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“Gauche Encounters”: Filmes B e o mito OVNI

Por que 1947?

20 de julho de 2009 Comments (4) Views: 2567 Destaques, Ufologia

Discos voadores e Frank Scully

John L. Cotton e Randall J. Scalise,
Nota da disciplina sobre Método Científico e Pensamento Crítico e Criativo,
Universidade Penn State. Tradução gentilmente autorizada

No fim dos anos 1940, "discos voadores" estavam sendo amplamente relatados nos EUA. Eles foram chamados de discos [saucers] porque um piloto chamado Kenneth Arnold descreveu algo que ele viu como se "movendo como um disco". O nome "disco voador" foi rapidamente adotado embora tenha sido uma citação incorreta. Os objetos vistos foram descritos como discos voadores.
Esta era a época pouco depois da Segunda Guerra Mundial. A Guerra Fria estava tomando caminho. Qualquer coisa desconhecida voando por aí era, claro, de grande interesse para o exército norte-americano, assim a Força Aérea criou um projeto para estudar o fenômeno dos discos. Eles avaliaram várias centenas de relatos antes de fechar o projeto; aparentemente nada substancial podia ser provado.
A história que você lerá a seguir é verdadeira. Os nomes não foram alterados porque as partes envolvidas não eram inocentes.
O Livro
Introdução

Em setembro de 1950 um novo livro sobre discos voadores, Behind the Flying Saucers [Por trás dos Discos Voadores], chegou ao mercado. Produzido pelo escritor da Variety de Hollywood, Frank Scully, este pequeno livro alegava ter as respostas reais sobre os discos voadores. As explicações de Scully definitivamente não concordavam com aquelas fornecidas pela Força Aérea americana. A nota do editor reconheceu isto, dizendo "Porém, estamos tão convencidos quanto qualquer editora prudente poderia estar de que o senhor Scully abordou seu assunto com probidade e interpretou os fatos e números dados a ele com cuidado e precaução. Ao escrever este livro, ele realizou entrevistas extensas e contou com a ajuda dos cientistas e outros peritos em tais campos como energia magnética, astronomia e aerodinâmica – homens que são por reputação luminares em sua profissão, mas alguns os quais os nomes, como será aparente ao ler este livro, devem ser mantidos anônimos".
No Prefácio do Autor (6 1/2 páginas), Scully escreveu "Embora eu não tenha o mais leve interesse no que o exército possa ou não dizer sobre este livro, eu quero que meus leitores entendam minha posição. Eu nunca vi um disco voador. Eu nunca tive uma alucinação de ter visto um disco voador. Eu nunca me juntei a qualquer histeria em massa no assunto, e ao melhor de meu conhecimento e crença, nunca participei na perpetração de qualquer fraude sobre discos voadores. Eu falei com homens de ciência que me disseram que não somente os viram, como trabalharam com vários deles. Eu tentei com o melhor de minha habilidade encontrar falhas em suas histórias. Mas até hoje não tive sucesso em enquadrá-los em quaisquer das três categorias definidas pela Força Aérea". As três categorias, como explicadas no Capítulo 1, são

1. Enganos e confusões com várias coisas incluindo objetos astronômicos,
2. Algum tipo de histeria em massa,
3. Fraudes.

Isto dá alguma indicação de que fraudes estavam começando a ser um problema já naquela época.
Algumas das referências que encontramos indicam que o livro vendeu bem. Encontramos uma referência que indicou que 60.000 cópias de capa dura foram vendidas a $2,75, bem como livros adicionais de capa mole de 25 cents. Há certa evidência para isso no fato de que cópias usadas de capa mole estão facilmente disponíveis hoje por livrarias de internet.

Conteúdo
O livro tem 17 capítulos, como segue.

  1. O Mistério da Universidade de Denver

  2. O que o Cientista Disse

  3. Alguma História Pessoal

  4. Teorias em Colisão

  5. O Extremo Lunar

  6. Fraudes e Discos

  7. Os Relatórios de Força aérea

  8. De Fort a Fate

  9. Inícios Adicionais

  10. Como os Astrônomos os Vêem

  11. Uma Correção Aerodinâmica

  12. Dentro dos Discos Voadores

  13. Da Magnetita a Einstein

  14. Algumas Definições Magnéticas

  15. Por que os Discos Pousaram Aqui

  16. A Caixa de Perguntas

  17. Algumas Conclusões Arejadas

Resumo do Livro

Eu farei um breve sumário do livro para tornar a análise posterior mais significante. Nós iremos capítulo por capítulo. O livro é escrito por Scully na primeira pessoa, como uma narrativa. O estilo é informal e contém muitas críticas ao Pentágono e exército por sua "manipulação" do tema de discos voadores. Alguns dos capítulos têm baboseiras pseudocientíficas tão absurdas que o leitor ficará abismado.

