os homeopatas que ignorariam a aderência a tratamento médico como Thomas ignorou, e de fato há em vários países códigos éticos entre homeopatas que deixam claro como não se deve agir como Thomas Sam agiu.

Dei-me ao trabalho de informar-me a respeito dos códigos praticados na Austrália. Do código de conduta da Associação Homeopática Australiana o mais próximo que encontrei, no entanto, foi:

“Pacientes cuja saúde esteja se deteriorando não devem ser atendidos indefinidamente sem que o membro responsável sugira ou insista em uma consulta a pelo menos um outro colega para confirmar a avaliação e tratamento”.

Note que o colega é também um homeopata. O código de conduta profissional do Registro Australiano de Homeopatas diz o mesmo, apenas recomenda que homeopatas recomendem outros colegas. Thomas Sam teria mesmo falhado como homeopata de acordo com este código de conduta?

Bem, em agosto deste ano a AHA divulgou esta nota onde se exime de culpa, informando que Thomas Sam não era membro da AHA, e que seu código de conduta recomenda que os membros recomendem “outro terapeuta ou médico quando o tratamento não progride”. Note o “ou”. Thomas Sam podia não ser registrado na AHA, mas sim consultou diversos outros homeopatas e mesmo outros médicos de verdade. Teria ele falhado como homeopata de acordo com este código de conduta?

Vasculhando melhor o sítio online a Associação Homeopática Australiana, descobri algo chocante. De um boletim do mesmo mês que a nota (!) temos:

“Devido à abordagem holística de homeopatia, os sintomas particulares de uma condição diagnosticada podem não parecer responder rapidamente ao tratamento ainda que a saúde geral do paciente comece a melhorar como precursor aos sintomas diagnosticados começarem a desaparecer. Por exemplo, em um teste de homeopatia para o tratamento de eczema, o eczema de um paciente pode não melhorar durante o período de teste. Vários fatores devem ser levados em conta: o teste pode ser muito curto, pode haver outras mudanças, … É a observação de homeopatas que estas mudanças comumente precedem melhora no eczema, particularmente em um caso que foi tratado previamente de forma convencional com cremes esteróides por exemplo”.

Soa muito como o caso de Gloria Sam. Teria Thomas Sam falhado como homeopata? Esteve a prática homeopática totalmente livre de culpa aqui?

A minha opinião acompanha a de Tessler. Não só a verdadeira culpada aqui é a homeopatia, como depois de me informar sobre os detalhes do caso tenho dúvidas sobre se os pais deveriam ter sido condenados por homicídio culposo. Duvido que fossem condenados ou mesmo passassem por julgamento na Índia, onde a homeopatia é um dos Sistemas Nacionais de Medicina (que também inclui Ayurveda). Talvez houvesse um processo por imperícia, e aqui também agradeceria caso algum leitor pudesse adicionar com informações sobre o fim de casos similares na Índia.

Se o Estado condescende, reconhece e regulamenta a homeopatia; se a homeopatia através de suas associações oficiais não deixa claro que seus membros devem recomendar que o paciente siga o tratamento convencional (e não apenas recomendar um “colega”, que pode ou não ser um médico de verdade); se a associação homeopática local chega inclusive a notar como o tratamento homeopático de eczema pode aparentar não ter resultados quando em verdade já estaria supostamente agindo; se o homeopata acusado consulta inúmeros outros homeopatas; se por fim de fato consulta e oferece tratamento convencional, ainda que parcial, nos momentos mais críticos para sua filha…

Então o que é certo é que tudo isso leva, no mínimo, a boa parte do sofrimento de Gloria Sam desde seu nascimento. É muito fácil estabelecer quando o casal deixou de ser “sensato” como pais – foi no momento em que ignoraram a recomendação da enfermeira pouco mais de um mês depois de diagnosticado o eczema. Muito mais complexo é estabelecer quando Thomas Sam deixou de ser um “homeopata sensato”. Apologistas da homeopatia lembrarão, como fiz questão de não omitir, que o primeiro médico homeopata que os pais consultaram recomendou o tratamento por um dermatologista.

E, no entanto, os pais buscaram a opinião de outros homeopatas, sendo que pelo menos dois, o irmão de Thomas e um homeopata na Índia, não recomendaram o tratamento convencional. O código de conduta da AHA também recomenda a consulta a outras opiniões. De colegas homeopatas.

Apologistas também dirão que Sam pecou ao tratar a própria filha. Sam em verdade nega que tenha sido o médico responsável por sua filha, alegação que o juiz contudo não aceitou. Seja como for, ele sim consultou inúmeros homeopatas que não eram seus parentes.

Se o ponto em que Thomas Sam deixou de ser um “homeopata sensato” não me é claro, o que me é claro é que esse ponto ocorreu depois do momento em que Gloria Sam sofreu desnecessariamente, isto é, isso ocorreu depois que Thomas deixou de ser um “pai sensato”. E isso me faz concluir e embasar a opinião inicial que tive de que a homeopatia sim tem culpa aqui, ao contrário do explicitamente – e em minha opinião, incoerentemente – sentenciado pelo juiz.

