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Todo Mundo em Pânico – Parte 3

Horóscopo surpresa

17 de janeiro de 2008 Comments (11) Views: 1799 Ceticismo, Fortianismo, Ufologia

Como forjar fotos OVNI, por Almiro Baraúna


Reproduzido aqui abertamente pela primeira vez em quase cinqüenta anos, graças ao trabalho do pesquisador e historiador Rodolpho Gauthier, está o artigo “Um Disco Voador esteve em minha casa…“, publicado inicialmente na revista “Mundo Ilustrado” em 1954.

O artigo foi escrito por Vinicius Lima, mostrando “como se faz uma aeronave marciana“, mas o que é de nosso interesse é o fato de que as trucagens fotográficas foram feitas por Almiro Baraúna.

Menos de quatro anos depois, o mesmo Baraúna supostamente tomaria fotos de um disco voador real sobrevoando a Ilha de Trindade, no que se tornaria um “clássico” da ufologia, e para alguns, um dos mais sólidos casos da história.

Continue lendo para uma transcrição completa e comentários adicionais.

Referência: Baraúna, A., Lima, V.; “Mundo Ilustrado”; 10/11/1954; pp 38-39

UM DISCO VOADOR ESTEVE EM MINHA CASA…

Como se faz uma aeronave marciana – O que há de verdade, e de inverdade sobre os discos voadores – Truques fotográficos que podem servir de exploração e divertimento.

Texto de Vinícius Lima / Fotos de Almiro Baraúna

Os chamados “discos voadores” têm sido objeto dos mais desencontrados comentários. É assunto que apaixona não só os repórteres, mas também a opinião pública mundial que acompanha com carinho tudo o que se fotografa e escreve sobre discos e charutos…

Figuras proeminentes da ciência já se manifestaram a respeito de tão curioso assunto. Repórteres e fotógrafos, mesmo aqui no Rio, afirmam terem visto discos voadores. Outros, mais felizes ou mais mentirosos, juram que viajaram nos discos, até.

Tudo começou quando H. G. Welles (sic) escreveu a famosa “A Guerra dos Mundos”, provocando, posteriormente, pânico em Nova Iorque, com a apresentação de uma peça em que os “marcianos invadiram a Terra”. E os discos continuam “aparecendo”. Agora, a própria Força Aérea Brasileira, afirma que viu “coisas” sobre uma base militar nacional.

Marte existe. Se há vida em Marte, pessoalmente este repórter acredita porque se convenceu, através da leitura de estudiosos do assunto. Como prova lá estão os canais marcianos, e a atmosfera que permite a sobrevivência humana. Só nos resta aguardar o ano de 195, quando Marte estará mais ou menos perto: então a última palavra será dada pelo fabuloso telescópio do monte Palomar.

Existem ou não existem os “discos voadores”?

Até agora ainda não conseguiu uma prova definitiva sobre os mesmos. Isto porque, tendo sido feitas muitas fotos de “discos”, estas não podem em absoluto constituir prova porque, lá em casa também se fazem discos voadores, com fichas da frota Carioca. Para tanto, basta que se saiba usar uma máquina fotográfica, conforme os leitores poderão aprender, através das fotos desta reportagem.

E o mistério continua…
Curioso que as pessoas mais credenciadas a desmentir ou não a existência dos discos voadores, tais como cientistas e autoridades aeronáuticas de todo o mundo, não o fazem, havendo alguns que admitem que sejam eles aeronaves oriundas de outros planetas, tais como Vênus, Marte, etc. Verdade ou mentira, o fato é que apresento aos leitores um disco voador, igual aos demais, que são apresentados com espalhafato. Este disco voador, porém, confessadamente foi feito lá em casa, e fotografado pelo amador Almiro Baraúna…

Legenda das fotos:

Foto 1 (alto, a direita) – “Tomam-se duas fichas da Frota Carioca, unidas pela sua face plana.”

Foto 2 – “Fazer disco voador é trabalho de mulher… para costurar com agulha e linha”.

Foto 3 – “O disco está pronto. Não é luminoso, mas para isso qualquer lanterna dá jeito”.

Foto 4 – “Bate-se a chapa do objeto claro sobre o fundo escuro. O “disco” é fotogênico.”

Foto 5 (maior, alto à esquerda) – “Depois, é só ir à praia de Icaraí, ou a outro local qualquer, e, sem rodar o filme, bate-se a chapa pela segunda vez”.

Foto 6 -“Na praia da Boa-Viagem, em plena luz do dia, o “disco” rasga os céus provocando “pânico” entre os que jamais o viram”.

Foto 7 – “Deixando seu “rastro luminoso” sobre Niterói, o “disco voador” dirige-se em velocidade assustadora para a praia da Boa-Viagem”.
[Transcrição e fotografia do artigo, Rodolpho Gauthier]

Pouco depois que as fotografias OVNI da Ilha de Trindade foram publicadas em 1958, alguns jornais redescobriram e publicaram as trucagens anteriores de Baraúna em “Mundo Ilustrado“, muito para o incômodo declarado do fotógrafo. Mas de alguma forma essas imagens foram esquecidas outra vez, já que desde então ninguém as divulgou novamente ao longo de meio século, ainda que o caso tenha se tornado um ícone da ufologia.