Capítulo 1 – O Mistério da Universidade de Denver
Este capítulo introduz os dois personagens principais além de Scully. O primeiro aparece como um conferencista não identificado que dá uma conferência sobre discos voadores de 50 minutos na Universidade de Denver no dia 8 de março de 1950. Grande segredo cercou este caso; o evento não foi anunciado e a identidade do palestrante não foi revelada. Ele explicou que teria que omitir nomes e datas já que alguns dos cientistas envolvidos ainda estavam trabalhando em projetos classificados e não estavam livres para falar sobre os discos voadores que examinaram. A audiência descreveu a palestra depois como "impressionante", "sensacional", "eletrizante", "absurda", "ridícula", e "inacreditável". A recepção foi obviamente diversa, mas pelo menos 60 por cento da audiência indicou que o conferencista sabia sobre o que estava falando. Uma votação posterior reduziu o número de crentes a 50 por cento.
A história continua e relata tentativas pelo exército de descobrir quem o conferencista misterioso era. As tentativas não tiveram sucesso imediatamente. Porém, em 17 de março todos os envolvidos acreditaram ter descoberto quem o conferencista era – um tal de Silas Mason Newton, presidente da Newton Oil Company e um diplomado da Baylor e de Yale. Scully o descreveu como "… um homem de substância como também ciência e tão americano quanto uma torta de maçã". Parece que Scully conhecia Newton há vários anos.
Outro evento importante aparece no Capítulo 1 – os discos voadores que se "acidentaram" perto de Aztec, Novo México. Aztec não está muito distante ao nordeste de Farmington, no canto noroeste do estado. É no contexto da história de Aztec que o segundo personagem principal aparece – um misterioso "Dr. Gee". Ele é descrito como "um colega do conferencista" descrito acima e nunca é identificado mais adiante. Era supostamente um cientista que havia "estado a serviço do governo em projetos ultra secretos de defesa durante sete anos e havia desempenhado um papel em 35.000 experiências em terra, mar e ar, envolvendo 1.700 cientistas". Muito
impressionante.
Capítulo 2 – O que o Cientista Disse
Aqui está a história do que o conferencista misterioso disse na Universidade de Denver. Scully diz que o melhor relato da conferência veio do Summerside Journal de Prince Edward Island, Canadá. "Este jornal obteve sua história obviamente de um correspondente de Denver…", mas Scully a considerou melhor que uma transcrição, o que não existia.
O conferencista afirmou que quatro discos voadores haviam pousado na Terra. "Três dos quatro, ele adicionou, tinham sido capturados e inspecionados por homens com quem ele estava identificado atualmente em pesquisa geofísica. Trinta e quatro homenzinhos, medindo entre noventa centímetros e um metro de altura, tinham sido encontrados mortos em três dos discos descobertos". Isso era uma revelação e tanto. A história continuava: "O disco não só não parecia vir de qualquer parte desta Terra, como a pergunta de onde ele veio ainda permanecia sem solução. A melhor especulação, ele adicionou, era Vênus, mas ele continuou dando ênfase ao ponto de que ainda era uma questão completamente aberta". Isto foi duas décadas antes que a temperatura superficial de 800 graus e a atmosfera de gás carbônico sufocante de Vênus fossem conhecidas.
As medidas dos discos eram interessantes. O primeiro tinha 99.9 pés [30 metros] de diâmetro. Sua cabine tinha em torno de 72 polegadas [1,80 metros] de altura. A segunda nave tinha 72 pés [vinte metros] de diâmetro e a terceira media 36 pés [onze metros]. Todas as dimensões eram divisíveis por nove, "que pode ter sido uma pista de que eles usaram nosso sistema de medida". Apenas quatro páginas no capítulo e já está se tornando profundo. Considere o fato de que as medidas são divisíveis por nove APENAS em nosso sistema de medidas.


Desenho de Silas Newton do primeiro disco e o "sistema de noves". Do artigo de JP Cahn.