O caso de Gloria Sam deveria levar a Associação Homeopática Australiana e homeopatas por todo o mundo a refletir e a revisar ou complementar seus códigos de conduta para evitar que algo assim se repita. É vergonhoso e a mim revoltante que se prontifiquem tão rapidamente a manifestar sua ausência de responsabilidade. Dado que a homeopatia é reconhecida como especialidade médica no Brasil, as reflexões e discussões sobre como a conduta de Thomas Sam seria evitada por aqui, e qual seria a sua condenação de acordo com nossa legislação seriam muito necessárias. Ao absolver a homeopatia de culpa, essas considerações se tornam desnecessárias.

Penso que pelo contrário, são muito necessárias.

 

Morrer com remédios, morrer com água

Antes mesmo de informar-me e refletir a respeito dos detalhes do caso de Gloria Sam, já era de opinião de que a homeopatia era parte do problema e me incomodou a absolvição à homeopatia, que penso que vários manifestaram mesmo desconhecendo que o próprio juiz australiano o havia manifestado. Qual era meu argumento?

“Existe uma diferença entre errar fazendo algo que por vezes, ou mesmo quase sempre funciona; e errar fazendo algo que nunca funcionou.

Toda a medicina alternativa, incluindo a psicanálise, pode adentrar no terreno nebuloso do dificilmente tratável de forma clara, quantitativa, testável. Muito
bem. Agora, a homeopatia em específico faz diversas alegações sim facilmente testáveis, testadas, e refutadas.

Talvez não se deva proibir a prática da homeopatia, por outro lado, no momento em que a homeopatia faz alegações físicas testáveis, testadas, e refutadas, tais resultados devem ser considerados. Se alguém acredita na Santíssima Trindade, tudo bem, agora se diz que o prepúcio de Jesus se transformou nos anéis de Saturno, faz uma alegação que pode e deve ser testada cientificamente. O mesmo vale para a homeopatia e seus fundamentos e práticas. Se os remédios homeopáticos são pura água, isso deve(ria) levar a um questionamento fundamental da homeopatia. Se ela ainda assim "funciona", deve-se descobrir o porquê.

Nada disso é levado em conta, papers continuam tentando provar sucussão, ainda se usam termos, métodos de séculos atrás. Isso é obscurantismo e ignorância, em meu entendimento”.

A toda a discussão sobre o caso exposta acima, o argumento inicial que defendia ainda me parece válido, e se soma à minha conclusão. Há uma diferença entre imperícia médica pela má aplicação de procedimentos que comprovadamente salvam vidas; e a a má aplicação de procedimentos “alternativos” que jamais comprovaram salvar uma única vida. Calligaris criticou a fé rígida na “razão” por parte dos comentaristas no blog de Dawkins, pela qual “facilmente condenariam os ‘infiéis’ à fogueira”. A razão, defende o colunista, estaria na capacidade de duvidar e não na “arrogância das certezas”.

Muito bem. Podemos, contudo, ter certeza, sem arrogância, de que a homeopatia, como promovida pelos homeopatas, é falsa e incoerente. Como resumiu Plait, não funciona, não pode funcionar e foi testada repetidamente com resultados negativos. Entusiastas de Dawkins, e principalmente comentaristas de blog – qualquer blog – sim podem ser arrogantes, e coisas muito piores. Neste exato momento um dos textos sobre o caso no blog de Dawkins é palco para comentaristas discutirem pedofilia (!). Logo, não pretendo defendê-los, já que nem sei o que Calligaris leu.

Porém, a razão sim se manifesta na capacidade de ter algumas certezas – se não absolutas e definitivas, pelo menos razoáveis, provisórias – e condenar a homeopatia como incoerente por definição é uma delas. Recomendo a leitura de O Físico e a Pororoca e Manual do Homeopata Mirim como leituras críticas introdutórias à homeopatia.

Agradeço aos que tiveram paciência de ler até aqui. Em CeticismoAberto costumo me concentrar em alegações do paranormal e ufologia, abordando questões de saúde apenas de forma limitada, uma vez que sou um leigo completo no tema. Isso deve mudar em breve – não, não me estudarei medicina, mas CeticismoAberto contará com a participação e colaboração de profissionais devidamente qualificados.

Agradecerei ainda mais aos que participarem desta discussão. Este longo texto é uma reflexão pessoal e um convite à participação de todos. Embora não pareça, e embora eu convenientemente tenha apenas reforçado minha convicção inicial sobre o tema, sim pretendo ser capaz de mudar de idéia frente a novas informações ou argumentações. Caso haja algum erro, o corrigirei com prazer. E talvez não dedicasse tanto esforço a esta questão se não derivasse de uma discordância tão grande com uma figura que sinceramente admiro muito.