Agora que é reproduzida abertamente, vale comentar algo sobre sua relevância ao chamado caso Trindade. De pronto, é evidente que as fotografias de Mundo Ilustrado diferem marcadamente das fotografias posteriores de Baraúna. Principalmente, o disco voador é mais claro que o plano de fundo, além de exibir um rastro — ambos resultado de uma longa exposição inicial do modelo em movimento iluminado por uma lanterna, seguida de uma dupla exposição normal capturando o resto do cenário.

Contudo, é também notável que haja semelhanças. Como o pesquisador espanhol Manuel Borraz notou de pronto, é uma coincidência fenomenal que Baraúna não só forjasse fotos de discos voadores pouco antes de fotografar discos voadores reais, como que seu modelo de disco voador falso fosse tão parecido com o supostamente real.

Estas são apenas coincidências adicionais ao fato de que em suas fotos OVNI supostamente reais, o objeto também pareceu idêntico em quase todas as imagens, apenas invertido e espalhado, apesar de seus tresloucados movimentos no céu, velocidade e distância enormemente discrepantes.

Com relação ao texto do artigo. Ele faz referência à fraude do disco voador da Barra da Tijuca, quando menciona “jornalistas e fotógrafos” que alegam ter visto discos voadores. As próprias fotos trucadas de Baraúna, com praias como cenário, são também referência clara.

Incidentalmente, o pesquisador britânico Martin Shough notou como o modelo usado no artigo de 1954 é mais similar ao disco da fraude da Barra da Tijuca do que o de Trindade. Embora todos eles apresentem o clássico disco voador com uma borda externa, tão em voga naqueles anos, os modelos de Mundo Ilustrado e Barra da Tijuca apresentam ângulos mais acentuados, enquanto o de Trindade aparenta ser mais arredondado, semelhante à forma de “Saturno”.

De todo, o artigo de 1954 não nos permite chegar a conclusões sólidas com relação ao caso Trindade. É preciso repetir e enfatizar novamente, uma vez que discussões prévias neste caso “clássico” demonstraram bem a necessidade de clareza:

O artigo da revista Mundo Ilustrado de 1954 com as fotos trucadas de Almiro Baraúna NÃO PROVA que o caso de Ilha de Trindade foi uma fraude.

Mas ninguém pode negar a coincidência cósmica que este artigo representa, constituindo forte evidência circunstancial contra a veracidade das fotos posteriores. Todos os ufólogos que tiveram este artigo em mãos mas escolheram não publicá-lo apesar de grande interesse público provavelmente reconheceram tal. O próprio Baraúna reconheceu tal. Mas este não é motivo para esconder esta evidência. Porque, queira-se ou não, este artigo é parte relevante do caso Trindade.

E se você por um momento supor que o caso Trindade foi uma fraude, então é uma tão estupendamente audaciosa. Lá vemos novamente o clássico disco voador em uma praia. Há novamente referências a marcianos (“criaturas que amam conforto“), ainda que por parte de céticos. Não foi em 1959, como previsto, mas em 1958, no Ano Geofísico Internacional. Seria mais um exemplo de como “truques fotográficos podem servir de exploração e divertimento“. E como fotos de discos voadores “não podem em absoluto constituir prova“, porque podem ser trucadas.

E, sobretudo, o disco voador de Trindade provocaria “o ‘pânico’ entre os que jamais o viram“.

Porque, como os leitores devem bem saber, embora o principal elemento proposto a favor da autenticidade do caso da Ilha de Trindade ser o número de testemunhas, indo de dezenas a mais de uma centena de marinheiros, oficiais e civis, em cinco décadas não se conheceu nenhum nome ou depoimento confiável além das menos de cinco testemunhas originais.

Ao contrário do artigo apresentado aqui, poderíamos supor que aqueles que defendem a autenticidade do caso não esconderiam tal evidência.

– – –

Todo o crédito pela reprodução do artigo de “Mundo Ilustrado” é do historiador Rodolpho Gauthier, que encontrou o material e autorizou gentilmente esta reprodução.

Para saber mais sobre investigações recentes sobre o caso, ver:

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11 Responses to Como forjar fotos OVNI, por Almiro Baraúna

  1. Carlos Magno disse:

    Mori:

    Falcatruas sobre discos voadors já se fizeram, creio, centenas. Da mais simples, de atirar um prato para o alto e fotografar, até das mais sofisticadas de modelos caseiros.

    Mas dizer-se que a moda de discos voadores vieram da maluquice do
    Orson Wells, é estar desatualizadoi ou de má vontade com ufólogos.

    Relatos sobre OVNIS são antiquíssimos. Vejamos só esses poucos exemplos.