O tema do magnetismo permeia todo o livro. O conferencista em Denver começou isto. Ele alegou que um grande projeto de pesquisa durante a guerra tinha feito avanços enormes nesta área. "Eles tinham chegado à conclusão de que tudo que existe devia sua forma e existência a linhas magnéticas de força. Ele explicou que há 1.257 linhas magnéticas de força por centímetro quadrado. Quer dizer, em torno de meia polegada". Segure-se – há mais. "Muito da magia, o cientista explicou, que confundiu observadores treinados ou não, não é realmente magia. Bastante do que se diz ter acontecido no ar a naves, como desintegração, suspensão por um período de tempo, imobilização de seus instrumentos de bordo e etc. pode ser duplicado no laboratório. O avião de Mantell e toda porção de seu avião, do motor às pontas das asas, era mantida unida por causa de um freqüência magnética. Isto era verdade até mesmo para o próprio Mantell. Então tudo que um disco voador teve que fazer para desintegrar o avião de Mantell, o conferencista revelou, era desmagnetizá-lo". Ao final deste capítulo, o leitor foi sujeitado a uma avalanche de algumas das mais terríveis baboseiras magnéticas imagináveis.
Capítulo 3 – Alguma História Pessoal
Este capítulo tinha uma relevância desconhecida quando o livro foi escrito. Revela que, durante alguns anos, Scully tinha conhecido Silas Newton, que era o provável conferencista misterioso. As descrições de Newton são bem elogiosas. "Ele era um dos grandes geofísicos da indústria petroleira, com um registro de operações exploratórias prósperas que não foram ultrapassadas por ninguém". Parece bom. "Ele caçou petróleo com instrumentos que tinham custado uma fortuna e eram um segredo cuidadosamente vigiado. Com eles ele tinha redescoberto o campo de petróleo de Rangely anos depois das grandes companhias petrolíferas o terem descartado como um fracasso". Newton parecia ter desenvolvido alguns métodos muito interessantes de encontrar petróleo.
Newton havia descoberto alguns segredos que ninguém mais no negócio de petróleo conhecia. "… ele tinha feito milhares de sondagens no deserto de Mojave e havia acabado de decidir perfurar alguns poços de teste. Todas as grandes companhias de petróleo estavam convencidas de que não havia nada na área, mas através de instrumentação ele estava seguro de que havia. ‘Petróleo no lugar’, ele contesta, ‘radia energia magnética e isto é mensurável’. A dificuldade era, quanto? Quão fundo os poços iam? Depósitos de petróleo escondidos profundamente na terra estavam constantemente emitindo microondas magnéticas, ele acreditava, o que tinha estado aprisionado nas várias zonas de falhas geológicas. O único problema era que podiam chegar a polegadas de lhe dizer onde o petróleo podia ser encontrado, mas não podiam lhe dizer quanto".
Aqui nós aprendemos mais sobre o Dr. Gee. "No verão de 1949 ele conheceu o Dr. Gee, um engenheiro magnético que estava livre depois de sete anos servindo ao governo em todos os tipos de projetos importantes. Ele tinha se tornado mestre de energia magnética, mas US$7.200 por ano era tudo que ele conseguia ganhar por seu conhecimento. Assim ele deixou de lado os projetos do governo para se voltar a um negócio mais lucrativo." Gee explicou que "… ondas magnéticas não passarão pelo petróleo. Elas se movem por cima e por baixo do petróleo. Assim seria fácil subtrair a diferença e lhe falar quanto volume havia em um determinado depósito de petróleo". Simples, não?
Scully finalmente conseguiu conhecer o doutor Gee; Newton o convidou para acompanhá-los em uma viagem a Mojave para inspecionar uma operação exploratória. O doutor Gee estaria lá. Durante a viagem, o doutor Gee contou para Scully sobre os discos voadores que ele havia examinado perto de Aztec, Novo México. Ele respondeu às perguntas com bastante conhecimento. A descrição do doutor Gee o pinta como um gênio brilhante que está muito à frente do resto do mundo no estudo de energia magnética.
Capítulo 4 – Teorias em colisão
Este capítulo é uma coleção de pseudociência e completa baboseira. Scully cita e elogia autores como H.S. Bellamy e Immanuel Velikovsky, que escreveram sobre a origem da Terra, catástrofes bíblicas e a captura da Lua. Seus livros são considerados hoje como besteiras pseudocientíficas, mas Scully acreditava neles.
Capítulo 5 – O Extremo Lunar
Você poderia chamar este capítulo "O Extremo Lunático". Detalha várias pessoas excêntricas e suas idéias sobre planetas, espaçonaves e assim por diante.
Capítulo 6 – Fraudes e Discos
Aqui está evidência de que fraudadores de discos voadores já eram um problema em 1950. "Suspeitos no extremo lunático poderiam ser presumivelmente curados de suas alucinações pessoais ou participação em uma histeria em massa, mas os fabricantes de fraudes pertencem compreensivelmente ao lado gélido da lua, o lado que nunca vemos". Duas coisas são óbvias aqui – Scully não gostava de fraudadores e ele também não sabia que o lado distante da Lua não está sempre frio.
O capítulo relata algumas fraudes históricas interessantes.
Capítulo 7 – Os Relatórios da Força Aérea
O Projeto Saucer [Disco] da Força Aérea americana pretendia estudar os crescentes relatos de discos voadores e compreendê-los. A Força Aérea estava obviamente interessada em coisas que voavam da maneira atribuída aos discos. Scully relata alguns "incidentes" supostamente inexplicáveis de encontros com discos voadores. A Força Aérea era supostamente incapaz de identificar as causas de certo número de avistamentos. O Projeto Saucer foi terminado em 1950, m
as pode ter continuado operando em um nível mais baixo.
Capítulo 8 – De Fort a Fate
O "Fort" no título do capítulo se refere a Charles Fort, uma figura interessante que viveu de 1874 a 1932.
Muitas histórias de discos voadores apareceram na revista Fate, que era uma pequena revista interessada em ficção científica e coisas estranhas. Um artigo publicado em Fate na primavera de 1948 defendia que os discos voadores só eram misteriosos à Força Aérea e que todo o resto das pessoas que estavam trabalhando para entender os discos sabiam o que eles eram.
Capítulo 9 – Inícios Adicionais
Fate não era a única revista publicando histórias de discos voadores.
Capítulo 10 – Como Astrônomos os Vêem
Scully lamenta que nenhum astrônomo famoso surgiu "como uma testemunha ocular de discos voadores". Os poucos que comentavam algo pensavam que toda a idéia era tolice. "O professor George Adamski de Palomar" é citado como pensando que os discos poderiam ser reais. Note que Adamski não era um astrônomo. Ele escreveu um best-seller em 1953 chamado Os Discos Voadores Pousaram. Era um defensor de discos voadores proeminente, mas sua reputação se esvaiu depois que ele anunciou que estaria comparecendo a uma reunião em Saturno. Ele é lembrado agora como um charlatão e fraudador. Adamski não era a melhor referência para Scully usar.
O capítulo continua em certo detalhe sobre o sistema solar e seus planetas. Há um resumo do conhecimento corrente (em 1950) sobre Vênus, e Scully faz um trabalho bastante decente nisto. Os astrônomos realmente pensavam que a vida em Vênus era uma possibilidade. Não achamos isso agora, mas os astrônomos de 1950 não sabiam sobre as condições infernais da superfície do planeta. Havia mesmo uma aventura espacial televisiva chamada O Cadete Espacial Tom Corbett; um dos cadetes, chamado Astro, era supostamente de Vênus.
Scully de fato cita o trabalho de pioneiros como Willy Ley, Hermann Oberth, Walter Hohmann e o artista Chesley Bonestell. Em 1923 Oberth escreveu um livro sobre as possibilidades de viajar ao espaço. Hohmann propôs um meio de ir da Terra para outros planetas; este tipo de órbita é agora chamado uma órbita de "Transferência de Hohmann". Ley era um pioneiro de foguetes alemão e Bonestell era um artista cujas pinturas inspiraram visões de viagem espacial.
Capítulo 11 – Uma Correção Aerodinâmica
Este capítulo curto relata algumas discussões entre Scully e um companheiro chamado Jacques Fresco, um desenhista de aeronaves. Fresco afirmou que aeronaves em forma de disco poderiam funcionar de verdade. Suas idéias envolveram naves movidas por jatos ou foguetes. Ele estava interessado no que os "homens de pesquisa magnéticos" haviam descoberto. Uma breve conversa sobre metais magnéticos terminou com "eu lhe contei que os engenheiros magnéticos dizem que um meteoro viaja em linhas magnéticas de força e a razão para que eles pousem aqui de vez em quando é porque eles atingiram uma zona de falha magnética em nossa atmosfera". Isto é bobagem! Meteoróides orbitam o Sol como todo o resto no Sistema solar. Por vezes a órbita de um o leva a uma colisão com a Terra.
Capítulo 12 – Dentro dos Discos Voadores
Aqui está a grande revelação do livro. Scully diz que "no verão de 1949, enquanto trabalhava com os homens ocupados de pesquisa magnética no Deserto de Mojave, eu conheci um homem de ciência cujos contemporâneos consideravam o maior especialista de pesquisa magnética dos Estados Unidos. Ele tinha mais graduações que um termômetro e as havia recebido de instituições diversas como o Instituto Armado, a Universidade de Creighton e a Universidade de Berlim. Ele é o cientista que chamei de ‘Dr. Gee’. Neste capítulo nós vamos conhecer a verdadeira história dos discos.
Enfatizamos que o leitor deste livro precisa estar constantemente alerta à próxima baboseira que possa surgir. Este capítulo é um duro teste de resistência. As baboseiras se misturam todas em uma história fantástica sobre os discos voadores.


