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A Grande Fraude da Lua de 1835

Arrogância ou Ignorância?

10 de agosto de 2009 Comments (1) Views: 1824 Ceticismo, Fortianismo

As Pedras Autografadas de Beringer

Donald E. Simanek, original em sua página pessoal

Em princípios do século XVIII muitos geólogos pensavam que fósseis não eram nada além de ossos de criaturas mortas enterradas em inundações antigas e então transformados em pedra. Leonardo da Vinci até mesmo aceitou tal explicação. Este era um período da história quando até mesmo os melhores cientistas misturavam ciência e religião, produzindo uma bagunça confusa. 

Havia teorias em disputa sobre a natureza dos fósseis. Alguns pensavam que fósseis simplesmente eram pedras que por acaso imitavam formas animais. Mas alguns fósseis claramente não se assemelhavam a qualquer animal ainda vivo. Então esses devem ser raridades, fraudes ou peças de natureza (lusi naturae). Talvez Deus tenha escolhido moldar algumas pedras para se parecer com esqueletos de peixe. Quem somos nós para questionar as razões dele para fazer isso? (Para mais contexto histórico, veja o Capítulo V de White.)

O Dr. Hohann Bartholemew Adam Beringer da faculdade de medicina de Würtzburg pensava que algumas destas pedras poderiam ser animais mortos (fósseis), mas a maioria era só um trabalho manual de Deus, moldadas para seu próprio prazer. Beringer dissertou amplamente sobre este assunto e era altamente respeitado em certas redondezas. 

Mas ele fez inimigos. Alguns o acharam arrogante e dogmático em suas visões. Dois de seus detratores conceberam um esquema para mostrá-lo como um tolo. 

Nós não conhecemos todos os detalhes deste caso (e nós nem mesmo temos imagens dos participantes), mas pesquisa histórica revelou quem foram os fraudadores. J. Ignatz Roderick (Roderique) era professor de geografia, álgebra, e análise na Univ. de Würtzburg. O outro era O Honrado Georg von Eckart (Eccard), Conselheiro Particular e Bibliotecário para o Tribunal e para a Universidade. 

Beringer tinha uma colina especial de onde ele escavava suas pedras. Ele contratava jovens para fazer a escavação. Roderick e Eckart fizeram algumas pedras especiais e subornaram um dos escavadores para plantá-las nas escavações. Quando elas foram descobertas, Beringer estava fascinado, porque eram muito mais claras que qualquer coisa previamente descoberta. Ele as considerou um trabalho manual artístico de Deus. Com grandes gastos ele publicou um livro sobre elas, com gravuras elaboradas das pedras.

Estes desenhos são de gravuras no livro de Beringer.

[As pedras ainda existem, agora à mostra em um museu.]

Beringer defendeu sua interpretação das pedras eloqüentemente:

Deus, o Fundador da Natureza, encheria nossas mentes com Seus elogios e perfeições radiando destes efeitos maravilhosos, de forma que, quando os homens esquecidos ficassem calados, estas pedras mudas poderiam falar com a eloqüência de suas figuras. 
Quanto mais pedras ele desenterrava, mais fraudes Roderick e Eckart plantavam nas escavações de Beringer. Eles ficaram até mais inventivos, esperando talvez que Beringer finalmente percebesse o que ocorria. Uma pedra mostrou o sol e seus raios. Outra mostrou estrelas e cometas. E finalmente, algumas apareceram com caracteres em latim, árabe, e hebraico. Beringer mandou traduzi-las por estudiosos. As palavras deram o nome de Deus, Jeová! Beringer estava enormemente satisfeito. Aqui estava a prova: Deus assinando seu próprio trabalho manual.

Até mesmo antes da publicação do livro de Beringer, críticos haviam notado que algumas das pedras mostravam evidência do cinzel de um escultor. Beringer tinha notado isto também, e disse no livro dele:

… as figuras… são tão precisamente adequadas às dimensões das pedras, que alguém poderia jurar que são o trabalho de um escultor muito meticuloso… [e elas] parecem exibir indicações inconfundíveis da faca do escultor… Uma pessoa juraria que ele discerniu em muitas delas os golpes de uma faca saindo errados, e cinzeladas supérfluas em várias direções.

Beringer até mesmo nota que as faces superiores das pedras apareciam lisas, enquanto as superfícies inferiores eram ásperas e inacabadas. Mas esta evidência de um esculpir só o convenceu mais fortemente que o cinzel foi brandido pela mão de Deus. Deus estava praticando suas habilidades como um escultor. 

Uma aspecto das idéias religiosas é que nenhuma evidência ou fato podem contestá-las. Uma pessoa inteligente sempre pode encontrar argumentos, embora vazios, que lhe permitam racionalizar qualquer crença absurda para sua própria satisfação. 