Karl, esse texto é uma demonstração de admiração e respeito. Acredite. Discordo veementemente que a prática da homeopatia esteja isenta de culpa neste episódio e que seja apropriado aqui dar espaço à auto-crítica sobre a ciência médica. A auto-crítica é salutar, mas neste contexto apenas promove a irresponsabilidade de homeopatas.

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52 Responses to A morte de Gloria Sam: Homeopatia, arrogância e… cientificismo?

  1. Homero disse:

    Parabéns Mori! Texto excelente, argumentação claríssima, e conclusões perfeitas. Difícil deixar de lado a posição “mesquinha” da homeopatia de tentar se eximir de responsabilidade nesse tipo de efeito daninho na vida das pessoas. O que o pai homeopata fez foi apenas seguir as alegações e procedimentos que a homeopatia garante eficazes e confiáveis, com os previsíveis resultados trágicos.

    E os ataques ao “racionalismo”, como do apresentado pelo Calligaris, cujos textos em geral eu admiro, falham sempre, sempre, recorrentemente, em um aspecto central: propor algo tão eficaz e confiável para substituir esse racionalismo que acreditam falho e limitado. São sempre ataques vagos, baseados em “manter a mente aberta”.

    Diabos, manter a mente aberta sim, mas não permitir que o cérebro caia. Além disso, já passamos alguns milhares de anos sem usar a tal da razão e do método científico para validar alegações, e sabemos bem o resultado, péssimo resultado.

    Parabéns novamente pelo texto.

  2. Patola disse:

    “Fé na razão” é um oxímoro ou paradoxo. Se você estabelece conceitualmente que “fé” trata-se de ignorar evidências e/ou a lógica, dá-se que seguir lógica e evidências (razão) é o seu avesso, e não pode ser portanto igualado a ela: o conceito torna-se informacionalmente nulo.

    Isso é mais uma das coisas que me incomodam profundamente nos “pós-modernos”, que tentam diluir conceitos contra suas próprias definições. Essa idéia de “outros modos de conhecimento” é uma desculpa muito furada e antropocêntrica, como se o Universo/a realidade tivesse que respeitar o que cognitivamente podemos inventar pra justificar as bobajadas que dizemos.

  3. lordtux disse:

    Parabéns Mori, argumentação claríssima, não posso argumentar muito pois não conheço bem a homeopatia, mas ficou extremamente claro a ignorância do sistema em si, principalmente no que diz respeito ao código de conduta deles, que se fosse realmente eficaz, esse bebê não teria morrido.

  4. Luis Brudna disse:

    Parabéns pelo texto e pela abertura ao debate.

  5. HypeScience disse:

    Um remédio de mentirinha só funciona contra uma doença imaginária.

    Reflexões e poderações extremamente úteis. É interessante observar como todo homeopata apela para a medicina tradicional quando o nó aperta. Vou fazer mais um comentário abaixo colocando um vídeo que, apesar de ser comédia, faz pensar muito sobre o papel da homeopatia: Não passa de um vudu pseudocientífico.

  6. HypeScience disse:

    Bloqueou o embed, segue o link para o Plantão Médico Homeopático:

    http://www.youtube.com/watch?v=gRxk-UuQUqc

  7. maria disse:

    kentaro, acho que agora você é quem está pregando no vazio.
    não li tanto quanto você, mas não vi ninguém defender que o thomas sam teve razão. quanto a isso não há dúvida nenhuma. seu texto é um documento informativo exaustivo e precioso, mas chove no molhado.

    posso ter lido errado, mas para mim o que o karl e o calligaris discutem não é esse lado: é que qualquer pessoa com crenças profundamente arraigadas e inflexíveis (na ciência inclusive) corre o risco de cair em erro sério. e qualquer pessoa que julgue outra simplesmente com base nisso correrá o risco de ser injusta.

    • admin disse:

      Oi Maria, obrigado pelo comentário… a minha discordância com o Karl e com Calligaris é a de que a homeopatia seja completamente absolvida, como ambos expressaram.

      Com o Calligaris discordo ainda do fato de que ele concorda com a sentença do juiz de que Thomas Sam foi arrogante em sua fé cega na homeopatia, a despeito de toda evidência. Como expressei, tenho minhas dúvidas agora sobre se Thomas deveria ser condenado por homicídio culposo, quando há certa evidência de que não é apenas ele que, como homeopata, ou crente na homeopatia, estaria disposto a interpretar a ineficácia do tratamento alternativo como parte do resultado do tratamento!

      O que reforça também minha discordância inicial de que a homeopatia sim tem culpa, é mais do que apropriado condená-la, e nada apropriado tomar o caso como pretexto para criticar o “racionalismo”, cientificismo ou as complexidades da ética médica. O caso aqui derivou de um erro muito mais elementar. Ignorância e obscurantismo institucionalizados e sancionados pelo Estado, potencializados sim pela arrogância e insensatez de um pai, que todavia dificilmente seria condenado em tal arrogância em seu país de origem.