Desenho: Chan Johnson, de "UFO Crash at Aztec", William Steinman, 1987

Os discos voadores haviam "se acidentado", mas não estavam significativamente danificados. Todos os tripulantes haviam morrido de alguma maneira. Eles tinham de 80 centímetros a um metro de altura e estavam vestidos em um estilo que era supostamente "o estilo de 1890". Suas peles estavam chamuscadas de alguma forma a uma cor achocolatada escura. Todas as dimensões das naves podiam ser divididas exatamente por nove. Os painéis de controle possuíam apenas botões – nenhum controle giratório ou deslizante. As naves continham livretos, indecifráveis claro, que foram entregues para a Força aérea. A melhor suposição para a sua origem era Vênus.
A tripulação tinha relógios que pareciam ajustados ao "dia magnético", que teria 23 horas e 58 minutos. A única comida estava na forma de pequenas bolachas. A nave menor parecia não ter nenhuma instalação de banheiro, a partir do que o doutor Gee havia concluído que suas viagens eram tão curtas que não tais instalações não seriam necessárias.
O doutor Gee prometeu obter permissão para que Scully e Newton examinassem de fato um dos discos. Antes que as aprovações fossem completadas, o disco havia sido desmantelado e enviado a Dayton. Tudo o que o doutor Gee tinha para mostrar de todo seu trabalho era "um rádio sem válvulas, algumas engrenagens, alguns discos pequenos e outros itens que podiam ser levados no bolso. Tais bugigangas lhe foram concedidas para pesquisa".
Depois de absorver toda a história anterior, o leitor precisará de diligência extra para identificar a próxima baboseira. "… a construção discóide é o tipo mais ideal de veículo para locomoção no ar. O fato de que o disco gira é apenas com a finalidade de equilíbrio, porque há nem nenhum empuxo no que concerne a superfície da asa. Não há nenhuma propulsão por hélice também, porque não há nenhuma hélice. O que de fato acontece é que, embora a parte de asa esteja girando, o disco na verdade move-se adiante de uma linha de força magnética cruzada a outra. Agora, quando você considera que há 1.257 linhas por centímetro quadrado e duas linhas nunca se cruzam, nós temos o problema de combustão ou propulsão, ou força criada quando elas são cruzadas sob controle. O cruzamento sucessivo e controlado destas linhas de força magnéticas torna possível a aceleração da ação giratória do disco ou da parte da asa do disco, porque o disco está tentando chegar à próxima linha sucessiva de força; ou talvez nós poderíamos dizer, buscando voltar ao equilíbrio. Em outras palavras, a nave está tentando se afastar de si mesma, ou tentando se afastar da posição em que estava, quando o poder de combustão é criado pelo cruzamento de linhas magnéticas de força".


Desenho: Chan Johnson, de "UFO Crash at Aztec", William Steinman, 1987
Note a semelhança do extraterrestre com o boneco alienígena de Santilli em sua "Autópsia Alien" de 1995, criado pelo especialista em efeitos especiais John Humphreys.