Roderick e Eckart em um certo ponto aparentemente sentiram que a coisa estava saindo de controle. Eles tentaram convencer Beringer que as pedras eram uma fraude, sem admitir porém que eles eram os fraudadores. O próprio Beringer relata o incidente. Ele conta de "dois homens, talvez melhor descritos como um par de antagonistas que tentaram desacreditar as pedras". Beringer tinha permitido que um deles entrasse em sua escavação, e diz,

Sem que eu soubesse, ele procedeu para dizer abertamente ao público… designar vários escavadores, e na presença das pessoas da cidade bebendo, ele condenou jocosamente as pedras reveladas como falsas [e sugere imposturas]. Pouco tempo depois, o outro deste par… esculpiu em algumas das pedras mais impressionáveis caracteres hebreus, as figuras de um dragão alado, um rato, um leão, uma romã, etc."

Beringer então apela ao leitor para ver que isto era apenas um plano para desacreditar o trabalho dele. Citando Beringer novamente:

[Eles querem] reduzir a pó todos meus sacrifícios, e trabalhos, minha própria reputação…

Mas Beringer diz que este truque rústico de plantar fraudes de nenhuma maneira desacreditava as outras pedras, autênticas. 
Há uma história de que eles até mesmo plantaram uma pedra com o nome de Beringer, mas isso provavelmente é uma fábula. 

Beringer levou Eckert e Roderick ao tribunal, para "salvar sua honra". Algumas das transcrições do tribunal ainda existem, e no testemunho os fraudadores deixam claro que realmente queriam desacreditar Beringer porque, eles disseram, "ele era tão arrogante e menosprezou a todos nós." 

Quando Beringer percebeu que tinha sido enganado, gastou uma fortuna enorme tentando comprar todas as cópias de seu caro livro. Ele morreu em 1740, sem alcançar totalmente essa meta. Felizmente ele não estava mais vivo quando em 1767 seu editor publicou uma segunda edição para atender a uma demanda dos curiosos, e aqueles que o queriam como um exemplo humorístico de fé mal dirigida. Esta edição superou em vendas a primeira por milhares de cópias. (aunders, pág. 50.) 

O escândalo não só desacreditou Beringer, ele arruinou as reputações de Eckart e Roderick. Roderick teve que deixar Wrzburg. Eckart perdeu seu cargo e privilégios para usar a biblioteca e arquivos. Isto impediu suas próprias pesquisas históricas que foram deixadas inacabadas quando ele morreu.

– – –

Referências

The Museum
of Hoaxes
tem uma boa página sobre o caso Beringer.

Beringer, Johann. The Lying Stones of Dr. Johann Bartholemew Adam Beringer, Being his Lithographiae Wirceburgensis. Translated and annotated by Melvin E. Jahn and Daniel J. Woolf. University of California Press, 1963. The drawings of the stones reproduced above are from this source. This source also has black and white photos of the stones.

Silverberg, Robert. Scientists & Scoundrels, A Book of Hoaxes. Crowell, 1965. The cartoon above, by Jerome Snyder, is from this source.

White, Andrew Dickson. A History of the Warfare of Science With Theology in Christendom. First published in 1896. Chapter V.

Saunders, Richard. The World’s Greatest Hoaxes Playboy Press, 1980.

 


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What is it? It’s titled

Science Askew, because all the science in it is a bit off-kilter. This diverse collection of science humor was written and compiled by Donald E. Simanek and John C. Holden during odd moments (and even ones, too) stolen during their many years working as actual scientists. The publisher has finally unleashed it on the unsuspecting public and it is now availble in fine bookstores worldwide.

 

Science Askew is a very funny book, especially funny to mathematicians and physicists. Open it anywhere and you’ll find some belly laughs not only in the text but also in the clever cartoons by John Holden. All of the classic jokes are here, as well as a thousand more you haven’t heard before.

    — Martin Gardner, mathemagician.

Simanek and Holden have cleverly disguised this book as an anthology of humor, while inserting gems of scientific wisdom and philosophy among the jibes. I think that science teachers can discover here subtle ways of teaching facts and principles, and improving the flavor and aroma of otherwise dull rules and discoveries. Knowledge, however lubricated or polished, is a commodity we should pursue. It need not be boring; proof of that assertion is found in "Science Askew."

    — James Randi, investigator of paranormal claims.

Every page is a delightful spoof. I expect to refer to it frequently.

    — James A. Van Allen, space physicist.

IoP is a not-for-profit company.
This book could help them retain that status. The publisher, Institute of Physics Publishing (IoP), has long had a fine reputation for scholarly and serious books in physics and other sciences, so check their web page for other great books. Whatever posessed them to agree to publish this one is an unsolved mystery. You can browse the book at the IoP website, for free. You can, if so inclined, even purchase a copy there. It costs less than half as much as a typical science textbook, and is far more entertaining.

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Those of you who have purchased the book may be interested in this Science Askew Companion web page which has notes, commentary and errata.

 

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One Response to As Pedras Autografadas de Beringer

  1. marília sommer disse:

    Eu tenho uma pedra com um rosto, oque poderia ser um rosto de um peixe .
    eu achei perto de minha casa e tenho a guardada a 7 anos porque tenho curiosidade sobre ela .
    A pedra tem desenhada um olho igual de humano, uma boca triagular !

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