      • Maya disse:

        Justamente. O caso aqui é que estão usando de falácias lógicas para mascarar o argumento central, desviando o foco da conversa.

  8. Chuck Norris disse:

    Ótima elucidação… Chuck Norris te ama!

    Nunca testei esse Lycopodium, pois nunca fiquei doente. Mas se por ventura, fica-se, a homeopatia iria curar-me.

  9. Luciano Reis disse:

    Quem é o Admin?

    O sr. está certo sr Admin em fazer esse pequeno texto em defesa das pessoas prejudicadas pela fé estúpida de uns loucos usuários de homeopatia.

    Mesmo porque se o sr. fosse elencar e discorrer sobre uns 100 casos acontecidos recentemente, dos milhares em que os clientes colocam sua fé na medicina oficial e cujas orientações de diagnósticos médicos e operações desnecessárias e inconsequentes, que redundaram em óbitos ou em sequelas irreversíveis aos enganados, não sobraria espaço aqui nesse site.

    Mas são casos da medicina racional e não da homeopática, então pode, pois sempre se dá um jeito para desculpá-los, não é mesmo?

    • admin disse:

      Luciano, leia o texto. Há uma diferença entre morrer pelo mau uso de remédios e procedimentos que comprovadamente salvam vidas, e morrer pelo mau uso de “remédios” e procedimentos que por definição jamais poderão salvar nenhuma vida. Porque são apenas água ou açúcar.

      Ambos podem sim matar. Apenas um deles pode salvar.

  10. Luciano Reis disse:

    Admin, o sr é preconceituoso e está absolvendo a face negra da medicina dita pelo sr. racional sob infantil alegação desculpadora, o que é absurdo. É preciso entender que a medicina homeopatica é legal e reconhecida, mas seu preconceito contra esse alternativo chega às raias do fanatismo. A homeopatia não é irresponsável e nem um passaporte para a morte, como também não é a alopatia que também provoca mortes estúpidas e criminosas. Homeopatia é ciência, sim senhor, e casos acontecem.

    Por que o sr não pesquisa sobre os inúmeros casos homeopáticos que deram certo? Ou vai achar sempre que todas as pessoas são induzidas e condicionadas pela ação psicológica e hipnótica dos médicos homeopatas e somente por isso se auto-curam? Se é somente assim que os céticos inferem, a homeopatia por sí só seria realmente miraculosa e seus médicos super poderosos, ao invés de objeto de críticas.

  11. brunobelo disse:

    Kentaro, excelente artigo, como sempre. Homeopatia não funciona, nunca funcionou e eventualmente tem os mesmos níveis de “cura” que um placebo qualquer, realmente não há provas de que funciona efetivamente. Dizer que homeopatia funciona, como o Luciano acima diz, é de uma leviandade extrema.

  12. Paulo Oliveira disse:

    Auaheaueaheuah, o Google só pode tá de sacanagem com essa propaganda de curso de homeopatia perto do título! Só falta dizer que ele é ministrado pelo tal do Thomas Sam…
    O Luciano Reis é um fanfarrao… Como assim quem é o Admin?!?!
    Ah como eu queria ter a fé desse pessoal, assim eu poderia comprar um remédio convencional e diluí-lo para que durasse minha vida inteira. Nunca mais ia gastar um tostao com remédios!

  13. Paulo Oliveira disse:

    Juro que tinha um anúncio de curso de homeopatia do lado do título!
    Tava muito cômico. Google sacana.

  14. Luciano Reis disse:

    O cordão dos puxa-sacos é bem grande por aqui. E como são pretenciosos; até parece que conhecem aquilo que criticam! A começar pelo texto. Heresia pura!

  15. Ericsson disse:

    Realmente ótimo texto parabéns. Quanto ao senhor Luciano Reis…ou está sendo irônico ou é mesmo um fanfarrão, o que dá no mesmo. Criticar a homeopatia não é heresia (homeopatia agora é religião dogmática?) é bom senso.

  16. admin disse:

    Realmente, agora pude ver, o Google Adsense está exibindo anúncios de um curso sobre homeopatia. Já bloqueei, deve demorar um tanto para deixar de aparecer contudo.

    Caso este ou outros anúncios inapropriados apareçam, por favor, não hesitem em avisar — e, quem conseguir, anote também o endereço de domínio da propaganda, facilitando que eu bloqueie o anúncio.

    Luciano: já não basta usufruir da liberdade de expressão e crítica, ainda quer enviar mensagens simplesmente acusando este ou aquele de ser “puxa-saco”? Apaguei e apagarei comentários que não adicionam nada à discussão. Expresse suas idéias sem partir para a agressão gratuita.

    Agradeço a todos pelos comentários.