Capítulo 13 – Da Magnetita a Einstein
Este capítulo na verdade contém alguma história verdadeira sobre magnetismo e ímãs. Scully reconta como pedras magnéticas, conhecidas como magnetitas, serviram como bússolas para navegação. Há várias observações crédulas sobre os &
quot;Discoidanos" e suas espaçonaves, mas o nível de besteira é geralmente baixo.
Capítulo 14 – Algumas Definições Magnéticas
Scully dá uma lista decente de termos relativos ao magnetismo. O leitor aprende sobre inclinação e declinação magnética, fluxo, campo e histerese. Você encontra a "bobina de Helmut" que é provavelmente um engano com o nome do físico Helmholtz.
Capítulo 15 – Por que os Discos Pousaram Aqui
O capítulo supostamente conta por que os discos voadores pousaram aqui, mas nunca faz isto realmente. Depois de uma crítica ao exército, a baboseira fica densa. Aqui está um pouco. "Eles não sabem que tudo neste planeta, e realmente, no sistema solar inteiro, opera em freqüências magnéticas, de um lápis a um general da Força Aérea, e que qualquer pessoa que tenha dominado este conhecimento pode desmagnetizar e destruir qualquer coisa que deseje?". Scully estava convencido de que tudo estava baseado em magnetismo. Ele menciona muito os "engenheiros magnéticos". E que tal isto? "Quando a Terra se inclina uma fração há uma perturbação magnética ao redor dos pólos e isso é tudo que a Aurora Boreal é. Estas linhas magnéticas de força se aprofundam tanto quanto a pele da Terra, que é de 32 milhas. É assumido que o Sol fornece a seus outros planetas esta sua energia como faz conosco. É assumido que elas são todas forças positivas e assim repelem umas às outras e assim detém o equilíbrio magnético. Qualquer pessoa que possa efetuar uma corrente negativa pode ir de um planeta positivo para outro planeta positivo". Espere – há mais. "A suposição é que os Discoidanos desenvolveram suas próprias naves para onde eles podem criar um fluxo magnético e se mover a qualquer velocidade – de zero para 282.000 milhas por segundo. Na realidade, uma vez fora da atmosfera deles, ou nossa, onde nenhuma resistência opera, eles poderiam se mover a 1.000.000 de milhas por segundo".
Capítulo 16 – A Caixa de Perguntas
No dia 11 de janeiro de 1950, Scully enviou aos "generais de gabinete Pentagonianos" um conjunto de vinte perguntas sobre discos voadores. Ele escreve como se acreditasse que os militares são completos idiotas. As vinte perguntas são impagáveis. Aqui estão algumas delas.
"5. Todos os discos não foram encontrados no hemisfério ocidental magnético em lugar de trabalhos a jato?"
"9. O que aconteceu com os restos dos 16 homens encontrados mortos em um dos discos grandes e os dois em um disco voador menor?"
"13. Você já viu um rádio como o que estava no disco voador que pousou em uma fazenda no Novo México?" (referência para a história de Aztec)
"16. O que você sabe sobre zonas de falha magnéticas em certas áreas nesta Terra, notavelmente no Oregon?"
"17. Você sabe como ondas magnéticas emanam do Sol, revolvem ao redor da Terra, continuam até a lua da Terra, voltam para a Terra e retornam para o Sol? Você sabe que ondas magnéticas seguindo um curso semelhante viajam entre o Sol e Vênus? Se você não souber muito sobre isto, por que você insiste em abrir e destruir tudo que poderia ter ajudado os cientistas magnéticos em determinar se um disco magneticamente controlado poderia pular de uma zona magnética a outra?".
Capítulo 17 – Algumas Conclusões Bem Arejadas
Este capítulo insinua que as pessoas da Força Aérea são tolos incompetentes. Scully cita um suposto relatório do Comando de Material Aéreo: "Nunca houve prova melhor de que uma mente limitada não raro se esconde em um uniforme inteligente". Daí segue imediatamente uma nota sobre uma invenção muito significante. "Isso me lembra de Lee Bowman e a aeronave que ele projetou durante a guerra. Uma vez que a gasolina de alta octanagem estava em escassez, ele projetou sua aeronave para voar com dióxido de carbono. Dióxido de carbono era barato. Não podia explodir ou queimar. Roscoe Turner testou um modelo X e o pronunciou bom o bastante para ser desenvolvido". Dióxido de carbono tem seus usos, mas esses usos não incluem ser combustível de qualquer coisa. O dióxido de carbono já está oxidado e não queimará nem sustentará combustão.

Resumo
Da publicação e indo por 1950, 1951 e 1952 o livro aparentemente vendeu bem. A editora estava ganhando dinheiro, Scully estava ganhando dinheiro, o livro estava ganhando notoriedade e todo mundo estava contente. Havia só um pequeno problema: o livro era uma fraude completa e Frank Scully não sabia disto! Scully escreveu que não gostava de fraudes, mas ele era parte involuntária de uma.
Há algumas coisas que podemos tomar com razoável segurança como fatos.

  1. Scully conhecia Silas Newton.

  2. Newton conhecia o doutor Gee.

  3. Scully era um escritor para a revista Variety de Hollywood.

  4. Scully não tinha NENHUMA formação em ciência ou engenharia.

  5. Scully estava acostumado a obter suas histórias através de pessoas que lhe contavam coisas.

  6. O livro está REPLETO de baboseira que apenas soa científica. Conceitos científicos são misturados e distorcidos além da imaginação.

  7. Nem Scully nem a editora fez qualquer verificação da história.

Em 1950 relativamente poucas pessoas eram cientificamente alfabetizadas o bastante para reconhecer a baboseira ultrajante no livro, que vendeu bem. Um leitor esperto poderia desejar saber por que Scully escreveria tal material. Onde ele o conseguiu? Por que os editores não notaram as afirmações ultrajantes?