    1. Em 1500 a.C. rodas ou discos de fogo sobrevoaram o palácio do faraó Thutmósis III.

    2. Em 323 a.C. quando Alexandre Magno cercava Tiro apareceram nos céus escudos voadores em formação triangular.

    3. Esequiel descreve na Bíblia as quatro rodas que voavam com o espírito do Senhor. Dá detalhes preciosos sobre os metais e as luzes que continham.

    4.Também a Bíblia traz o relato da Carruagem de Fogo de Elias.

    Pena que não houvessem filmadoras e vídeos na época, não é mesmo?

    E se tudo é loucura coletiva, por que será que a população não acha que daqui a pouco a Terra vai sofrer um choque de um grande meteóro. Os filmes de terror ficcionistas são repletos dessas situações que ninguém teme nem fala.

  2. Mori disse:

    Carlos, o texto que alega que os discos voadores se iniciaram com HG “Welles” é de autoria de Vinicius Lima, não meu. Eu publiquei a transcrição pelo seu valor histórico, sendo um texto de 1954 relevante ao caso Trindade.

    Mas ele contémm diversos outros erros e afirmações questionáveis. É uma boa indicação da confusão que havia no mito dos discos voadores em seus primeiros anos. O cânone atual foi fruto de uma evolução acentuada ao longo das últimas décadas (embora tenha havido sim origens e influências milenares).

  3. Carlos Magno disse:

    Mori:

    Eu critiquei mesmo foi o autor do texto.

    Está claro sobre o que você comenta e sobre o que o texto veicula.

    Tanto assim que puxei citações de antes de Cristo.

    Abraços.

  4. Parabéns Mori pelo excelente post.

    É muito interessante conhecer um pouco mais sobre Almiro Baraúna e o Caso Trindade. Reinvidicar alguma explicação extraterrestre para caso já está ficando tão passado quanto alegar (sem provas objetivas) que contatos com alienígenas já existiam desde os Tempos Antigos…:-)

  5. Carlos Magno disse:

    Então nada existe de verdade na história universal, pois tudo são relatos, quer manuscritos ou da tradição oral.

    O cético que só sabe criticar e negar usa a seguinte incoerência: fecha os olhos e a razão para fatos históricos oficiais, tais como, relatos de batalhas, existências de conquistadores, de impérios, de certos relatos bíblicos, etc.

    Mas tudo o que elege de estranho ao seu modelo de crenças ou de estereótipos do seu pensamento, ele nega sem a menor cerimônia, sem qualquer critério, sem nada. Nega somente por negar.

    Então o que acontece: ele argumenta por provas, quer provas do que não lhe agrada. Mas não requer provas de outros fatos da história em condições de idênticas existências, porque lhe são simpáticos e interessantes. Legal, né!

    Desejar provas concretas de discos voadores na antiguidade é fácil requerer. Difícil mesmo é usar a imaginação, o bom senso e comparar testemunhos históricos.

    Mas dá um trabalho ser coerente!!!

  6. jose lyra disse:

    Uma coisa e certa: não estamos sos no universo.
    A pergunta e : com todo equipamento disponivel em nossa epoca, sera que ninguem ve nada de concreto ( expecialistas e cintistas), ou então eles ( os ovinis) não vem de tão longe assim.
    fica a pergunta para os entendidos no assunto?

  7. Rodrigo disse:

    Forma manjada e rapida de fabricar um OVNI:

    1. Compre um balão daqueles que penduram no teto cheios de bala em festas de criança.

    2. Encha com gás hélio.

    3. Cubra de papel alumínio.

    4. Solte.

    Está feito seu OVNI bola amarela brilhante. Deprimente não? Imagina se eu te contar que ufólogos passaram os ultimos 30 anos expandindo e desenvolvendo essa técnica adcionando luminárias dentro do balão..

  8. […] exatamente qual imagem original teria sido usada na montagem. Poderia ser uma colher, poderiam ser fichas da frota carioca, poderia ser um sem número de […]

    • Elton disse:

      eu ri kkkkkkkkkkkk

      • paulo ferreira alves disse:

        oi no ano de 1996 no mes de junho eu e minha atual esposa namoravamos na rua em praias galpoes morros r etc. por sermoos muito novos e nao demos dinhero sempre pra motel foi nua noite dessa de junho de 1996 que estavamos num quintal de uma casa dessocupada era mas ou menus 2:30..3:00 horas da manha quando ja tinhamos feito amor tavamos conversando e olhando para as estrelas quando dirrepente passou sobre nos um enorme disco voador so vimos ele porq estavamos olhando pra cima o disco voador nao fas neum barulho e voa como se estiveci parado foi muito especial aquele dia, e logo em ceguida veio 2 caças da aeronautica atras dele mas eu acredito q eles possam ter cociquido fotos ou vidios na quele dia por q eles foram bem rapidos negocio 1a2 minutos. meu nome e paulo e minha helena o email e do meu filho 81781703 ou85540843

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