  17. Luciano Reis disse:

    Prezado Kentaro:

    Sinto-me agradecido pela oportunidade que você me deu de aqui vir comentar, mas você apagou minha livre expressão, que não é calão. Então a substituo por séquito de bajuladores. Está bem assim?

    À propósito, fanfarrão pode? Pois fui chamado disso.

    • Mori disse:

      Luciano, seu comentário consistia apenas em chamar um outro comentarista de puxa-saco. Apaguei sim.

      “Fanfarrão” não é muito apropriado, mas pode, se for acompanhado de algum outro comentário relevante.

      Note que você chamou vários outros comentaristas, de modo geral, de “puxa-sacos” e eu não apaguei seus comentários. Apaguei apenas um que se resumia _unicamente_ a chamar um outro comentarista de puxa-saco.

  18. Julio disse:

    Exelente artigo!
    Essas práticas pseudocientíficas deveriam ser proibidas pelas autoridades públicas.

  19. Lord Dracon disse:

    Mori, parabéns pelo excelente artigo!

    É impressionante que orgãos sérios ainda legalizem a Homeopatia sendo que atualmente já está suficientemente comprovado que ela não faz nada. Uma prática dessa devia ser proibida.

    Ao Luciano:

    “É preciso entender que a medicina homeopatica é legal e reconhecida”

    – Usar esse argumento para defendê-la é uma falácia de autoridade. Como eu acabei de mencionar, mesmo não funcionando, há orgãos que a regulamentam, e o próprio juiz do caso (que é uma autoridade), absoveu-a, como se a única culpa fosse a conduta do pai.

    “Por que o sr não pesquisa sobre os inúmeros casos homeopáticos que deram certo? Ou vai achar sempre que todas as pessoas são induzidas e condicionadas pela ação psicológica e hipnótica dos médicos homeopatas e somente por isso se auto-curam?”

    – Pesquise você sobre o Efeito Placebo e sobre doenças simples e pequenas que o nosso sistema imunológico dá conta sozinho. Se você tivesse pesquisado isso, nem precisa ir tão longe ao ponto de sugerir que seria uma “ação hipnótica de médicos homeopatas”.

  20. Luciano Reis disse:

    Mais um pseudo na área, que não lê, não ouve, não vê. Os papagaios repetidores continuam soltos. Nenhuma novidade.

  21. Lord Dracon disse:

    E você só no “ad hominem”.
    Tsc.. tsc.. tsc…

    Não vale a pena.

  22. Luciano Reis disse:

    “THE DOGS BARK WHILE THE CARAVAN GOES ON”

  23. GabyRose disse:

    Excelente texto e brilhante linha de raciocínio.
    Concordo plenamente que a homeopatia deveria sim, ter a sua “parcela” de culpa.
    Eu me considero uma pessoa de mente aberta, que busca o conhecimento e informações analisando os “dois lados”. Estudo Medicina Veterinária e já participei de cursos sobre Medicina Alternativa, incluindo a Homeopatia. Posso dizer claramente que a Homeopatia não passa de um simples engodo. O paciente procura um tratamento homeopático por considerar “natural” e um tanto quanto “espiritual”. Também sei de colegas que fizeram uso pessoal do tratamento homeopático e sim, um ou outro melhorou, mas aí é que está, não poderia ser um simples efeito placebo? Esses colegas tinham (tem) uma tendência espiritualista e uma fé inabalável na Homeopatia.
    Vale ressaltar que o tratamento homeopático (felizmente,quase inexistente) só deixa o responsável pelo animal feliz e que não é usado de forma alguma em animais de produção. Claro, não tem o mínimo efeito, uma vez que o cãozinho não se atenta à práticas espiritualista, preferindo manter-se na razão. E muitas vezes sofre por ser obrigado a passar por Florais de Bach, Cromoterapia e afins quando a Homeopatia não faz efeito.
    Digo que o único tipo de Medicina Alternativa que vi efeitos verdadeiros foi a Acunpuntura e é claro, com alguma gama de doeças, já que o médico que a aplica deve saber a sua abrangência. Mas para tal não me aprofundarei já que há pesquisas que comprovam a sua eficácia DENTRO DESTA DIMENSÃO. E sim, o povo oriental é muito sábio, tanto que sua medicina sempre foi usada como auxiliar à medicina convencional. Me entristece saber que pessoas que deveria ser esclarecidas a este respeito, como este suposto médico e pai, se esquecem tão facilmente desta premissa. Eu simplesmente o considero um fanático que agiu do jeito que lhe foi ensinado. Triste.