Setembro de 1952
Tudo ia bem para Scully e a editora Henry Holt e Cia. Ambos estavam ganhando dinheiro com o livro. Pelo menos até que a edição de setembro de 1952 da revista True chegou às ruas. Ela tinha um artigo intitulado Os Discos Voadores e os Misteriosos Homenzinhos.
Trabalhando em uma tarefa especial para True, o repórter do San Francisco Chronicle J.P. Cahn (não sabemos o que as iniciais representam), passou quatro meses no encalço dos discos voadores, procurando as verdadeiras respostas. Em suas palavras, "Eles viriam do céu em discos voadores. Meu trabalho era trazer a sua história até a terra. E consegui – toda a história. E embora eu não tenha achado venusianos mortos, descobri figuras vivas bastante fantásticas…". A história tem treze páginas de tamanho, escrita em primeira pessoa, como Cahn descreve sua caça pela verdade.
Cahn planejou descobrir a verdade sobre o livro de Scully. Se fosse realmente verdade, seria extremamente significante. Se fosse uma fraude, todos ganhariam se ela fosse exposta. O livro na verdade não era muito bom. Nas palavras de Cahn, "O fato de que era um livro terrivelmente ruim estava fora de questão. As opiniões de críticos variaram de divertidamente tolerantes a atrozes, com algumas chegando à indignação. Scully confundiu desajeitadamente conceitos científicos, se contradisse em detalhes e cometeu erros rudimentares que envergonhariam um calouro colegial. Mas o impacto de sua impressionante história e suas implicações básicas estavam lá".
O que estava acontecendo? O livro era uma brincadeira, uma fraude, ou realmente verdadeiro? Cahn sentiu que este conto de pequenos homens de Vênus não podia ser simplesmente matéria de riso nem assunto a ser ignorado.
Para começar Cahn conhecia três nomes – Frank Scully, Silas Newton e o misterioso Dr. Gee. Parece que a identidade
do doutor Gee devia ser protegida. Cahn fez o óbvio e começou com Scully, esperando alguma ajuda. Scully não era muito prestativo: "Afirmando veementemente que estava empenhado com o segredo, ele se recusou a identificar sua fonte principal de informação, o Dr. Gee. Ele tinha prometido ao doutor Gee não revelar nada mais da história do que ele tinha escrito em seu livro, e por Deus, ele não ia quebrar aquela promessa". Scully também não forneceria nenhuma informação sobre como encontrar Silas Newton. Questionar algumas pessoas no negócio de petróleo não rendeu nada – ninguém havia ouvido falar de Newton. O desafio de Cahn era descobrir mais sobre estes indivíduos elusivos.
Surpreendentemente, o próprio Scully arranjou para que Cahn conhecesse Newton na casa de Scully. Newton nunca tinha visto um disco voador pessoalmente; todas as histórias vinham do doutor Gee. Ele contou as histórias nos mesmos termos usados no livro, mas ele os fez soar bem. Alguns dos erros de Scully foram explicados como resultado de escrever o livro apressadamente. Cahn se encontrou posteriormente com Newton várias vezes. Ao jantar uma vez, Newton mostrou duas engrenagens pequenas e dois discos de metal, todos supostamente pedaços de um disco voador. Depois, no quarto de hotel dele, Newton mostrou uma fina vareta de material transparente que ele alegou ser feita de uma cinza vulcânica chamado Perelita. Era supostamente quase indestrutível. Newton disse que estava sendo usada para cabines de pilotos de aeronaves.
Ficou mais profundo. Newton disse que o doutor Gee estava trabalhando em um desintegrador magnético, o mesmo mencionado brevemente no livro de Scully. "Tinha levado mais de um ano, Newton contou, apenas para resolver a matemática necessária para fazer o desintegrador operar em um flash de dez milésimos de segundo. Mesmo assim, naquele breve momento, os raios de desintegração tinham alcançado vinte milhas e haviam se esparramado em uma área de destruição total de duas milhas de tamanho no deserto. Os figurões planejavam fixar uma cadeia destes desintegradores ao redor dos Estados Unidos e apontá-los para o céu para formar uma tela impenetrável de destruição pela qual nenhum avião inimigo poderia passar. Mas havia um problema no plano. Os raios do desintegrador magnético, se deixados ligados, extravasariam e destruiriam o universo inteiro".
O que Cahn fez foi jornalismo de verdade; sempre que um dos personagens principais fazia algum tipo de declaração ou alegação, Cahn a checava com fontes que estava seguro de que saberiam a verdade. A maioria das alegações que Cahn checou mostrou ser falsa. Por estas alturas ele tinha concluído que nenhum dos três ia lhe contar a verdade.
O plano de ataque de Cahn agora incluía descobrir quem o doutor Gee era, conseguir um dos discos de metal supostamente extraterrestre de Newton e continuar checando Newton, tudo isso sem deixar que Newton e os outros notassem o que ele realmente estava fazendo.
Conseguir um dos discos era difícil. Newton nunca daria um para Cahn; ele alegou que testes de laboratório adicionais não eram necessários já que seus laboratórios haviam executado mais de 100 testes e descobriram que o metal resistia a temperaturas de 10.000 graus. Para encurtar a história, Cahn conseguiu que um mágico que ele conhecia o treinasse em técnicas de prestidigitação. Depois de uma tentativa frustrada quando o mágico o acompanhou, Cahn conseguiu em uma reunião posterior que Newton o deixasse examinar um dos discos. Cahn estava levando alguns discos substitutos que um amigo havia feito para ele. Ele escolheu o mais parecido de seu bolso e então usou o treinamento mágico fazer a troca. Ele palmou o disco de Newton e o trocou pelo falso. Newton nunca notou. Em pouco tempo o disco estava no Instituto de Pesquisas de Stanford, onde um doutor Hobson fez os exames. Mostrou ser uma liga de alumínio comum usada para fazer panelas e que derretia a meros 657 graus. Belo metal alienígena. Cahn sabia agora que a história era uma fraude.


Esquerda: dois dos discos de 5 cents trocados pelo metal "desconhecido" ao lado. Alumínio.
Direita: Leo A. GeBauer, o "Doutor Gee". Do artigo de Cahn.

Sobre checar o histórico de Newton, "Não é uma tradição de detetives glamurosa como Dick Tracy vasculhar arquivos de jornais antigos, mas às vezes compensa". Com certeza. Cahn achou uma história do New York Times sobre Silas M. Newton sendo preso e acusado de vender a um colega $25.000 de ações sem valor algum. Depois ele foi processado por um homem que disse que Newton lhe roubou $28.000. Ele também foi investigado em dois incidentes de fraude financeira. Além disso, um superintendente de uma companhia exploração na Califórnia de fato conhecida Newton. "… Claro, eu me lembro do velho Newton", ele disse. "Ele costumava vir a Rangely com algum tipo de equipamento esquisito – uma dessas caixas pretas com muitos controles que ninguém nunca pode olhar por dentro. Ele tentou dizer para todo o mundo como estávamos errados sobre geologia. Ele até conseguiu alguns arrendamentos por onde sua geringonça dizia que o petróleo devia estar. E parece que era ele que estava errado sobre geologia. Ele trazia muitas pessoas naqueles carros grandes dele. Mas no que concerne redescobrir Rangely, é um monte de mentiras". Cahn concluiu que realmente nada das histórias de Newton podia ser confiado também.
Enquanto verificava a história de Newton, Cahn chegou à primeira pista sólida do doutor Gee. "Eu não entrarei no método aqui. Simplesmente digamos que o telefone é uma grande invenção, e Newton é um grande usuário dela. Uma checagem revelou que ele telefonou freqüentemente para Phoenix, Arizona. Ele falou lá com um Leo GeBauer. Phoenix era o local de residência do doutor Gee, de acordo com o livro de Scully e as declarações do próprio Newton. O pseudônimo "Gee" e o nome "GeBauer" certamente pareciam relacionados". Cahn tinha identificado corretamente o evasivo doutor Gee. Ele não era o supercientista que Newton pintou, mas tinha um pouco de conhecimento técnico sobre eletrônica. Ele também era o proprietário de uma loja de rádio e televisão em Phoenix. Cahn obteve uma fotografia de GeBauer graças a um repórter da Phoenix Gazette, que arranjou para fazer uma história sobre GeBauer para a seção de negócios. Desse modo GeBauer não suspeitaria nada. Funcionou. Investigação adicional com a Better Business Bureau rendeu alguns dados biográficos sobre GeBauer. "De 1943 a 1945, enquanto era suposto que ele tinha estado chefiando 1.700 cientistas em 35.000 experiências na terra, no mar e ar e gastando um bilhão de dólares em um programa de pesquisa magnética ultra-secreto do governo, GeBauer revelou que era meramente o chefe de laboratórios na Companhia AIResearch em Phoenix e Los Angeles". Ele não era nem um cientista – simplesmente administrava os laboratórios. Ele também era MUITO criativo com relação a histórias de discos voadores.
Cahn visitou GeBauer em sua loja e o confrontou com a proposição de que ele era o doutor Gee, o que GeBauer negou veementemente. Cahn também notou uma caixa de varetas marrons que se pareciam exatamente com o que os fraudadores haviam dito ser material super-forte feito de Perelita. Eram na verdade separadores de antena de televisão.
Scully renegou a promessa de confirmar a identidade de Gee caso Cahn a descobrisse, mas Cahn estava certo.
O livro de Scully era uma fraude monumental; as investigações dos personagens principais tinham tornado isto claro. Cahn tentou entender por que Scully tinha feito isto, mas não conseguia. "Eu sinto muito por não ter uma resposta clara. Eu não tenho porque penso que não há uma única resposta. Além da imediata e ó
bvia de que o livro era altamente lucrativo, está uma série de questões – os motivos dos vários indivíduos envolvidos em alimentar a história. Eu acredito que Frank Scully permitiu a si mesmo confiar sinceramente no que lhe foi contado pelos outros, embora concorde que isso é bem generoso com Scully". Ele continua em notar que Scully simplesmente poderia não ser bom em verificar histórias, ou que ele se deixou enganar por um homem que tinha conhecido por anos. Em todo caso, o único ganhador no livro é "… aquele mágico entre os exploradores de minério e petróleo, o cientista cujo acume geofísico como descrito pelo autor Scully mereceria certamente o interesse de qualquer investidor: Silas Mason Newton".