  24. Lúcia disse:

    Excelente o texto e, principalmente, a pesquisa prévia. Infelizmente uma parcela grande de colunistas acaba ficando (quando já não era) preguiçosa.
    Gosto de ler o Contardo Calligaris, mas não li o artigo, então posso estar sendo injusta, porém, parece que ele, diferentemente de você, não se preocupou em pesquisar mais a fundo o tema e limitou-se a utilizá-lo como gancho para fazer média.
    Como afirmar que não se deve ser “racionalista” se a razão e o método científico são os únicos instrumentos que temos para apreender a realidade?
    Pode-se não gostar, pode não satisfazer nosso ego, pode não ser agradável, mas é o que temos se formos intelectualmente honestos e humildes em relação ao nosso lugar no universo.
    O fato de a realidade nem sempre ser como desejamos nos leva ao apego a fantasias das mais inofensivas às mais letais (algumas reconhecidas, oficializadas e abaixo-assinadas pelo governo-igreja-e-representantes-da-sociedade-civil) e é o que faz com que seja simpático criticar o “racionalismo exacerbado”.

  25. homeover disse:

    É patente na história de Glória Ham,o fanatismo de seu pai homeopata,levado ás raias da insanidade na insistência com o tratamento apesar da piora progressiva da filha,e dos avisos que recebeu.Não se pode julgar uma modalidade terapêutica pelo mau uso que dela fazem.Os senhores céticos,muito bem organizados nesse site,aproveitaram essa história bizarra de um pai negligente em sua visão fanática da Homeopatia para achincalhar com a especialidade(sim a Homeopatia é considerada especialidade médica pelo CFM).Sou clínico homeopata em atividade no interior do estado do Rio,e não me parece razoável ser colocado no mesmo balaio junto com um indiano delirante,que mesmo vendo a filha piorar dia a dia,não a levou num pediatra para a internação que ela necessitava.A homeopatia é comprovadamente eficaz no tratamento de várias doenças,e os pacientes podem dar seu testemunho,não é modalidade de tratamento alternativo,holista,espiritual ou esotérico.é prática médica digna,não fraudulenta nem paliativa,como foi dito aqui.A Homeopatia tem seus limites,e nenhum homeopata de bom senso,vai usá-la como única opção em doenças graves como neoplasias,Tb pulmonar,hanseníase e outras moléstias infecto contagiosas.Gandhi dizia que a Homeopatia é a medicina da não violência,e aconselhava sua prática na Índia.Samuel Hahneman foi grande personalidade da história universal,e se opôs frontalmente aos barbarismos da medicina de sua época,propondo uma forma suave de cura,e essa forma persiste até hoje,queiram os amigos céticos ou não.

  26. Folli disse:

    O físico e a pororoca

    José Colucci Jr. (*)

    O artigo acima, indicado no final do texto, é muito esclarecedor, e trabalha dentro da lógica, apresentando fatos e comparações inequívocas e inquestionáveis. A todos que ainda acreditam na Homeopatia recomendo o texto acima, sugerido no final do artigo escrito pelo Mori.

  27. carlos disse:

    Sou médico e acho essa polêmica em torno da homeopatia uma bobagem. A homeopatia funciona. Isso é fato. Se é ciência ou não é outra discussão.
    Em relação ao caso em questão é bom lembrar que exatamente neste momento que estou escrevendo este artigo milhares de crianças estão morrendo vítimas da ciência médica(choques anafiláticos, complicações cirúrgicas, imperícias e imprudências médicas, erros diagnósticos, e por aí vai) e ninguém fala nada, muito pelo contrário, aplaudem os médicos , que em nome da “ciência” mandam um monte de gente para o cemitério e muitas vezes até ganham prêmio Nobel.
    É bom lembrar também que a Austrália é um país que tem uma sociedade preconceituosa semelhante a Africa do Sul durante o Apartheid, e que um deslize de alguém de pele morena originário do terceiro mundo jamais será perdoado.
    Tenho certeza que os pais da criança fizeram a melhor escolha para a criança dentro dos seus sistemas de crenças que devem ser respeitados.
    O Estado não pode se apropriar do direito de escolha de como tratar as doenças. A doença pertence ao doente e não ao Estado. Penso que somos donos dos nossos corpos e cabe só a nós a decisão de que caminhos tomar para nos tratar seja simpatia, homeopatia, acupuntura ou “ciência médica”.
    Para finalizar gostaria de dizer que eu prefiro tomar Água a “Medicamentos” para tratar do meu corpo.Digo isso porque sou médico. Pelo menos água não mata. Espero que não seja condenado por isso.

  28. Maria do Carmo disse:

    Nunca usei a homeopatia, mas tenho uma amiga que é médica intensivista, trabalhou por 10 anos em um CTI e é uma pessoa muito inteligente e responsável. Agora que se aposentou do serviço público fez um curso de homeopatia e trata seus pacientes tanto pela medicina convencional quanto pela homeopatia. Ela sabe que certos casos necessitam da alopatia e não hesita em receitá-la. Assim, acredito sim que a homeopatia tem sim seus inegáveis efeitos. Quanto a alopatia , somente um tolo é que não vê que a maioria dos médicos colocam seus interesses financeiros acima da ética que deveria ter no trato com seus pacientes. A relação médicos-indústria farmacêutica é , no mínimo promíscua. Estamos chegando ao fim do ano, muitos laboratórios fecham boates para promover festas para os médicos que são recebidos por lindas recepcionista e depois de lauto jantar saem com vários presentes. Dá para acreditar ?