Agosto de 1956
Nem tudo havia terminado para Newton e GeBauer. A edição de agosto de 1956 de True publicava uma história de seis páginas com o desenrolar da história por J.P. Cahn, intitulada "Os Charlatães dos Discos Voadores". Nos anos desde o artigo de 1952, Cahn e True haviam coletado bastante informação para chegar à resposta da pergunta que Cahn não pôde responder anteriormente: Por que Scully escreveu aquele livro?
De acordo com Cahn, "Indo fundo na história dos falsos discos voadores, eu descobri que dois homens – Silas M. Newton e Leo A. GeBauer – haviam fabricado a fraude e a perpetraram a um autor crédulo. Quando revelamos a história, True e eu tínhamos algumas boas idéias sobre por que Newton e GeBauer haviam inventado seu conto, mas não podíamos provar nossas suspeitas. E o que você não pode provar, você não publica. Assim nós dissemos o que podíamos e esperamos pelo resto. Graças aos muitos leitores de True, conseguimos as novas pistas que esperávamos, e agora podemos fechar a história sobre dois estelionatários fenomenais". Como uma nota paralela, veja a ética jornalística "o que você não pode provar, você não publica". Isso parece ter sido perdido há muito tempo.
Os dois sujeitos eram o que pessoas da indústria petroleira chamam de "doodlebuggers", que significa que impressionariam leigos com dispositivos enigmáticos que supostamente podiam localizar petróleo debaixo da terra sem falha. Eles podiam assim vender aos "investidores" (que não sabiam nada sobre petróleo) licenças de arrendamento de petróleo sem valor algum. Newton era o representante com sua Newton Oil Company em Denver. GeBauer era o gênio que desenvolveu os maravilhosos dispositivos para encontrar petróleo.
Newton precisava de material para convencer leigos, assim ele escreveu artigos sobre suas teorias geofísicas, carregados de besteiras pseudo-científicas. Estes foram impressos em publicações de comércio industrial. Profissionais do petróleo, lendo estes artigos, rapidamente os descartaram como as divagações de um maluco e continuaram com outro material. O desafio de Newton era fazer sua mensagem chegar a uma audiência maior, uma que não sabia nada sobre petróleo.
Frank Scully acabou sendo a solução perfeita. "O livro sobre discos voadores era a resposta. Si Newton é o tipo de vendedor que poderia vender um carrossel a uma funerária. A história que ele contou para o homem que de fato escreveu o livro o pintava como um geofísico mundialmente famoso e multimilionário. Dava-lhe um cenário perfeito para operar". Agora nós entendemos por que Newton era o verdadeiro ganhador no livro.
Cahn continuou "A historinha do disco voador era isca. Quando você acabava de ler o livro, ainda poderia ter suas dúvidas sobre os discos, mas acreditava que Newton era um gênio quando o assunto era localizar petróleo – a menos que você por acaso soubesse algo sobre o assunto. E Newton não estava interessado em pessoas que sabiam qualquer coisa sobre petróleo". A fraude trouxe as vítimas a Newton e GeBauer, que lhes roubaram algo como $400.000 no total. O livro funcionou perfeitamente; "Newton pôde construir uma lista de idiotas que era o sonho de qualquer vigarista".
O resto do artigo detalha os esforços de Cahn em encontrar as pessoas que haviam sido enganadas por Newton e GeBauer. Ele estava tentando achar uma vítima para quem o estatuto de limitações de 3 anos não havia vencido; tal indivíduo poderia entrar com uma queixa e processar os estelionatários. Herman Flader era uma pessoa assim; Newton e GeBauer haviam lhe tomado $231.432,30 o que era muito dinheiro em 1950. Cahn continou descrevendo os detalhes da fraude, a queixa, a prisão dos dois e o julgamento em Denver.
Há uma nota particularmente engraçada. Os estelionatários venderam a Flader por $18.500 um dispositivo de encontrar petróleo como o que eles tinham. Durante o julgamento, o promotor do distrito introduziu um dispositivo absolutamente idêntico que ele havia comprado por $3,50 em uma loja de usados local. As geringonças eram na verdade unidades antigas e descartadas de rádio transmissores do Exército. Elas ainda tinham as placas de identificação do Corpo de Sinalização. Depois da Segunda Guerra Mundial, muito equipamento excedente foi vendido pelo governo. Muitos operadores de radioamador se comunicavam usando excedentes da Segunda Guerra convertidos. O professor Cotton [um dos autores deste artigo] é um deles.
O júri levou menos de 5 horas para condenar os dois. Eles solicitaram, e conseguiram, liberdade condicional.


Esquerda: Cahn exibe cheques sem fundo e correspondência de uma vítima,
o milionário Herman Flader, com os estelionatários
Direita: Flader e um colega exibem uma das máquinas inúteis para localizar petróleo
adquiridas a altas quantias dos charlatães.

Ruminações
Assim qual é a moral, se qualquer, nesta história? Em uma das fraudes mais bem-sucedidas do século XX, dois estelionatários enganaram um escritor crédulo para produzir um livro sobre uma história completamente falsa de discos voadores. Os delírios selvagens de Scully sobre os discos, suas polêmicas sobre pessoas incompetentes no exército (os "Pentagonianos") e suas histórias de trabalhar com Newton e o doutor Gee capturariam a atenção do leitor. O propósito subjacente de promover Newton não foi notado. Aparentemente nem sequer os críticos mais severos do livro não descobriram isso. Newton ganhou.
Para um escritor, a moral é provavelmente verificar tudo. Cahn pôde verificar as alegações no livro e descobriu que eram falsas. Scully ou não era capaz, ou não se importou em verificar. Os artigos não registram o que aconteceu à reputação de Scully depois que a fraude foi exposta.
Finalmente, alguma das baboseiras no livro são tão ruins que se imagina como os editores da Henry Holt não as notaram. A descrição de Cahn do livro como "incrivelmente ruim" é bem apropriada.

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Fontes
Este sumário foi escrito a partir de fontes originais. Pudemos obter uma cópia do livro (uma 1ª edição) como também cópias das duas revistas True.
Aqui estão a primeira e segunda histórias por J.P. Cahn:

The Flying Saucers and the Mysterious Little Men, JP Cahn, True, setembro 1952;
Flying Saucer Swindlers, JP Cahn, True, agosto 1956.

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4 Responses to Discos voadores e Frank Scully

  1. […] Note como o perfil do rosto é praticamente idêntico. A propósito, o caso Aztec também foi uma fraude. […]

  2. Arilson disse:

    Eles usaram uma historia verdadeira e acoberta-da pelos militares para se promoverem se assistissem caçadores de ovnis ganhariam mais do que lê sobre esse charlatães, tantos casos e testemunhas que ao contrario destes permaneceram humildes sem procurar fama!

  3. […] Donald Keyhoe notou à época, o mote de pequenos extraterrestres de um disco acidentado derivou da Fraude de Aztec – Roswell só retornaria à Ufologia no fim da década de 1970. A fraude de Aztec também […]

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