    • fabio disse:

      “interesses financeiros”?

      sabe quanto custa um vidrinho de açúcar homeopatico? ali dentro deve ter uns 50g de açucar (e só açucar) e custa mais que 10kg de açucaar.

  29. Maria do Carmo disse:

    Não sei porque esta discussão sobre o infeliz caso citado não me saiu da cabeça e, um acontecimento ocorrido aqui na vizinhança, na minha opinião veio demonstrar como não há mesmo nenhuma certeza na vida e que a postura de que uma única visão é a correta beira apenas a arrogância.
    Infelizmente, uma senhora atirou-se do décimo andar. Tinha depressão. Seu marido é médico e tem um bom nível econômico. Assim ela era tratada por um renomado psiquiatra e teve acesso aos mais modernos anti-depressivos, ou seja, o melhor que a alopatia pode oferecer. Mas, isso de nada adiantou. Não adiantou para ela, porque conheço muitas pessoas que tiveram crise depressiva , tomaram os remédios e retomaram suas vidas. Garanto, que diante disto, muitos conhecidos do casal devem estar censurando o marido, por não haver procurado um centro espírita. Apesar de eu também não frequentá-los, sei que os espíritas acreditam que muitos casos de depressão são causados por espírito obsessores. Bobagem ? pode ser, mas alguns psiquiatras baianos encaminham certos paciente para terreiros de umbanda. Mas, de qualquer forma , não era a crença do marido e ele fez o que achou melhor para a esposa.

  30. Odamir disse:

    Apenas fazer a alusão a um caso, não me parece ser um critério científico, pois se ficar mos ficando comparando casos que deram errados por prescrições erradas ou por prescrições certas mais cujos remédios se tornarem indeficazes no tratamento de certos doentes.
    É só fazer uma visita aos hospitais mais pŕoximos de qualquer cidade do mundo!!!
    Li comentários aqui, sobre racionalidade, lógica, mas apenas emitir opiniões do tipo, acredito ou não acredito nisso ou naquilo, apenas ficar no descrédito disso ou daquilo está mais relacionado ao nosso envolvimento emocional, às nossas “crenças” particulares, aos nossos “modelos”, frutos da nossa formação intelectual e sentimental…

  31. Hiordan M Cardoso disse:

    Maravilhoso Artigo.

  32. Gustavo - Gusf disse:

    PERAÍ!!!!
    Água não mata?!?!?!?!?!
    Nossa… bacana… vou lembrar os salva-vidas da praia disso…

    Mas melhor do que isso seria, então, beber um litro ou dois de água ASTM classe I, vamos ver se não faz mal.

  33. […] O que só se torna mais revoltante nos casos em que tais doentes podem encontrar esperanças concretas de prevenção e cura na medicina “convencional”. Indo desde a vacinação, uma das mais poderosas ferramentas médicas a controlar e erradicar moléstias da paralisia infantil à varíola, até casos como o de Daniel Hauser, felizmente curado do câncer pela medicina, ou o de Gloria Sam, infelizmente morta através da homeopatia. […]

  34. […] Outras fontes: 10;23, Live science, Ceticismo Aberto […]

  35. Sandra disse:

    Fico abismada ao ler essa notícia e mais ainda com os comentários. Costumo acreditar que todo radicalismo seja burro. Portanto nesse caso temos uma sucessão de erros de ambas as partes. No caso do pai dessa criança, por mais que acreditemos na homeopatia, sabemos também que uma série de fatores pode influenciar no resultado final, como por exemplo a escolha do medicamento, a dinamização do mesmo, etc, enfim, devesse sim acolher uma segunda opinião e trocar a medicação quando não efetiva. Em contra partida, assusta-me tamanha revolta com a homeopatia em si por causa do erro de um médico. Se fosse assim, uma pessoa que tem cancer, faz quimioterapia e não progride deveria gerar revolta contra os oncologistas??? Quanto ao assunto do suicídio coletivo, prova que quem está tentando demonstrar que não funciona não tem a menor noção do que está fazendo. Qualquer pessoa que conheça minimamente a homeopatia saberá que duas pessoas com os mesmos sintomas não necessariamente tomarão os mesmos medicamentos. Portanto, se todos tomaram os mesmo remédio é óbvio que não morreriam, e resta saber também qual medicação foi tomada, porque se tentaram se matar com arnica por exemplo, poderiam tomar uma tonelada que não morreriam.

  36. Murilo Pereira disse:

    “Não tenho nenhuma prova de que esses produtos funcionam. Trata-se da livre escolha do consumidor, e um grande número de nossos clientes crêem que são eficazes” (Bennett, principal responsável pela rede de farmácias). Eu penso da seguinte forma: quer tomar água com açucar e ter o efeito placebo? Vai em frente. Eu vou pelo outro caminho. Abraço!

  37. […] capacidade de curar. Além dos pacientes, os próprios homeopatas acreditam na capacidade de cura. Gloria Sam nasceu com eczema, uma doença simples e facilmente tratável. Só havia um problema: seu pai era […]

  38. Renato disse:

    Também sou médico. Achei o texto excelente.

    Ao longo dos anos, venho pedindo a vários colegas médicos, que praticam a homeopatia, por estudos grandes, controlados etc etc etc. Os poucos estudos que eu mesmo encontrei, não demonstram qualquer vantagem ao placebo. E os que os colegas sempre me oferecem são relatos de casos ou relatos dos próprios casos. Como foi feito nos comentários acima. Às vezes, me relatam sobre pesquisas em andamento cujo o resultado nunca fico sabendo (talvez por serem negativos).

    Então, peço em mais um lugar nesse mundo pelos defensores da homeopatia: se homeopatia funciona, que nos coloquem as referências. Como disse o autor do texto, provar que homeopatia funciona ou não é algo possível. É testável e objetivo. Não é possível que a medicina homeopática funcione sem ser ciência, pois o resultado é sempre objetivo.

    E não é por questão de não se saber como funciona. Há inúmeros tratamentos médicos que não se sabem como funcionam e ainda assim são pesquisados e provados eficazes cientificamente.

  39. Boa noite!
    O que são medicamentos isopáticos?

    “Isso” significa igual. são produtos que, apesar de produzidos utilizando-se a farmacotécnica homeopática, têm como matéria prima as substãncias que diretamente produzem a doença. São usados na maioria das vezes para aumentar a resistências do organismo contra determinado agente invasor ou para dessensibilizá-lo contra produtos que lhe causem algum dano. além disso, não passam pelo processo de patogenesia.
    O surgimento das especialidades dentro da medicina deve-se ao fato de que a quantidade de informações específicas de uma derterminadaárea passou a ser tão grande que um indivíduo somente não poderia abraçá-las integralmente. Assim, subdividiu-se o ser humano em várias partes e órgãos para que se pudesse dominar melhor seu conhecimento. Apesar de representar um grandeavanço atravéz da pesquisada fisiopatologia (estudo dos mecanismos físicos-químicos e genéticos das doenças) e de novas e apuradas técnicas de realizar diagnósticos (ultra som, tomografia computadorizada, raio X, etc. ), esqueceu-se de que o ser humano é um todo ondissociável. A homepatia, entendo esta indissociabilidade e utilizando-a para medicar o paciente,,não prescide da opinião dos especialistas ( ginecologistas, urologistas, cardilogistas, oftamologistas, etc. ) para a educação do diagnóstico clínico. Contudo, sempre leva em conta o paciente como um todo. assim, uma paciente que venha a apresentar uma leucorréia ( corrimento vaginal) deve ser tratada na sua integridade, e não medicada especificamente para o corrimento. Tal fato se repete com as conjuntivites, pneumonias, etc.

    Um forte abraço
    Umberto Moreira Barreto

  40. […] Alguns podem pensar que pílulas de açúcar não fazem mal algum, no entanto o apoio dado às preparações homeopáticas por farmácias e médicos traz consequências sérias. Além de diminuir a confiança do público na ciência médica baseada em evidências, pode fazer com que pacientes com doenças graves que acreditam na homeopatia evitem procurar tratamento médico de verdade para tratar dos seus casos e com isso percam um tempo precioso. Isso pode custar suas vidas. […]

  41. […] capacidade de curar. Além dos pacientes, os próprios homeopatas acreditam na capacidade de cura. Gloria Sam nasceu com eczema, uma doença simples e facilmente tratável. Só havia um problema: seu pai era […]

  42. Livia disse:

    A verdadeira ciência não se baseia num caso isolado. O caso da Gloria é um caso em um milhão de crianças que se beneficiam com a homeopatia. O pai dela é ultra radical e o radicalismo não leva a lugar nenhum.

    Não sou cientista mas sofri mt tempo com eczema e com o despreparo e desrespeito de médicos alopatas. Como eles não fazem ideia do que seja e do que cause o eczema, passam desesperadamente os corticoides. Os corticoides só agravavam a doença, deixando a pele mais fina e sensível. Hoje com tratamento homeopatico há 4 meses ja consigo ficar bem sem os corticoides e ja houve uma diminuição significativa das lesões.

  43. Max disse:

    Excelente texto, sou do Ensino Médio, e tive que estudar muito sobre a Homeopatia para um trabalho de debate em sala de aula, tive que ser contra a homeopatia e achar argumentos para debater, o texto me ajudou a esclarecer mais sobre, e eu particularmente sou contra. Mas não vim aqui pra dizer o que eu acho, só para parabenizar o texto. Valeu, abraço.

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